PENITENCIÁRIA

Flordelis perde concurso musical na cadeia e nega ter matado marido

Apesar de não ter vencido competição de canto, ex-deputada federal condenada a 50 anos de prisão pela morte do marido diz, em entrevista ao Globo, que ainda é referência  

Ex-deputada federal Flordelis foi uma das 17 finalistas do concurso musical 'Voz da Liberdade', na prisão, mas não ganhou  -  (crédito: Reprodução/Instagram)
Ex-deputada federal Flordelis foi uma das 17 finalistas do concurso musical 'Voz da Liberdade', na prisão, mas não ganhou - (crédito: Reprodução/Instagram)

A ex-deputada federal Flordelis também era cantora gospel e pastora antes de ser presa pela morte do marido, Anderson do Carmo, em agosto de 2021. Na última quinta-feira (28/11), ela participou de um concurso musical promovido pela Secretaria de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (Seap-RJ), mas, apesar da carreira prévia, não chegou ao pódio. 

Em perfil do Instagram em nome de Flordelis, comandado por filhos e netos, foi publicado um vídeo da apresentação da cantora no concurso Voz da Liberdade, que aconteceu em uma penitenciária de Bangu, na zona oeste do Rio, onde ela está detida. 

“Deserto é lugar de passagem, crescimento e aprendizagem e não de morada”, diz a publicação. “Eu vou dar a volta por cima!” A frase é parte da letra da canção A volta por cima, de autoria da própria Flordelis, cantada no concurso. 

“O que passou, passou, chega de chorar / Eu vou dar a volta por cima / Tudo que eu vivi foi uma lição”, são alguns dos versos da música gospel. “Olham para mim, já julgando o meu final / Esquecendo que o meu Deus, é um Deus sobrenatural (...) / Às vezes a gente erra, tentando acertar / E o nosso nome vira o alvo, de quem quer acusar.” 

A competição, que é o “maior concurso penitenciário de música do Brasil”, segundo publicação da Seap em redes sociais, teve 150 participantes presas de bom comportamento. Apesar de ter ficado entre as 17 finalistas, a ex-pastora não venceu. 

 
 
 
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Em entrevista ao Globo, Flordelis disse que ainda se considera referência, tanto na música gospel quanto em outros aspectos, pois recebe “muitas quantidades de cartas do Brasil e de fora”. 

Ela conta ao jornal que “viver aprisionada é muito ruim” e que adoeceu mentalmente durante o período em que está detida, mas que é bem tratada por detentas, administração e equipe religiosa do presídio. “Eu faço parte do coral, não falto, é a minha essência, eu não abro mão de Deus.” Diz também que o desejo dela é sair da prisão e “resgatar vidas da mão do tráfico de drogas, meninos e meninas”.

A ex-pastora chora ao falar do ex-marido — “monstro que eu acreditava que era pastor, que eu amava” —, que, segundo depoimento, teria abusado sexualmente da filha com quem ela divide cela na penitenciária Talavera Bruce, em Bangu, e de uma neta. “Por mais que eu tivesse ele como o grande amor da minha vida, eu desejaria muito que ele estivesse vivo hoje, para ele me dizer porquê.” 

Ela afirma que acreditou que a morte de Anderson, de quem “era 100% dependente”, havia decorrido de um assalto. “Eu entreguei toda a minha vida nas mãos dele”, diz antes de responder que não matou o ex-marido. “O meu maior desejo hoje é que ele estivesse vivo para responder às minhas perguntas, às minhas indagações, porque eu sei a esposa que eu fui (...). Eu fui a esposa que amava e respeitava.” 

A cantora acredita que “há uma nova vida lá fora para ela” e para cada uma das detentas com quem convive. 

Presa desde 2021, Flordelis dos Santos de Souza, então deputada federal pelo Partido Social Democrático do Rio de Janeiro (PSD-RJ), foi condenada a 50 anos de prisão em 2022. Ela foi considerada culpada pela morte do marido, que em 2019 foi assassinado a tiros na garagem da própria casa, onde morava com a família — composta por Flordelis e 55 filhos, entre biológicos e adotivos, dos quais sete estão envolvidos no crime, segundo o Ministério Público (MP). 

postado em 30/11/2024 17:32
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