A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, ontem, a indicação do medicamento Sunlenca — substância lenacapavir — para prevenção ao risco de infecção pelo HIV-1 por via sexual. A recomendação será para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35kg, que estejam sob risco de contrair o vírus.
A prevenção aprovada pelo órgão seguirá uma estratégia de profilaxia pré-exposição (PrEP). O medicamento agiria como um "escudo" no organismo para impedir a infecção em caso de contato com o vírus. O tratamento, no entendimento da Anvisa, deve ser exclusivo às pessoas não infectadas pelo HIV-1. Por isso, foi determinada a comprovação dessa condição por meio de teste.
Considerado um antirretroviral inovador, o medicamento tem a função de impedir a replicação do HIV. Segundo a Anvisa, isso será capaz de combater a transcrição reversa do vírus. A prevenção estará disponível em forma de injeção subcutânea (aplicações a cada seis meses) e comprimido oral.
No ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o lenacapavir — substância do Sunlenca — como opção adicional para PrEP, classificando-o como a melhor alternativa após a vacina.
Embora o medicamento tenha sido aprovado pela Anvisa, ainda restam, ao menos, mais dois trâmites legais. A próxima fase será passar por uma análise de preço máximo estabelecido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e o aval da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que analisa critérios como eficácia, segurança e análises de custo-efetividade.
Leve alta
O contexto em que a Anvisa aprovou o lenacapavir para uso em adultos e adolescentes a partir de 12 anos que estejam sob risco de contrair o vírus é de um leve aumento nos casos de infecção pelo vírus no Brasil. Esse movimento é apontado pelo Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, produzido pelo Ministério da Saúde.
Segundo o documento — que apresenta dados consolidados de 2024 —, foram registradas 39.216 detecções em 2024, um aumento frente às 38.222 casos contabilizados no boletim de 2023. Esse quadro difere de novos casos de Aids (que é quando a doença se manifesta a partir do HIV) que apresentaram redução de 1,5% no mesmo período — enquanto 2023 contabilizou 37.527 casos, 2024 registrou 36.955 registros.
O boletim também mostrou forte concentração de infecções por HIV entre jovens adultos. Pessoas entre 25 a 29 anos apresentaram maior volume de registros em 2024, totalizando 6.247 casos. Logo em seguida, está a faixa etária de 20 a 24, com 5.409 notificações. Segundo Christiano Ramos, presidente da organização não-governamental Amigos da Vida, o aumento — mesmo que leve — do registro de infectados por HIV no Brasil preocupa pelo fato de muitos jovens e adolescentes iniciarem a vida sexual "cada vez mais cedo, de forma precoce, sem orientação da família".
