O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicou, nesta quinta-feira (29/1), a portaria que regulamenta a Indenização de Campo para servidores ambientais. A decisão acontece após denúncias de desvalorização da carreira.
Em novembro, em meio à programação da Conferência das Partes (COP30) em Belém (PA), o Correio publicou manifestação dos profissionais por meio da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e do PECMA (Ascema Nacional). Entre as denúncias, estavam jornadas exaustivas, necessidade de acampamento na mata e perigos enfrentados nas ações de fiscalização.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
A indenização de campo é um dispositivo de caráter indenizatório para servidores que precisam se ausentar da unidade sede e já é pago em outros cargos, como agentes de endemias e recenseadores. A remuneração acontece em casos que os trabalhadores precisam ir para fora da zona urbana em ações que não preveem o recebimento de diárias.
Para a classe, a medida representa uma conquista de anos de negociação, visto que o recebimento foi previsto em 2013, mas aguardava a regulamentação. A estimativa é que cada servidor tenha deixado de receber cerca de R$ 35 mil.
“Nada foi fácil ou automático, e essa conquista mostra a força da organização coletiva”, declara a presidente da ASCEMA Nacional, Tânia Maria de Souza.
“Ao mesmo tempo, ela [a portaria] não encerra a luta: 2026 será um ano decisivo para garantir a implementação efetiva desse direito e avançar em outras pautas fundamentais da carreira”, afirma. “Por isso, é essencial que os servidores sigam mobilizados, participando e fortalecendo suas entidades, porque só com união e luta permanente é que os direitos são assegurados”.
Em nota, a ASCEMA Nacional destacou que a regulamentação “não apaga os anos de prejuízos e desvalorização, mas representa um passo decisivo na afirmação dos direitos da carreira ambiental”. O comunicado pontua ainda a importância de carta com mais de 600 assinaturas enviadas em outubro ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e veiculação da denúncia em veículos jornalísticos.
Siga o canal do Correio no WhatsApp e receba as principais notícias do dia no seu celular
Além dos prejuízos financeiros, a medida é uma forma de indenizar os servidores por situações extremas enfrentadas durante as ações, como exposição a doenças, violência e presença do crime organizado nas zonas rurais.
A falta de regulamentação também estava na contramão das medidas implementadas pelo governo federal no âmbito da redução do desmatamento. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o desmatamento na Amazônia teve redução de 11,08% em relação ao mesmo período no ano anterior, segundo estimativa do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), fruto de ações integradas e atuação essencial da fiscalização ambiental.
Saiba Mais
-
Brasil Sikêra Jr é condenado por discurso homofóbico: "Raça desgraçada"
-
Brasil Jovens trans enfrentam mais exclusão em escolas, família e trabalho
-
Brasil Jogos de azar: Rogério Andrade e policiais aposentados são denunciados
-
Brasil Crianças no Maranhão estão sumidas há 25 dias
-
Brasil Quina, Lotofácil, Dupla-Sena, Super Sete, +Milionária e Lotomania: resultados desta quarta
-
Brasil Cannabis medicinal tem nova regra de uso
