SAÚDE

Anvisa alerta para o risco de pancreatite e o uso de canetas emagrecedoras

Em cinco anos, foram 145 notificações de suspeitas de eventos adversos registradas no país, além de seis supostas mortes

Notificações são consideradas suspeitas. Anvisa alerta que, mesmo citando nome comercial, casos podem envolver versões falsificadas -  (crédito:  Reprodução/BBC News Brasil )
Notificações são consideradas suspeitas. Anvisa alerta que, mesmo citando nome comercial, casos podem envolver versões falsificadas - (crédito: Reprodução/BBC News Brasil )

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu, ontem, um alerta sobre o risco de pancreatite aguda ligado ao uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, as conhecidas canetas emagrecedoras. Entre 2020 e 2025, foram 145 notificações de suspeitas de eventos adversos registradas no país, além de seis supostos casos com desfecho de óbito.

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Os injetáveis foram desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2 — e passaram a ser usados também no controle da obesidade. As ocorrências estão ligadas aos medicamentos Ozempic, Mounjaro, Wegovy, Trulicity, Saxenda, Victoza, Rybelsus e Xultophy. No entanto, a Anvisa afirmou que os casos ainda passam por uma avaliação técnica, pois somente as notificações não garantem uma relação direta entre o uso das canetas e os eventos relatados. Além disso, é apontada a possibilidade do envolvimento de produtos falsificados.

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Segundo o órgão, as notificações têm aumentado tanto no cenário internacional como no cenário nacional. "Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado", destacou a agência por meio de nota.

O monitoramento médico é motivado pelo risco de eventos adversos graves, incluindo pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes e fatais. Apesar do alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. "Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula", acrescentou a Anvisa.

Inflamação

Pancreatite é uma inflamação do pâncreas, órgão essencial para a digestão e para o controle da glicose no organismo. Ela pode se manifestar de forma aguda, com início súbito e potencialmente grave, ou crônica, quando o problema se repete ou se mantém ao longo do tempo. Pode causar a perda progressiva da função pancreática e até a morte.

"Existe tratamento. Na maioria dos casos, a pancreatite aguda é reversível, desde que diagnosticada precocemente e tratada adequadamente. O tratamento envolve controle da causa, suporte clínico e, em situações mais graves, internação hospitalar. No caso da crônica, não tem cura definitiva, mas pode ser controlada para evitar progressão e complicações", explica o clínico-geral Leonardo Catizani.

Segundo o médico, o uso inadequado e sem acompanhamento médico desses medicamentos, também pode levar a outros efeitos adversos relevantes, como náuseas intensas, vômitos, desidratação, hipoglicemia, perda excessiva de massa muscular e deficiências nutricionais.

"O uso indiscriminado pode mascarar doenças pré-existentes, atrasar diagnósticos importantes e gerar uma falsa sensação de segurança em relação ao emagrecimento. O principal risco não está no medicamento em si, mas na banalização do seu uso", ressaltou Catizani.

A autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA) informou que registrou, entre 2007 e outubro de 2025, 1.296 notificações de pancreatite relacionadas aos usuários desses medicamentos, incluindo 19 óbitos. A preocupação com esses eventos pelo mundo foi um dos motivos pelos quais a Anvisa determinou, em junho do ano passado, que farmácias e drogarias passassem a reter a receita dos clientes.

Estagiário sob a supervisão de Luana Patriolino

 


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postado em 10/02/2026 04:25
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