
Uma professora está entre as vítimas das fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora (MG), na Zona da Mata mineira, na noite dessa segunda-feira (23/2). A informação passou a circular entre colegas e pessoas próximas à educadora nas redes sociais.
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Segundo Nathália, as duas estavam em um centro espírita na região do Poço Dantas, na Zona Leste da cidade, e saíram do local entre 22h30 e 23h, durante o temporal. Pouco depois, o barranco cedeu e atingiu o carro em que a professora estava.
A moradora conta que, instantes antes do deslizamento, ouviu o barulho de um transformador estourando e houve queda de energia. “Assustei e deixei meu carro morrer, ela seguiu na frente. Quando consegui ligar de novo, o barranco e as árvores começaram a cair na pista e o carro dela sumiu. Dei ré e não fui atingida”, relatou.
"Passamos a quarta juntas. Eu lembro da gente lavando banheiro e rindo, com ela fazendo graça. Ela era alegre, feliz e muito debochada", brinca Isabela Fontes, que esteve com a professora na semana passada em uma granja.
Em mensagens divulgadas por conhecidos, a professora, identificada como Carla Teixeira, que lecionava para uma turma do 1º ano no turno da tarde na Escola Municipal Professora Edith Merhey.
A confirmação oficial da identidade da vítima ainda depende de procedimentos das autoridades. A Prefeitura de Juiz de Fora informou que 14 pessoas morreram em decorrência das chuvas que atingiram o município e manifestou pesar pelas vítimas. As mortes foram registradas nos seguintes locais:
- Quatro na Rua Natalino José de Paula, no Bairro JK;
- Quatro na Rua Orville Derby Dutra, no Bairro Santa Rita;
- Duas na Rua João Luís Alves, na Vila Ideal;
- Uma na Rua José Francisco Garcia, no Bairro Lourdes;
- Uma na Rua Eurico Viana, na Vila Alpina;
- Uma na Estrada Athos Branco da Rosa, no Bairro São Benedito;
- Uma na Rua Jacinto Marcelino, na Vila Olavo Costa.
Devido às condições das vias, o transporte público foi suspenso nesta terça. Relatos de motoristas indicam que ônibus ficaram presos em alagamentos e parte da frota apresentou defeitos após a enchente, o que comprometeu a circulação na cidade.
Segundo a prefeitura, há dificuldades no trânsito devido a alagamentos e deslizamentos de terra. Em nota, o município informou a suspensão das aulas para garantir a segurança de alunos e profissionais da educação. A orientação é que a população evite deslocamentos desnecessários.
Na madrugada desta terça, a prefeitura também decretou estado de calamidade pública, com validade de 180 dias, em razão do volume recorde de chuvas. Na noite de segunda-feira (23/2), casas desabaram e moradores ficaram soterrados. Diversas vias ficaram alagadas.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram a Avenida Brasil, no Centro, tomada por um grande volume de água. Um vídeo obtido pela reportagem registra o momento do desabamento de uma casa no Bairro Progresso. Já no Bairro Democrata, um motorista precisou sair do carro e empurrar o veículo após ficar preso no alagamento provocado pela subida rápida da água.
O acesso ao Mergulhão, na região central, foi fechado por medida de segurança, segundo a Defesa Civil, que orientou motoristas a evitarem a área e buscarem rotas alternativas. A Ponte Vermelha, no Bairro Santa Terezinha, também foi interditada por volta das 21h40.
Áreas que historicamente sofrem com enchentes voltaram a registrar problemas. No Bairro Vitorino Braga, na Zona Leste, ruas ficaram alagadas. A Defesa Civil também alertou para o aumento da enxurrada na Rua Luiz Fávero, no Bairro Linhares.
Na Zona Norte, a Avenida Presidente Juscelino Kubitschek apresentou vários pontos de alagamento.
No domingo (22/2), outro temporal já havia causado transtornos. Na ocasião, a Defesa Civil registrou 36 ocorrências, sendo 14 deslizamentos de terra e 12 alagamentos.
Segundo o órgão, fevereiro já é o mês mais chuvoso da história de Juiz de Fora. Até as 10h de segunda-feira, o acumulado chegou a 460,4 milímetros. O recorde anterior era de fevereiro de 1988, com 456 milímetros. A expectativa é que os números sejam atualizados nesta terça-feira.

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