RIO GRANDE DO SUL

Ex-prefeito de Lajeado é preso em investigação sobre desvios nas enchentes do RS

Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em investigação sobre uso de recursos federais destinados às vítimas das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (26/02) a segunda fase da Operação Lamaçal, que apura suspeitas de crimes contra a administração pública relacionados às enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em maio de 2024. O foco da investigação são possíveis desvios de recursos públicos federais repassados ao município de Lajeado por meio do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS).

Na manhã de hoje, agentes federais cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão em diversos endereços ligados ao caso, incluindo a residência do ex-prefeito de Lajeado. Segundo apuração do G1, o ex-prefeito Marcelo Caumo foi preso temporariamente pela Polícia Federal no âmbito dessa fase da investigação.

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Marcelo Caumo, que foi prefeito de Lajeado até o fim de 2023 e posteriormente ocupou cargos no governo do estado, vinha sendo um dos principais alvos da investigação desde a fase anterior da Lamaçal. 

A prisão temporária, com prazo inicial de cinco dias (podendo ser prorrogados), foi determinada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e tem como objetivo, segundo a PF, evitar risco de destruição de provas ou combinação de versões entre os investigados.

Batizada como Lamaçal, a operação foi iniciada no fim de 2025 e busca esclarecer eventuais irregularidades na utilização das verbas federais destinadas à reconstrução de Lajeado após a tragédia registrada em 2024. A apuração identificou indícios de irregularidades em licitações e contratos realizados pela prefeitura na época, com suspeita de direcionamento de contratos e pagamento de valores acima do mercado. 

Segundo a Polícia Federal, os recursos públicos sob suspeita foram repassados para o município em razão da calamidade causada pelas enchentes, que tiveram grande impacto nas infraestruturas públicas e na vida da população do Vale do Taquari. Os investigados podem responder por desvio ou aplicação indevida de verba pública, contratação direta ilegal, fraude em licitação, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Ainda de acordo com a corporação, a análise do material apreendido na primeira etapa sustenta a hipótese de direcionamento de licitações na administração municipal.

"As investigações identificaram irregularidades em três licitações da Prefeitura de Lajeado envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico, contratadas para prestar serviços de assistência social. Há indícios de que as escolhas não observaram a proposta mais vantajosa e de que os valores pagos estavam acima dos preços de mercado", explica a instituição.

Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária. Há também sequestro de veículos e bloqueio de ativos. As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

As buscas ocorrem nas cidades de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre.

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