QUEBRA DE REALIDADE

A história da viúva que perdeu R$ 7 milhões em golpe de advogado

Maria Matuzenetz vende mel para sobreviver e relata sequelas emocionais e psicológicas

Bolo de notas de dinheiro -  (crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
Bolo de notas de dinheiro - (crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

A realidade que a Maria Matuzenetz passava, há alguns anos, estava muito longe da rotina que tem atualmente, em que vende mel na feira para sobreviver.  Maria conta ter sido vítima de um advogado indicado por uma psicóloga que a acompanhava. À época, ela havia acabado de perder o marido que morreu, que deixou uma herança de R$ 7 milhões para que ela vivesse uma vida sem preocupações financeiras

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Em entrevista à TV Globo, Maria relatou que tentou recomeçar a vida quando teve contato com a profissional da saúde. Em um determinado momento, a terapeuta indicou um suposto advogado, que se encarregaria de resolver os aspectos burocráticos da herança.

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No entanto, a cliente veio a descobrir, posteriormente, que a psicóloga é mãe do golpista, que sequer tinha formação em direito. Enganada, Maria conta que foi convencida a transferir os R$ 7 milhões de herança para uma conta no exterior. 

"Eu não tenho paz, eu não tenho dinheiro, eu não tenho. Ele tirou tudo de mim. Eu não recebi um centavo do inventário por causa dele, porque ele é um capeta em forma humana. Ele e a mãe dele. Eu tô sofrendo muito", contou. Documentos mostram que a quantia foi enviada para uma conta bancária no Uruguai, no nome da vítima. Em seguida, o dinheiro foi transferido para outro destino, ligado a um homem identificado como Luiz Eduardo Bottura. 

A viúva também contou ter tido a assinatura falsificada em um documento que tornaria formal a renúncia dela à herança em troca de apenas R$ 10 mil. No entanto, ela conta não ter assinado "nada para dar para ele". Três perícias apresentadas pela defesa de Bottura são investigadas.  

Acusações e comando de organização criminosa

Bottura é apontado pelo Ministério Público como chefe de uma organização criminosa, responsável por usas o sistema de Justiça para fraudar idenizações e movimentar processos forjados. Além disso, ele é acusado de coagir advogados e intimidar autoridades.

Hoje, ele vive na Itália, cercado por conforto. O homem acusado pelo golpe é descrito como especialista na produção de documentos falsos para criar dívidas que não existem, além de ser considerado o maior litigante serial do país, segundo promotores de Justiça. Confrontado pela Globo no país onde vive, o suposto advogado negou todas as acusações. Além disso, disse que os processos abertos contra ele se baseiam em "denúncias arquivadas" e que foi alvo de vazamento ilegal de informações.  

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu as prisões preventivas do homem que se passava por advogado e da suposta psicóloga, que chegou a ser detida. No Brasil, foi sentenciada ao uso de tornozeleira eletrônica. Em 2025, Bottura foi preso na Itália. A detenção foi feita após solicitação da Interpol pela documentação dele. Em seguida, teve o passaporte apreendido e responde ao processo de extradição. Na próxima quinta-feira (12/3), a extradição será decidida pelo Tribunal de Apelação de Veneza. 

Outras pessoas afirmam ter sido vitimadas pelas tramas de Bottura. Uma associação criada por vítimas do golpista constataram que os prejuízos de todos, somados, passam da casa de R$ 100 milhões. 

O Correio entrou em contato com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), para obter mais informações sobre o contexto. Em caso de retorno, o texto será atualizado. 

 


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postado em 04/03/2026 18:14
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