
O papa Leão XIV nomeou, nesta segunda-feira (30/3), o cientista brasileiro Carlos Nobre para integrar o conselho do Vaticano responsável por discutir o desenvolvimento humano integral, um dos principais espaços de formulação de diretrizes sociais, ambientais e humanitárias da Igreja Católica.
Referência mundial em mudanças climáticas e nos impactos do aquecimento global sobre a Amazônia, Nobre é o único brasileiro entre os novos integrantes do dicastério, estrutura da Cúria Romana que reúne especialistas, religiosos e lideranças internacionais.
A nomeação em meio ao avanço da crise climática global e reforça a aproximação da Igreja com a ciência como eixo central das discussões sobre o futuro do planeta.
“Estamos vivendo uma emergência climática que coloca todos nós em risco. O que está em jogo é o futuro da humanidade”, afirmou Nobre, ao comentar a escolha. “Fico muito feliz em ver a mobilização da Igreja para incluir o meio ambiente nesse conselho”, disse o cientista, em entrevista ao g1.
Com trajetória de mais de quatro décadas dedicadas ao estudo do clima, Nobre construiu reconhecimento internacional ao investigar os efeitos do desmatamento e do aquecimento global sobre a floresta amazônica.
Foi ele quem formulou uma das hipóteses mais debatidas da ciência climática: a possibilidade de “savanização” da Amazônia, um processo de degradação que pode transformar a maior floresta tropical do mundo em um ecossistema mais seco, com impactos irreversíveis para o clima global.
Graduado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e doutor pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), o cientista construiu carreira no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e hoje atua como pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.
Ao longo da carreira, participou do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), grupo que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2007 por alertar o mundo sobre os riscos do aquecimento global.
A nomeação ao conselho do Vaticano se soma a outros reconhecimentos recentes da trajetória de Nobre. Em 2022, ele se tornou membro da Royal Society, uma das mais prestigiadas instituições científicas do mundo — sendo o primeiro brasileiro a receber o título em mais de um século.
Atualmente, o pesquisador também lidera iniciativas voltadas à construção de um modelo de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, incluindo propostas para zerar as emissões de carbono no Brasil antes de 2050 .
Nos últimos anos, o Vaticano tem ampliado sua atuação na agenda climática, especialmente após o pontificado de Papa Francisco, que colocou o meio ambiente no centro do debate global com a encíclica Laudato Si’.

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