Mulheres negras, mortas principalmente dentro de casa por companheiros ou conhecidos, representam 62,6% das vítimas de feminicídio. Os dados integram a pesquisa Retrato dos Feminicídios no Brasil, divulgada nesta quarta-feira (4/3), em alusão ao Dia Internacional da Mulher, que será celebrado no domingo (8/3). A análise considerou 5.729 registros de feminicídio ocorridos entre 2021 e 2024. Em 2025, o país contabilizou 1.568 vítimas, aumento de 4,7% em relação ao ano anterior.
Do total de vítimas no período, 3.587 eram mulheres negras (62,6%), enquanto 2.107 eram brancas (36,8%). Mulheres indígenas e amarelas representam 0,3% dos casos.
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O estudo também traça o perfil das vítimas: metade tinha entre 30 e 49 anos, faixa etária considerada produtiva e reprodutiva. O grupo de 30 a 39 anos concentra 28,3% dos registros, seguido pelo de 40 a 49 anos (21,7%). Embora adolescentes e crianças também apareçam nas estatísticas 5,1% tinham até 17 anos, o feminicídio atinge majoritariamente mulheres adultas.
Segundo a pesquisa, muitas vítimas viviam em bairros periféricos ou em cidades do interior e, em grande parte dos casos, eram responsáveis pelo sustento da família e pelo cuidado de filhos e outros dependentes.
Em relação aos autores, 59,4% eram companheiros das vítimas, 21,3% ex-companheiros e 10,2% outros familiares, dado que reforça o caráter doméstico da violência. A maioria dos assassinatos ocorre dentro de casa e durante a noite.
A arma branca é o principal meio utilizado, presente em 48,7% dos casos, com destaque para facas, machados e canivetes. Armas de fogo aparecem em 25,2% das ocorrências.
Para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os dados evidenciam que a violência letal contra mulheres negras não pode ser analisada apenas sob a ótica de gênero. “Mulheres negras estão, em média, mais expostas a condições de vulnerabilidade socioeconômica, menor acesso a serviços públicos de proteção e maior presença em territórios marcados por precariedade institucional”, destaca o estudo.
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