Turismo

De viagem dos sonhos à volta urgente: israelenses deixam Morro de SP

Jovens israelenses movimentam o litoral baiano gerando questionamentos nas redes sociais sobre uma possível relação com a convocação de reservistas pelo exército; confira o vídeo

Um vídeo que já ultrapassa 1,4 milhão de visualizações colocou o Morro de São Paulo, no litoral baiano, no alvo de curiosos. As imagens mostram diversos israelenses deixando o destino turístico às na manhã de domingo (01/03).

Intitulado como “reflexo da guerra”, o registro levantou questionamentos nas redes sociais: israelenses na Bahia, seria apenas consequência do conflito em Israel? Nas cenas, turistas caminham com malas e mochilas. “Por que Morro de São Paulo? Como isso começou?”, questionou uma internauta.

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Bahia como destino tradicional 

O vídeo que viralizou foi divulgado pela empresa Morro SP Tur, que atribui o fluxo intenso de israelenses em Morro de São Paulo ao sucesso da série Malabi Express, lançada em 2013. A produção conta a história de três amigos israelenses que, após concluírem o serviço militar obrigatório, decidem viajar para o Brasil e escolhem como destino o litoral baiano.

Na série, os jovens se instalam na vila e abrem um quiosque para vender malabi, um doce típico do Oriente Médio semelhante ao manjar. O sucesso da produção em Israel foi tão grande que transformou o litoral da Bahia em um dos principais destinos para jovens israelenses recém-saídos do exército. Desde então, tornou-se comum encontrar cardápios em hebraico, sinalizações voltadas ao público israelense e até uma unidade do centro judaico Chabad-Lubavitch na região.

A empresa também destacou que, apesar das críticas nas redes sociais, os turistas israelenses têm papel relevante na economia local, movimentando pousadas, restaurantes, festas e o comércio da ilha.

O debate nas redes

Nos comentários, internautas trouxeram diferentes perspectivas. Um deles relatou ter morado no Morro e feito amizade com jovens israelenses, segundo o depoimento e que muitos afirmam que não desejam participar da guerra, mas que o serviço militar faz parte da realidade em que cresceram. “Eles nasceram e viveram nesse contexto. Mesmo muito novos, sabem que farão parte disso, concordando ou não”, escreveu.

Outro comentário trouxe um tom mais reflexivo: “É muito triste ver uma cena dessas. São jovens que vêm para o Morro para aproveitar a vida, como qualquer pessoa nessa idade. Movimentam o turismo, fazem festas, giram a economia local. Mas se coloquem no lugar de alguém que nasceu em um ambiente de guerra constante. Aqui encontram um paraíso e, de repente, precisam voltar às pressas para um conflito com risco real de não retornar.”

Convocação militar e questionamentos

Assim como no Brasil em Israel, o alistamento militar também é obrigatório para homens, e recentemente, após a morte do aiatolá Ali Khameneias,  Forças Armadas de Israe anunciaram a convocação de cerca de 100 mil reservistas, que devem se somar aos aproximadamente 50 mil militares já mobilizados desde o início do conflito na Faixa de Gaza. 

Diante desse cenário, surge a pergunta: por que dezenas de israelenses estariam deixando Morro de São Paulo de forma aparentemente apressada? 

Seria apenas coincidência ou há, de fato, uma relação direta com a convocação militar? A cena levanta questionamentos que vão além do turismo e escancaram como conflitos internacionais podem impactar até mesmo um dos destinos mais paradisíacos do Brasil.

Até o momento, não há confirmação de que essa movimentação esteja relacionada especificamente à guerra.

Confira o vídeo: 

 

*Estagiária sob supervisão de Paulo Leite

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