Belo Horizonte — Na madrugada de ontem, um prédio com três andares e quatro pavimentos onde funcionava uma academia e um lar de idosos, no bairro Jardim Vitória, em Belo Horizonte, desabou e ao menos seis mortes foram confirmadas.
No momento da tragédia, 29 pessoas se encontravam no imóvel. Nove delas conseguiram sair sozinhas dos destroços por estarem em uma parte que sofreu poucos danos. Outras oito pessoas foram resgatadas com vida pelos bombeiros. Entre os seis mortos confirmados, estava o proprietário do lar de idosos, a Casa de Repouso Pró-vida.
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Segundo o Corpo de Bombeiros, pela manhã, havia vítimas responsivas, o que facilitou sua localização, mas desde o início da tarde, não mais sinais ou barulhos para ajudar nas buscas pelas vítimas restantes.
"Esse trabalho é atualizado a todo momento para que a gente busque qualquer ruído, qualquer início de vítima que esteja com vida", informou o Tenente Henrique Barcelos. "Passadas as 12 horas de operação, iniciamos o rodízio das equipes para manter a energia em alta na zona quente", complementou.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) prestava apoio para a identificação dos corpos no logal. O delegado Murilo Ribeiro, informou que o objetivo é causar o menor sofrimento possível para os familiares. Em seguida, os corpos eram levados para o Instituto Médico-Legal (IML).
A PCMG também atuava na investigação sobre as causas do desmoronamento. O imóvel de quatro pavimentos não se encontra em área de risco nem havia chuva no momento da tragédia, mas passava por uma obra de ampliação. "O alvará de funcionamento estava em dia, o imóvel tinha autorização para funcionar mas, aparentemente, a metragem informada diverge da metragem que a gente acompanha aqui", acrescentou Ribeiro.
O Tenente Henrique Barcelos, do Corpo de Bombeiros, disse que, no momento, a corporação trabalha com a retirada cuidadosa de uma parede em risco de colapso acima do lugar onde estão sendo realizadas as buscas. Segundo ele, há 103 bombeiros atuando, com revezamento a cada 12 horas.
Familiares de moradores do asilo também começaram a chegar ao endereço em busca de informações sobre as vítimas. As que já saíram dos escombros foram encaminhadas para hospitais, entre eles o Odilon Behrens e a UPA Nordeste.
Obra suspeita
A PCMG identificou uma obra de ampliação no lote onde ficava o lar de idosos. O delegado Murilo Ribeiro informou que ainda não é possível apontar se a obra teria ligação com a tragédia. De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), o espaço funcionava sem alvará de construção válido emitido, apesar de possuir alvará de funcionamento.
"Este é um trabalho de investigação criminal que faremos, de perícia especializada em engenharia e infraestrutura para apurar o que ocorreu aqui", afirmou o delegado.
Um incêndio havia ocorrido no lar de idosos em 2023, mas vistorias foram feitas na época, atestando a estabilidade da estrutura, de modo que o episódio não teria relação com a tragédia de hoje.
"O trabalho investigativo da Polícia Civil é apurar todas as circunstâncias e causas desse desabamento. Dentro dessas causas, apurar se é uma causa com relevância criminal e se pode ser atribuída a uma pessoa", explicou Ribeiro.
O imóvel era composto por quatro pavimentos e vários empreendimentos. De acordo com os bombeiros, a edificação tinha no térreo funcionava uma clínica de bronzeamento. O lar de idosos ficava no primeiro andar e a casa do proprietário, acima, no segundo andar. No terceiro, funcionava uma academia.
A hipótese de que o colapso teria ligação com as chuvas foi descartada, mas a Casa de Repouso Pró-Vida era alvo de uma ação judicial que pedia o seu fechamento desde 2017. A Ação foi proposta pela Promotoria de Justiça de Defesa das Pessoas Idosas do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
De acordo com a promotora Jacqueline Ferreira Moisés, o desabamento não pode ser tratado como uma fatalidade. "Esta era uma instituição que a promotoria fiscaliza desde 2013. Nós demos à instituição a oportunidade de regularizar os erros extrajudicialmente, mas isso não foi feito. Desde 2017, existe uma ação pedindo o fechamento por irregularidades muito graves", afirmou. Ela contou ainda que, ao longo dos últimos anos foram realizadas 12 vistorias técnicas no imóvel, envolvendo tanto análise estrutural quanto avaliação psicossocial dos residentes.
De acordo com Jacqueline, os laudos técnicos mais recentes foram encaminhados ao Judiciário em novembro de 2025, mas ainda aguardavam decisão. "O juiz entendia que as alegações do Ministério Público eram genéricas e solicitava mais vistorias. Mesmo assim, já havia motivos suficientes para o fechamento", disse.
A última vistoria no local ocorreu em 2024. Na ocasião, segundo a promotora, os técnicos foram unânimes ao afirmar que a casa não apresentava condições mínimas de funcionamento.
*Estagiária sob a supervisão de Rosana Hessel
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