O cacique Raoni, do povo mbêngôkre (também conhecido como kaiapó), tem dedicado sua vida na luta pela demarcação dos territórios dos povos indígenas, mas ainda não viu o local onde nasceu ser demarcado. A Terra Indígena Kapôt Nhinore é localizada na Bacia do Xingu, entre os estados do Mato Grosso e Pará, e aguarda homologação há mais de 20 anos. Ao Correio, Raoni reafirmou o desejo de ver a terra do povo protegida. "Essa terra foi roubada. Ela é nossa e precisa ser demarcada", citou.
Em 2023, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) aprovou os estudos de Identificação e Delimitação da Kapôt Nhinore. Esse processo ocorre quando há conclusão e aprovação dos estudos antropológicos, históricos, fundiários, cartográficos e ambientais da terra pela Presidência da Funai. Trata-se de uma das etapas do processo demarcatório, seguida da declaração, homologação e regularização.
Raoni tem mais de 90 anos e segue firme no compromisso de assegurar que os direitos originários sejam respeitados. Quando o líder indígena tirou o primeiro documento estimou-se que ele nasceu em 1932, mas o caso dele, assim como o de tantos outros indígenas que tiveram acesso aos documentos de identificação tadiamente, não se sabe ao certo a verdadeira idade.
Raoni fez um chamado à sociedade brasileira: "se comprometam à nossa luta para que tenhamos mais vida nesta Terra, a nova geração precisa dessa Terra e temos que ter esse compromisso". O cacique está em Brasília desde o começo da semana para participar do Acampamento Terra Livre (ATL). O ato, que vai até sexta-feira (10/4), reúne cerca de 7 mil indígenas e tem como tema neste ano: "Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós". Nesta quinta-feira (9/4), os indígenas marcham rumo ao Congresso para pressionar o governo Lula sobre a demarcação de terras.
