
A abertura da 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL), nesta semana, em Brasília, reforçou a mobilização dos povos originários em defesa de direitos e territórios. Durante sessão solene após a marcha indígena, a deputada federal e ex-ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (Psol-SP), defendeu o fortalecimento da representatividade política indígena e a ampliação de candidaturas como estratégia para enfrentar os desafios no Congresso Nacional.
“Estamos trabalhando para aumentar essa bancada aqui no Congresso. Entendemos a importância de mais pessoas que estejam junto com a gente”, afirmou a parlamentar ao Correio. Segundo ela, mesmo sendo uma bancada ainda reduzida, a atuação indígena tem peso estratégico diante de propostas que ameaçam direitos, como o marco temporal, projetos de mineração em terras indígenas e a flexibilização da legislação ambiental.
Guajajara destacou que o ATL reúne mais de 7 mil indígenas de diversas regiões do país e simboliza a continuidade de uma luta histórica. “Nem sempre ser menos em quantidade quer dizer que é menos na importância. As pautas que a gente traz são muito grandiosas, não só para nós, mas para o mundo”, disse.
A deputada, que recentemente deixou o cargo de ministra dos Povos Indígenas no governo Lula e retornou ao Parlamento para disputar as eleições, também apontou que a demarcação de terras indígenas segue como um dos principais pontos de tensão no cenário político, já que o tema se tornou alvo de disputa no Congresso, onde há resistência de bancadas contrárias à pauta.
Questionada sobre a possibilidade do calendário eleitoral prejudicar a demarcação, Guajajara afirmou que nada impede que existe sim a possibilidade de avanços ainda neste ano, especialmente em processos que não são impactados pelo debate do marco temporal. “O Ministério dos Povos Indígenas e a Funai estão trabalhando para concluir processos já em andamento”, explicou.
Com o país em ano eleitoral, o ATL também ganha contornos políticos mais amplos, onde a deputada pontuou que o momento é estratégico para ampliar a presença indígena nos espaços de poder. “A luta não para. Agora também segue aqui dentro do Parlamento”, afirmou.
Mobilização nacional
O atual ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, que seguirá os trabalhos de Guajajara, ressaltou que o ATL é um momento de reafirmação dos direitos constitucionais dos povos originários. “É momento de relembrar nossas raízes enquanto povos fundadores deste país e reafirmar o direito originário aos territórios tradicionais”, declarou.
Segundo o ministro, a presença indígena em Brasília tem papel estratégico. “Grande parte dos direitos indígenas tem constitucional e passa por esta Casa. O Congresso tem a missão fundamental de guardar esses direitos”, afirmou.
Terena também indicou continuidade nas políticas implementadas pela antecessora. “Vamos seguir com o propósito de proteção dos territórios, construção de políticas públicas e fortalecimento da Funai”, disse.
- Leia mais: Lula desiste da hidrovia Tapajós
A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Lucia Alberta Baré, também reforçou ao Correio que o órgão busca ampliar entregas e consolidar avanços institucionais. “Nosso papel é avançar no legado e fazer mais entregas, tanto no fortalecimento da Funai quanto na demarcação de terras e valorização dos servidores”, afirmou ela, que ressaltou a importância da atuação integrada com o Ministério dos Povos Indígenas para ampliar resultados dentro do governo federal.

Esportes
Esportes
Revista do Correio
Esportes
Flipar
Diversão e Arte