
Sob gritos de “Palestina livre” e cercado por bandeiras palestinas, o ativista brasileiro Thiago Ávila desembarcou em Brasília no fim da noite desta segunda-feira (12/5), após ser deportado por Israel. O voo pousou por volta das 23h50 no Aeroporto Internacional de Brasília, onde familiares, amigos e integrantes da comunidade palestina o aguardavam com cartazes e cânticos.
Ávila havia chegado ao Brasil na tarde desta segunda-feira, em São Paulo, após passar quase duas semanas detido por autoridades israelenses. Ele foi preso em 29 de abril durante a interceptação da flotilha humanitária Global Sumud, que seguia rumo à Faixa de Gaza com ajuda humanitária.
Ao lado do ativista espanhol-paquistanês Saif Abu Keshek, Thiago permaneceu detido em Ashkelon, ao norte de Gaza, até ser deportado no domingo (11/5), segundo informou o Ministério das Relações Exteriores de Israel.
Durante discurso feito após o desembarque, Ávila afirmou que ele e outros ativistas foram interceptados “ilegalmente” em águas internacionais, a mais de mil quilômetros de Gaza. Segundo ele, dos 181 integrantes da missão humanitária, mais de 30 ficaram hospitalizados após agressões durante a operação.
“Mais importante do que o que qualquer pessoa individualmente passa é saber que existem mais de 9 mil palestinos nas masmorras de Israel. Mais de 300 são crianças”, declarou.
O ativista afirmou ainda ter sido levado, junto de Saif, para um centro de interrogatório ligado à inteligência israelense onde, segundo ele, ouviu diariamente pessoas sendo torturadas.
“Todo santo dia a gente ouviu pessoas ao nosso lado sendo torturadas. Eles tratavam cada palestino dentro daquelas celas como se não fossem humanos”, disse.
Ele também agradeceu à atuação do serviço diplomático brasileiro durante o período em que esteve preso. Segundo ele, as visitas diplomáticas eram os únicos momentos em que conseguia sair da cela ou retirar a venda dos olhos.
No discurso, o ativista voltou a defender a mobilização internacional em favor da Palestina e afirmou que pretende continuar participando de ações humanitárias voltadas à Faixa de Gaza.
“Toda vez que perguntam se a gente vai de novo, é óbvio que sim, porque a tarefa está incompleta”, afirmou.
A flotilha Global Sumud reunia cerca de 22 embarcações e 175 ativistas de diferentes nacionalidades. O grupo tinha como objetivo entregar ajuda humanitária à população palestina na Faixa de Gaza. De acordo com os organizadores, todas as embarcações foram interceptadas por forças israelenses durante a operação.

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