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Plano mira finanças do "andar de cima" do crime

Maior parcela dos R$ 11 bi do programa do governo é para o ataque à movimentação de dinheiro pelas facções. Outras partes dos recursos vão para sistema prisional, compra de equipamentos e estratégias de combate ao tráfico de armas

Lula disse a Trump que, para combater o crime organizado, era preciso que brasileiros fossem
Lula disse a Trump que, para combater o crime organizado, era preciso que brasileiros fossem "devolvidos" - (crédito: SEAUD/PR)

De olho nas urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, ontem, mais um pacote de medidas de segurança pública, ainda tentando conquistar espaço em um tema dominado pela oposição e bandeira de campanha do principal adversário nas urnas este ano, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O programa Brasil Contra o Crime Organizado prevê R$ 11 bilhões para asfixiar as finanças das organizações criminosas; reforçar seguranças em presídios estaduais; investigar homicídios; e o combate ao tráfico de armas e explosivos. Do montante, cerca de R$ 1 bi será proveniente do Orçamento de 2026 e o restante virá de empréstimos do BNDES aos estados.

De acordo com o planejamento do governo, do recurso previsto para este ano, R$ 388,9 milhões serão destinados ao combate financeiro às facções; R$ 330,6 milhões para o sistema prisional; R$ 201 milhões para investigações de homicídios; e R$ 145,2 milhões para o combate ao tráfico de armas. A linha de crédito de R$ 10 bilhões poderá financiar a compra de equipamentos, como viaturas, drones, câmeras corporais, sistemas de videomonitoramento, scanners corporais, bloqueadores de celulares, equipamentos para perícia, para radiocomunicação, embarcações e reforma de presídios, o que demandará adesão dos estados.

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Como forma de reforçar a ênfase no ataque à movimentação financeira das facções, Lula lembrou a conversa que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada, sobre o combate ao crime organizado. "Disse ao presidente Trump: 'Se você quiser combater o crime organizado de verdade, você tem que começar a entregar alguns nossos [brasileiros] que estão morando em Miami'. É só querer discutir. Falamos que temos propostas de asfixia financeira, de combater a lavagem de dinheiro, e parte das armas que apreendemos vem dos Estados Unidos. É importante dizer essas coisas porque, senão, eles passam a ideia de que a desgraça toda está do lado de cá e que eles não têm nada a ver com isso", observou.

O presidente destacou a necessidade de combater o crime no "andar de cima". "Muitas vezes, o criminoso não é o pobre, não é o negro, não é o desempregado. Muitas vezes, o responsável está no andar de cima, engravatado, tomando uísque e zombando da nossa cara. A polícia olha para a favela, mas sabe que (o principal culpado) está no 15° andar de um apartamento, olhando da cobertura, a ação da polícia. Muitas vezes, ele está no meio empresarial, no Congresso Nacional, no futebol. Está espalhado por todas as categorias existentes", criticou.

Governadores 

Lula, que não esconde as tentativas de ganhar espaço no tema visando as eleições de outubro, aproveitou o lançamento do pacote de medidas para acenar aos governadores. Segundo ele, é urgente a necessidade de diálogo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e com o Conselho Nacional de Procuradores, pois há "muita queixa" dos governadores.

"Muitas vezes, a polícia prende os bandidos e, uma semana depois, esse bandido está solto. Esse é um tema que nós vamos ter que colocar na mesa para ver se a gente consegue colocar, também, o Poder Judiciário em harmonia com essa tese que estamos aprovando aqui, hoje, de combater o crime organizado", salientou.

O presidente prometeu, ainda, que, assim que o Senado aprovar a PEC da segurança pública, será criado um ministério específico, separado da pasta da Justiça. "Sempre recusei a aprovar o Ministério da Segurança Pública enquanto a gente não tivesse definido qual seria o papel do governo federal na segurança pública", disse. 

O programa do governo é lançado em um momento delicado na relação entre o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), e o Palácio do Planalto. Com as relações estremecidas desde a rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), o senador não compareceu à solenidade. Além disso, aprovada pelos deputados em março, a proposta de emenda à Constituição que institui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), a PEC da Segurança Pública, está parada no Senado há dois meses, aguardando despacho de Alcolumbre para iniciar a tramitação.

"Conseguimos formar consensos e aprovar proposições relevantes. De iniciativa do Executivo, a Câmara aprovou a PEC da Segurança Pública, fruto de longa escuta, debate federativo e muito equilíbrio. A matéria aperfeiçoa a cooperação de União, estados e municípios. Temos convicção que o Senado Federal, com sua reconhecida tradição de equilíbrio e diálogo, contribuirá para que essa iniciativa se transforme em breve para avanço concreto para o pais", lembrou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

 

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postado em 13/05/2026 03:55
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