
A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra afirmou, ontem, na audiência de custódia que foi presa no "exercício da profissão". Ela tinha feito relato semelhante ao ser detida na mansão onde mora, em Barueri, na Grande São Paulo, pela acusação de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Na audiência virtual, em que a Justiça manteve a prisão preventiva, Deolane afirmou que advogava para um cliente e, pelo serviço, assegurou ter recebido R$ 24 mil de honorários. "Fui presa no exercício da profissão. Na época dos fatos, eu advogava. É um processo de um ano bem antigo, 2019, 2020. E eu quero deixar bem claro: mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, mas que eu fui presa por estar advogando por uma quantia de R$ 24 mil, depositada em minha conta por um cliente que consta no próprio relatório da polícia", afirmou.
Na audiência, Josimary Rocha, advogada de Deolane, solicitou que a prisão da cliente fosse convertida em domiciliar, devido à idade da filha mais nova da influenciadora, de nove anos. A defesa argumentou, ainda, que a investigação não envolve crimes com violência ou grave ameaça e, por isso, a prisão preventiva seria "exacerbada".
O pedido da advogada de Deolane tem como base entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2018, no julgamento de um habeas corpus coletivo que determinou a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar para mulheres grávidas ou mães de crianças de até 12 anos em casos sem violência ou grave ameaça.
Transferência
Deolane, porém, foi transferida, ontem, para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado de São Paulo. Inicialmente, ela estava na Penitenciária Feminina de Santana, na Zona Norte da capital paulista.
A influenciadora não tem colaborado com as investigações, segundo os policiais que atuam na Operação Vérnix — que investigam a conexão entre Deolane e o PCC. Isso porque ela se recusou a fornecer as senhas dos dois celulares apreendidos durante buscas em sua residência. A recusa pode prejudicar a defesa da advogada no inquérito.
O delegado Edmar Rogério Dias Caparroz, da Delegacia Seccional de Presidente Venceslau, informou que a recusa da influenciadora em ceder as senhas dos celulares não impedirá a Polícia Civil de chegar a dados e diálogos que interessam ao inquérito. Os investigadores detêm técnica para extração de informações arquivadas nos aparelhos.
Deolane foi presa na quinta-feira numa operação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil. Segundo os investigadores, a influenciadora teria participação na movimentação de recursos atribuídos à facção e é apontada como integrante da estrutura financeira do grupo.
As apurações indicam que empresas de fachada e contas bancárias ligadas a Deolane teriam sido usadas para ocultar e movimentar dinheiro do PCC. O MP-SP afirma que o esquema envolvia uma transportadora suspeita de atuar no fluxo financeiro da facção.
CPI das Bets
Ela havia sido alvo de outra investigação policial em 2024, quando foi presa em uma operação da polícia pernambucana que investigava suspeitas de lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais ligados a plataformas de apostas. Na ocasião, ela chegou a cumprir prisão domiciliar, mas retornou ao regime fechado após descumprir medidas impostas pela Justiça.
Deolane foi indiciada pela Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou as apostas eletrônicas — a CPI das Bets — com mais 15 pessoas, pela relatora, senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). Ela tinha sido convocada a prestar depoimento, mas obteve um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF).
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