O lançamento do programa “Juntos Por Elas – Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres”, realizado na manhã desta terça-feira (5/5), na Caixa Cultural Brasília, foi marcado por um discurso direto do presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, que chamou atenção para um desafio que vai além da criação de políticas públicas: a mudança de comportamento dentro das próprias instituições.
Ao participar da cerimônia, que reuniu ministros, autoridades e representantes da sociedade civil, Vieira reconheceu que estruturar iniciativas como o programa é uma tarefa viável diante da dimensão do banco, mas alertou para a dificuldade de transformar práticas cotidianas.
“É muito fácil pra gente fazer um evento desse. É muito fácil o presidente da instituição chegar, promover com todos os recursos, toda a abrangência, toda a capacidade, todo o tamanho, tudo que representa a Caixa, um evento desse. Mas sabe o que que é difícil? É convencer o colega que tá agora dentro de uma agência da Caixa […] praticando atos que não sejam louváveis”, afirmou ao discursar contra a violência contra mulheres.
A fala ocorreu durante a assinatura de acordos de cooperação técnica com ministérios e a formalização de parcerias voltadas ao enfrentamento da violência contra as mulheres, eixo central do programa lançado pela instituição.
Para o presidente, o enfrentamento efetivo da violência de gênero passa por uma mudança de postura individual e coletiva. “Essa coragem que a gente precisa ter é a coragem de todos nós sairmos aqui e, no nosso atitudinal, refletirmos o que está acontecendo”, disse, ao defender que os valores discutidos no evento sejam incorporados no dia a dia dos funcionários e na sociedade.
Vieira também fez críticas à persistência de comportamentos que, segundo ele, dificultam avanços sociais. “É espantoso quando se olha para o que se quer fazer nesse país e, muitas vezes, por atitudes mesquinhas, a gente não consegue ver as coisas acontecerem”, declarou.
Em tom mais amplo, o presidente associou essas práticas a traços históricos da sociedade brasileira, mencionando a presença de misoginia e desigualdade em diferentes momentos da formação cultural do país. “Quando a gente olha no dia a dia […] a gente vê essas questões presentes”, pontuou.
O dirigente defendeu que a superação desse cenário depende da força coletiva. “Talvez esteja na grandeza do coletivo combater as mesquinharias de uma sociedade que foi criada de forma mesquinha”, afirmou.
Durante o evento, ele também mencionou iniciativas internas da Caixa, como a discussão sobre a criação de uma fundação da instituição, tratada como um projeto antigo que começa a sair do papel.
O programa “Juntos Por Elas” marca o início de uma série de ações que buscam ampliar o acesso à informação, fortalecer o acolhimento de vítimas e promover a conscientização sobre a violência de gênero em todo o país. Com presença em milhares de municípios, a Caixa aposta em sua capilaridade para transformar agências e espaços culturais em pontos de apoio.
Ao final, o discurso do presidente reforçou que, para além das políticas e estruturas anunciadas, o sucesso da iniciativa dependerá da capacidade de provocar mudanças reais no comportamento cotidiano, dentro e fora das instituições.
Saiba Mais
-
Política Érika Hilton reage a críticas de Zema e o chama de "politicamente medíocre"
-
Política Defesa de Paulo Henrique Costa pede transferência para "sala de estado-maior"
-
Política Reconhecimento da união homoafetiva pelo STF completa 15 anos
-
Política Prazo para regularizar título de eleitor termina nesta quarta-feira; tire dúvidas
-
Política Flávio Bolsonaro tem 44% e Lula 43% no 2º turno, diz Real Time Big Data
-
Política Quem era Sacha Carvalho, filho de Heloísa Helena, que morreu aos 42 anos
