O medo de sofrer violência por motivação política segue elevado no país. Levantamento divulgado no domingo (10/5) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Instituto Datafolha, aponta que 59,6% dos brasileiros afirmam ter receio de serem alvo de agressões físicas em razão de suas posições políticas ou partidárias. O índice é inferior ao registrado no período eleitoral de 2022, quando 68% dos entrevistados relataram o mesmo temor, mas permanece em patamar considerado alto pelos pesquisadores.
O medo é mais elevado entre mulheres (65,5%) do que entre homens (53,1%). Já quando se observa a ocorrência de violência, o cenário se inverte: 2,9% dos homens disseram ter sido vítimas de agressões motivadas por política, ante 1,5% das mulheres.
A pesquisa também revela diferenças raciais. Entre negros, 61,4% afirmam ter medo de violência política, contra 56,7% entre brancos. A vitimização segue padrão semelhante: 2,6% dos negros relataram ter sido agredidos, ante 1,4% dos brancos.
O recorte econômico indica maior sensação de insegurança entre os mais pobres. Nas classes D e E, 64,2% dizem temer agressões por motivação política. Entre as classes A e B, o percentual é de 54,9%. A ocorrência de violência também é mais alta entre os mais pobres (3,5%), ante 2,2% nas classes mais altas.
O estudo aborda ainda o impacto do crime organizado sobre a liberdade de expressão política em algumas regiões do país. Segundo o levantamento, 41,2% dos entrevistados afirmam viver em áreas com presença de facções criminosas ou milícias.
Nesses locais, 59,5% dizem evitar falar sobre política por medo de represálias, enquanto 61,4% afirmam que esses grupos exercem influência moderada ou forte sobre as regras de convivência da comunidade. A taxa de vitimização por violência política nessas áreas é de 3,3%, acima da média nacional de 2,2%.
A pesquisa “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança” foi realizada pelo Datafolha entre os dias 9 e 10 de março, com 2.004 entrevistas em 137 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
