CB DEBATE

Desinformação é o mal do século, diz presidente do Instituto Palavra Aberta

Durante evento realizado pelo Correio, Patrícia Blanco declarou que o jornalismo é o principal antídoto contra a desinformação

A presidente do Instituto Palavra Aberta, Patrícia Blanco, afirmou nesta quinta-feira (28/5) que a desinformação é o mal do século, principalmente quando olhamos para a questão da saúde pública. 

Para ela, o ambiente da desinformação não ocorre apenas nos grupos de WhatsApp, mas também por meio daqueles que desinformam a audiência quando são propagados por influenciadores digitais, que se colocam com uma autoridade de disseminação de informação, e acabam gerando mais desinformação. 

“Gosto sempre de observar o lado do letramento informacional como uma forma de buscarmos, se não a solução — pois creio que não exista uma 'bala de prata' para resolver totalmente o problema —, ao menos meios de mitigá-lo”, frisou durante o segundo painel do CB Debate O impacto da Desinformação: da Saúde à Democracia, realizado pelo Correio, com o tema Boas Práticas para Evitar Ameaças Digitais na Saúde. 

Segundo a painelista, a sociedade precisa “parar e respirar” antes de repassar qualquer tipo de informação, principalmente quando ela vem de grupos de WhatsApp, pois a informação vem repleta de sentimentos de pertencimento e afeto.

“Quem enviou a mensagem torna-se muito mais importante do que o conteúdo, ou quem a produziu, pois ela chega com um compartilhamento de credibilidade. Vem do pai, da mãe, de tios, avós, da professora de pilates ou da colega da hidroginástica;. Vem carregada de afeto”, disse. 

De acordo com Blanco, na análise crítica da informação, ofertado pelo Instituto, é utilizado a mandala da educação midiática, composta por três eixos: leitura crítica, produção ativa (o ato de compartilhar) e participação cidadã. 

“Essas questões, que estão no cerne da educação digital e midiática, são fundamentais para todos os públicos, não apenas nas escolas. Podem começar na escola, mas devem alcançar a sociedade como um todo”, destacou. 

Idosos também são vulneráveis

A convidada mencionou que a população de 60 ou mais anos de idade também é vulnerável à desinformação, e acaba acreditando nesse tipo de conteúdo, pois as mensagems chegam por meio de ciclos de confiança. 

“Além da escola, precisamos falar sobre desinformação com outros públicos. Recentemente, eu estava em uma conversa com estudantes de jornalismo em um painel sobre como o jornalista pode ajudar no combate à desinformação”, apontou. 

A palestrante ressaltou que o jornalismo é o principal antídoto, vacina e remédio contra a desinformação. 

“Precisamos do jornalismo profissional, feito com critério, método, ética, responsabilidade e autoria. Essa é a base para o combate pois, no momento em que a situação se agrava, por mais que a população siga influenciadores que critiquem a imprensa, ela recorrerá aos veículos de comunicação para buscar informação de qualidade”, declarou. 

*Estagiário sob supervisão de Victor Correia

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