
A desinformação e os discursos de ódio direcionados ao sexo feminino foram discutidos estiveram durante o CB Debate “O impacto da desinformação: da saúde à democracia”. Segundo a chefe da comunicação do Ministério das Mulheres e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Janara Souza, mulheres e meninas estão entre as principais vítimas da desinformação no ambiente digital.
O evento, uma realização do Correio Braziliense com promoção da CB Brands, reúne autoridades, pesquisadores e especialistas para discutir como conteúdos falsos ou manipulados têm afetado áreas como saúde pública, ciência, política e democracia.
Ao abordar o tema sob uma perspectiva de gênero, Janara afirmou que parte dos ataques contra mulheres é sustentada por narrativas construídas a partir de informações falsas repetidas de forma contínua nas redes sociais. Segundo ela, grupos machistas criam conteúdos que tentam estabelecer padrões sobre o comportamento feminino e reforçam discursos misóginos.
“Existe uma narrativa permanente dizendo o que a mulher deve fazer, como deve agir e onde pode estar. Isso é sustentado por distorções da ciência, leituras seletivas da religião e informações falsas repetidas à exaustão”, declarou. Para a pesquisadora, esse processo cria um ambiente que naturaliza agressões e violência contra mulheres dentro e fora da internet.
Ela destacou, ainda, que a desinformação deixou de ser apenas espontânea e passou a integrar uma estrutura organizada de produção de conteúdo. Segundo a especialista, há monetização de discursos de ódio em plataformas digitais, com transmissões ao vivo, venda de cursos e arrecadação financeira em redes sociais. “Existe uma indústria que transforma desinformação em lucro”, afirmou.
Janara citou ainda o conceito dos “engenheiros do caos” para explicar como grupos articulados utilizam conteúdos enganosos para ampliar alcance, audiência e influência política.
Eleições
Outro ponto levantado durante o debate foi o impacto da inteligência artificial na disseminação de conteúdos falsos, especialmente contra mulheres em períodos eleitorais. Janara alertou para o uso de aplicativos capazes de produzir imagens íntimas falsas, conhecidos como “nudify”, além de vídeos manipulados que podem comprometer reputações e carreiras.
De acordo com ela, esse tipo de ataque gera medo e desestimula a participação feminina na política. “As mulheres deixam de ocupar espaços públicos porque sabem que podem ser alvo de campanhas de difamação e violência digital”, disse. Ela acrescentou que a discussão sobre fake news não pode se limitar às disputas eleitorais masculinas, já que mulheres também sofrem impactos diretos dessas práticas. "Desinformação contra mulheres corrói a democracia."
*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

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