RIO DE JANEIRO

"Mãe pode matar e sair livre?", questiona pai de Henry após sentença

Em entrevista à CNN, Leniel Borel critica perdão judicial concedido à mãe do menino, afirma que houve parcialidade no julgamento e diz que irá recorrer

Leniel Borel -  (crédito: Reprodução/CNN)
Leniel Borel - (crédito: Reprodução/CNN)

Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (4/6), Leniel Borel, pai de Henry Borel, classificou como uma “grande aberração jurídica” o desfecho do julgamento sobre a morte do filho e afirmou ter deixado o tribunal “revoltado” com a decisão que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros. Leniel criticou duramente o resultado do júri, apontou suposta parcialidade da magistrada e disse que a defesa irá recorrer da sentença.

A principal indignação de Leniel está na diferença entre as decisões aplicadas aos réus. Enquanto Jairo Souza Santos Júnior foi condenado a 43 anos de prisão, Monique Medeiros, mãe de Henry, deixou o tribunal em liberdade após ser condenada por homicídio culposo com perdão judicial.

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“Saio de lá há pouco revoltado, como pai, como cidadão, como ser humano, como pai que luta há cinco anos por justiça pelo filho”, afirmou. “Ver o Jairo com 43 anos de condenação e ver a mãe, a genitora que deveria proteger, amar e cuidar, que estava no mesmo apartamento onde entraram dois adultos e uma criança e saíram dois adultos e uma criança morta.”

Leniel também declarou que Monique foi, no mínimo, omissa diante da morte do filho. Para ele, a decisão passa uma mensagem perigosa à sociedade. “Como que vai falar para cada brasileiro, para cada pai, que se o filho for agredido ou violentado, o algoz pode sair pela porta da frente?”

Durante a entrevista, o pai de Henry afirmou que a luta por justiça ultrapassou o caso do filho e passou a representar outras crianças vítimas de violência. “O Henry, que era meu filho, virou filho de todo brasileiro que luta por justiça conosco”, declarou. “Já não é mais somente sobre o Henry, mas sobre cada criança brasileira que sofre violência.”

Críticas ao julgamento

Leniel ainda criticou o foco adotado durante o julgamento. Segundo ele, a vítima acabou ficando em segundo plano ao longo dos 11 dias de júri. “Passei 11 dias e ninguém falou sobre Henry. Não foi um júri com foco na criança assassinada. Foi um júri com foco em Monique e Jairo”, afirmou.

O pai do menino também questionou a condução da magistrada durante a votação dos jurados. Segundo Leniel, o conselho de sentença já havia decidido condenar Monique e Jairo pela mesma pena, inclusive por homicídio doloso, mas houve uma nova quesitação conduzida pela juíza.

“Vimos uma parcialidade. Os jurados já tinham condenado Jairo e Monique na mesma pena, inclusive no homicídio doloso, e a juíza conduziu para uma nova quesitação, falando que os jurados não tinham entendido”, disse. Para ele, a condução teria ocorrido de forma “direcionada”.

Leniel também afirmou que houve uma tendência favorável à Monique durante todo o processo. “Parcialidade sobre Monique sempre foi muito clara”, declarou. Segundo ele, pessoas ligadas ao tribunal chegaram a relatar que existia uma “imparcialidade para cima de Monique”.

Outro ponto criticado por Leniel foi o debate sobre misoginia durante o julgamento. Ele questionou o fato de a discussão ter sido usada no contexto do veredito. “Quer dizer que meu filho morreu pela misoginia?”, disse. “Jairo pegou 43 anos porque é homem?”

Na avaliação do pai de Henry, a responsabilidade de Monique pela proteção do filho deveria ter pesado no resultado. “Ela era, no mínimo, a responsável pela vida do filho. E ela não fez isso”, afirmou.

Pai irá recorrer da decisão 

Leniel confirmou que irá recorrer da decisão envolvendo Monique Medeiros. O pai de Henry questionou o perdão judicial concedido no caso. “Ela foi condenada no homicídio culposo e levar perdão judicial em crime contra a vida. Vocês acham que pode ter perdão judicial?”, perguntou.

Cinco anos após a morte de Henry, Leniel disse ainda acreditar que a Justiça não esclareceu completamente o que ocorreu dentro do apartamento no dia do crime. Segundo ele, apesar do aprofundamento das investigações policiais e das audiências realizadas ao longo do processo, o resultado do julgamento não refletiu a gravidade do caso.

Relembre o crime

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos de idade. No dia anterior, ele havia sido levado pelo pai até o apartamento onde o menino morava com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, o deixando sob responsabilidade de Monique.

Segundo as investigações, horas depois, na madrugada do dia 8, a criança foi levada desacordada ao hospital, onde a equipe médica constatou que o menino já chegou sem vida.

Inicialmente, Monique e Jairinho alegaram que Henry teria sofrido um acidente doméstico, caindo da cama enquanto dormia. No entanto, o laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal (IML) descartou qualquer hipótese de acidente doméstico ao identificar 23 lesões espalhadas pelo corpo da criança. A causa da morte foi apontada como hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente.

Luiz Carlos Leal Prestes, perito responsável por examinar o corpo do menino, declarou ao Tribunal do Júri que houve um homicídio por espancamento.

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postado em 04/06/2026 15:58
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