
A advogada Florence Rosa anunciou nesta quinta-feira (11/6) que deixou a defesa de Monique Medeiros, condenada pela morte do filho, Henry Borel. Em nota publicada no Instagram, ela afirmou que sua contratação “limitava-se exclusivamente a atuação na sessão plenária do Tribunal do Júri”, mas que havia a disposição para seguir acompanhando o caso na fase de recursos.
No entanto, segundo a advogada, a decisão de se desligar da defesa ocorreu após a entrada de um novo advogado na equipe. Florence afirmou que havia uma divergência de estratégias para a condução do processo e que, por isso, as partes decidiram encerrar a atuação em comum acordo.
“Diante de uma legítima incompatibilidade de estratégias defensivas, decidimos, em comum acordo, encerrarmos a nossa atuação no caso”.
“A divergência quanto à condução técnica é circunstância natural do exercício da advocacia, e a coerência estratégica é pressuposto da plenitude de defesa. Registramos nosso respeito à cliente e os votos de que sua defesa prossiga com todo o zelo”, escreveu.
A mudança se dá em um momento importante do caso. Embora tenha sido condenada a quatro anos de prisão por tortura por omissão, Monique recebeu da juíza responsável pelo julgamento o benefício do perdão judicial, o que afastou o cumprimento da pena. A magistrada entendeu que a perda do filho e as consequências sofridas pela ré já representavam uma punição suficiente.
A decisão, no entanto, está sendo contestada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, que recorreu e pede que a condenação seja mantida sem a aplicação do perdão judicial. O recurso ainda será analisado pela Justiça.
Já Jairo Souza Santos Júnior, o padrasto de Henry, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão por assassinato e tortura. O julgamento realizado em maio deste ano, foi o mais longo da história do Judiciário do Rio de Janeiro, chegando a 11 dias de duração.
Henry Borel morreu no dia 8 de março de 2021, quando tinha 4 anos. A investigação da polícia concluiu que o menino morreu por causa das agressões de Jairinho e pela omissão de Monique. Um mês após a morte da criança, Jairinho e Monique foram presos, acusados de tortura e homicídio.

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