Meio ambiente

Desmatamento na Amazônia registra maior queda percentual já observada para maio

Dados do Inpe apontam redução de 61,4% na supressão da vegetação na Amazônia Legal e indicam tendência de diminuição também no Cerrado; governo reforça meta de eliminar o desmatamento até 2030

A área desmatada na Amazônia chegou a 2.189 quilômetros quadrados, volume 37,5% inferior ao registrado no último levantamento -  (crédito:  MAURO PIMENTEL / AFP)
A área desmatada na Amazônia chegou a 2.189 quilômetros quadrados, volume 37,5% inferior ao registrado no último levantamento - (crédito: MAURO PIMENTEL / AFP)

Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal apresentaram queda de 61,4% em maio de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A área atingida pela retirada de cobertura vegetal passou de 960 quilômetros quadrados em maio de 2025 para 370 quilômetros quadrados no mês passado, configurando a maior redução percentual já registrada para o período.

Os números foram divulgados nesta quinta-feira (11/6), durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Observatório Regional Amazônico da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília.

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As informações produzidas pelo Deter são utilizadas para orientar operações de fiscalização conduzidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que o resultado representa um marco, já que historicamente os índices costumam aumentar em maio, período que marca o início da estação seca na região. Segundo ele, o acompanhamento diário aliado aos embargos remotos, às ações em Unidades de Conservação (UCs) e à atuação em terras indígenas e assentamentos contribuíram para a redução observada.

No acumulado entre agosto de 2025 e maio de 2026, a área desmatada na Amazônia chegou a 2.189 quilômetros quadrados, volume 37,5% inferior ao registrado entre agosto de 2024 e maio de 2025. De acordo com Capobianco, trata-se do menor índice já verificado para esse intervalo e a expectativa é de que a taxa anual consolidada pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), cujo ciclo se encerra em 31 de julho, apresente o menor resultado da série histórica.

“Isso mostra que o controle de desmatamento na Amazônia está funcionando”, afirmou o secretário, ao mencionar medidas ambientais anunciadas pelo presidente Lula durante as ações do Dia Mundial do Meio Ambiente.

Entre os alertas identificados pelo Deter, 37,1% ocorreram em áreas regularizadas, onde o Código Florestal permite a utilização de até 20% da propriedade privada na Amazônia Legal. Outros 21,3% foram registrados em florestas públicas ainda sem destinação definida, enquanto 17,4% atingiram territórios sem cadastro fundiário, caracterizando ocorrências ilegais. Os dados reforçam o desafio relacionado à ocupação irregular e ao controle de áreas públicas, apontados por especialistas como fatores decisivos para a redução permanente da devastação.

Cerrado

O Inpe também apresentou os números referentes ao Cerrado, que indicam uma tendência de diminuição da perda de vegetação. Em maio de 2026, a retração foi de 12,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Considerando o período entre agosto de 2025 e maio deste ano, a queda chegou a 8,2%, totalizando 4.208 quilômetros quadrados afetados.

Nesse bioma, 73,4% das ocorrências aconteceram em propriedades privadas regularizadas. Pela legislação vigente, até 65% da área pode ser utilizada mediante autorização, o que faz com que parte significativa dessas intervenções seja considerada legal.

Os resultados divulgados hoje pelo governo brasileiro surgem em meio às críticas feitas pelos Estados Unidos em relação ao combate ao desmatamento. No início deste mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, alegando falhas na aplicação das normas ambientais. João Paulo Capobianco rebateu as acusações e afirmou que os estudos científicos demonstram avanços no controle ambiental.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também contestou a avaliação norte-americana e reiterou o compromisso do país de alcançar o desmatamento zero até 2030. “Isso é uma decisão do nosso governo, por uma questão de justiça e de participação do Brasil para ajudar o planeta Terra”, declarou.

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

 

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postado em 11/06/2026 15:33 / atualizado em 11/06/2026 15:40
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