
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta sexta-feira (26/6) que a semaglutida, princípio ativo usado nas canetas emagrecedoras, começou a ser usada em pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), no Rio Grande do Sul.
Durante cerimônia, um paciente recebeu a primeira aplicação do medicamento, marcando o início da oferta dessa terapia em um hospital federal. A iniciativa integra um projeto-piloto que avaliará a efetividade, o impacto clínico e o custo do uso de medicamentos à base de GLP-1 no tratamento da obesidade no SUS.
De acordo com o ministro, o Brasil está sendo pioneiro na utilização deste medicamento no sistema público de saúde.
“Estamos estimulando estudos nessa tecnologia para que o país se aprimore, cada vez mais, da sua produção e oferta de forma segura. Nesse primeiro momento, ela é muito importante para o diabetes e obesidade, mas pode se estender também a outras doenças crônicas e até mesmo para tratamento de cânceres”, disse.
No total, serão contemplados 250 pacientes do SUS já acompanhados pelo hospital com obesidade grave ou associada a outras comorbidades, como comprometimento cardíaco, além de indicação para cirurgia bariátrica.
Esse público reflete o perfil assistencial da unidade, na qual 91% dos pacientes com obesidade apresentam a forma mórbida da doença. Dentre esses, apenas 47% possuem condições clínicas para realização de cirurgia bariátrica. A comorbidade mais prevalente nesse grupo é a hipertensão arterial.
Ao longo do projeto, serão avaliados indicadores essenciais para compreender como o tratamento pode ser adaptado à realidade do SUS, como o percentual de perda de peso, a evolução da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, condições pós-operatórias e os custos dos processos. O estudo terá duração de dois anos.
A pesquisa será realizada com recursos transferidos ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), provenientes de aporte financeiro da produtora do fármaco.
Os medicamentos à base de semaglutida e liraglutida não estão incorporadas no sistema público de saúde. A eventual inclusão de qualquer tecnologia ao SUS segue os critérios técnicos, científicos e orçamentários estabelecidos pelos órgãos regulatórios.
Cuidado para obesidade no SUS
No ano passado, o SUS realizou 9,7 milhões de atendimentos relacionados à obesidade, um crescimento de 57% em relação a 2022.
O Ministério da Saúde investe em ações preventivas, como a estratégia Viva Mais Brasil, com aportes de R$ 340 milhões em políticas de promoção da atividade física, com destaque para a retomada da Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões neste ano. Atualmente, o Brasil conta com 1.775 Academias da Saúde, e a expectativa é credenciar mais 300 novos serviços até o final do ano.
*Estagiário sob supervisão de Victor Correia

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