A confirmação de três casos de sarampo em crianças menores de dois anos na Zona Norte da cidade de São Paulo levou o Ministério da Saúde a reforçar a campanha de imunização contra a doença na capital e em Guarulhos.
Os diagnósticos foram divulgados na sexta-feira (26/6), e acenderam o alerta das autoridades sanitárias diante do risco de transmissão.
A principal recomendação é a aplicação da chamada "dose zero" em bebês de seis meses a 11 meses e 29 dias, estratégia adotada para ampliar a proteção de uma faixa etária mais vulnerável às complicações provocadas pela infecção.
Segundo a pasta, a circulação intensa de pessoas entre os dois municípios também motivou o ajuste da orientação.
O Ministério da Saúde esclarece que a dose adicional não substitui as aplicações previstas no Calendário Nacional de Vacinação. O esquema regular permanece inalterado, com imunização disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas entre 12 meses e 59 anos.
Em nota, a pasta destacou que "a dose zero reforça a proteção das crianças mais suscetíveis ao sarampo e contribui para reduzir o risco de transmissão", principalmente em locais onde há confirmação de casos ou possibilidade de circulação do vírus.
Vigilância reforçada
Além da vacinação, equipes de saúde intensificaram as ações de vigilância epidemiológica nas áreas afetadas. Entre as medidas adotadas estão a busca ativa por pessoas com sintomas compatíveis com a doença, identificação e acompanhamento de contatos próximos, investigação da origem das infecções e bloqueio vacinal nas regiões consideradas de maior risco.
De acordo com o Ministério da Saúde, essas estratégias têm como objetivo interromper rapidamente a cadeia de transmissão e impedir o surgimento de novos casos.
As investigações apontam que as três infecções podem estar relacionadas ao contato com pessoas procedentes do exterior. Das crianças diagnosticadas, duas frequentam a mesma creche, e a terceira reside na mesma região da Zona Norte.
O histórico reforça a hipótese de transmissão localizada, embora a apuração continue em andamento. A pasta informou que todos os casos seguem sendo monitorados pelas autoridades de saúde.
Embora o Brasil tenha registrado 38 casos de sarampo ao longo do ano passado, o país mantém o certificado de livre da circulação endêmica da doença, uma vez que todas as ocorrências foram classificadas como importadas.
O cenário, entretanto, preocupa em razão do avanço da enfermidade em outros países das Américas. Neste ano, o México contabilizou 11.771 casos, os Estados Unidos registraram 2.104 infecções e o Canadá confirmou 1.073 ocorrências.
Diante desse aumento, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) retirou do continente americano, no ano passado, o status de região livre da transmissão endêmica do sarampo, reforçando a importância da vacinação para evitar a reintrodução do vírus.
*Estagiária sob supervisão de Victor Correia
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