Dieese

Pobreza diminui no Brasil, mas desigualdade social volta a crescer

Apesar de mostrar melhora em 71% dos indicadores sociais analisados, a quarta edição do Observatório Brasileiro das Desigualdades aponta aumento da concentração de renda e disparidades de raça, gênero e território

A redução da pobreza não elimina problemas históricos de distribuição de renda e acesso a direitos, observam especialistas -  (crédito: Ed Alves/CB/DA.Press)
A redução da pobreza não elimina problemas históricos de distribuição de renda e acesso a direitos, observam especialistas - (crédito: Ed Alves/CB/DA.Press)

O Brasil registrou avanços em áreas como emprego, renda, segurança alimentar, educação, saúde e meio ambiente, mas ainda convive com desigualdades estruturais que limitam a distribuição desses ganhos entre a população. É o que aponta a quarta edição do relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades, divulgada nesta quarta-feira (12/8), no Salão Nobre do Congresso Nacional.

Produzido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o levantamento atualiza 48 indicadores sociais, econômicos, ambientais e políticos referentes ao país. Os dados são organizados em oito áreas temáticas e consideram recortes de renda, raça/cor, gênero e território.

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Segundo o balanço, 71% dos indicadores apresentaram melhora em relação ao período anterior. Seis registraram piora e cinco permaneceram praticamente estáveis. Entre os resultados positivos estão a redução da taxa de desocupação, que chegou a 5,6%, o aumento do rendimento médio real e a queda da pobreza monetária.

O relatório também registra redução da insegurança alimentar moderada e grave, queda do analfabetismo e aumento da frequência de crianças em creches. Na área ambiental, houve diminuição das emissões de gases de efeito estufa e do desmatamento.

Piores resultados

Apesar dos resultados, os dados mostram que a melhora dos indicadores médios não foi suficiente para alterar de maneira significativa as desigualdades que atravessam a sociedade brasileira. A concentração de renda voltou a crescer, enquanto a diferença salarial entre homens e mulheres aumentou. O estudo também aponta que a tributação da renda permanece regressiva nas faixas mais altas.

A população negra continua em situação desfavorável na maior parte dos indicadores analisados. Norte e Nordeste, por sua vez, permanecem concentrando os piores resultados sociais em diferentes áreas.

Entre os indicadores que pioraram estão ainda o peso do aluguel sobre a renda das famílias, o número de pessoas vivendo em áreas de risco geológico e a participação da população negra no sistema prisional. Já a escolarização líquida no ensino fundamental, o acesso à internet e a progressividade da tributação da renda ficaram praticamente estáveis.

Políticas públicas

Durante o lançamento, o vice líder do governo na Câmara, deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ), destacou a importância dos dados para orientar a formulação de políticas públicas. Para ele, a redução de alguns indicadores não elimina problemas históricos de distribuição de renda e acesso a direitos.

“Porque é justamente o bom diagnóstico que melhor pode qualificar as políticas públicas para que a gente possa enfrentar esse drama das desigualdades em nosso país”, afirmou.

O parlamentar citou como avanços recentes a geração de empregos, o crescimento da renda e a redução da pobreza e da insegurança alimentar. Ao mesmo tempo, ressaltou que os resultados positivos não significam que o problema da desigualdade tenha sido superado.

“Tem notícias boas, tem desafios estruturais, tem problemas sistêmicos e caminhos que precisamos avançar para produzir justiça social, justiça racial, justiça de gênero e justiça ambiental”, disse.

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postado em 12/08/2026 11:39 / atualizado em 12/08/2026 11:40
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