Brasília 66 anos

Desigualdade social é principal desafio, diz professor da UnB

Thiago Trindade defendeu que o combate à desigualdade social deve estar no centro das políticas urbanas

Thiago Trindade, professor de ciência política da UnB -  (crédito: ED ALVES / CB / D.A Press)
Thiago Trindade, professor de ciência política da UnB - (crédito: ED ALVES / CB / D.A Press)

No segundo painel do evento “Brasília 66 anos: Uma cidade em constante transformação”, intitulado O futuro da capital: planejamento, inovação e qualidade de vida, o professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Observatório das Metrópoles em Brasília, Thiago Trindade, defendeu que o combate à desigualdade social deve estar no centro das políticas urbanas. Ele destacou a tarifa zero no transporte público como uma das medidas mais inovadoras para o país.

“Eu entendo que o nosso maior problema não está na corrupção, não está na burocracia, não está na ineficiência, na má gestão. Ele está na desigualdade social”, afirmou.

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Pesquisador da área de planejamento urbano há mais de 20 anos, Trindade destacou que a questão social impacta diretamente outros desafios das cidades, como a ocupação irregular do solo. “Enquanto nós não tivermos políticas públicas fortes o suficiente para combatermos a desigualdade social nesse país, as camadas trabalhadoras de baixa renda vão continuar ocupando o solo de forma ilegal ou irregular. Elas não fazem isso porque elas querem. Elas fazem isso justamente pela falta de opção”, destacou.

Ao abordar o tema do painel, o professor propôs uma reflexão sobre o conceito de inovação. “Não há nada mais inovador no Brasil do que fazer política pública para combater desigualdade social”, ressaltou.

Nesse contexto, ele destacou a política de tarifa zero no transporte público como exemplo de medida estruturante. “A tarifa zero, no fundo, é uma política de incentivo ao empreendedorismo popular”, afirmou, ao explicar que o impacto vai além da mobilidade urbana. “O impacto mais direto é no bolso das famílias", afirmou.

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Ainda segundo Trindade, dados de uma pesquisas indicam que moradores do Distrito Federal gastam, em média, cerca de R$ 260 por mês com transporte público, o que ultrapassa R$ 3 mil por ano. “Vocês imaginam essa renda liberada na economia do Distrito Federal?”, questionou.

O professor adiantou resultados preliminares de um estudo em andamento sobre os impactos econômicos da medida. “Mais de R$ 50 bilhões poderiam ser injetados na economia brasileira se fosse adotada uma política nacional de tarifa zero”, afirmou, destacando que o cálculo considera apenas as capitais e regiões metropolitanas, o que ampliaria ainda mais o potencial impacto.

Ele questionou ainda o modelo adotado em muitos casos, baseado em soluções tecnológicas caras e pouco inclusivas. “Será que existe coisa mais inteligente do ponto de vista do planejamento urbano do que permitir que todas as pessoas tenham liberdade de circulação, liberdade de locomoção?”, provocou. “Inovação não tem a ver só com incorporação de tecnologia. Inovação tem a ver com boas práticas de gestão”, completou.

Brasília 66 Anos

Gratuito e aberto ao público, o debate “Brasília 66 Anos: uma cidade em constante transformação” reúne autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir os rumos políticos, econômicos e sociais da capital. O encontro ocorre no auditório do Correio Braziliense, com transmissão ao vivo nos canais do jornal, e propõe uma reflexão sobre as mudanças que marcaram a cidade ao longo das últimas décadas. A iniciativa busca promover o diálogo e contribuir para o planejamento do futuro de Brasília.

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postado em 14/04/2026 13:49
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