
Quase 9 em cada 10 diagnósticos de câncer de pulmão no Sistema Único de Saúde (SUS) ocorrem em fases avançadas da doença. Um levantamento com base em dados do Ministério da Saúde revela que 87,9% dos casos registrados entre 2020 e 2026 com estágio conhecido eram dos tipos III ou IV.
Os dados, extraídos do Painel-Oncologia, foram analisados pelo Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT). Do total de 50.098 registros com estadiamento, 44.042 já estavam em fase avançada. A situação é mais crítica no estágio IV, quando o câncer se espalhou, correspondendo a 64,2% dos casos.
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Desafios após o diagnóstico
As dificuldades continuam após a identificação do tumor. Um em cada três pacientes, o equivalente a 34,2%, aguarda mais de 60 dias para iniciar o tratamento. A demora afeta inclusive os casos diagnosticados precocemente, nos quais a terapia poderia ser curativa. Mais da metade dos pacientes em estágio I (50,9%) e II (54,4%) também enfrenta espera superior a dois meses.
O diagnóstico tardio é uma realidade em todo o país, com variações regionais. No Centro-Oeste, o percentual de casos avançados chega a 92,4%, enquanto no Sul, o índice é de 84,9%. A alta proporção também se repete entre homens (88,8%) e mulheres (86,9%).
Acesso desigual a tratamentos
Estudos publicados pelo GBOT na revista "JCO Global Oncology" expõem uma grande diferença no acesso a exames e terapias entre o SUS e a saúde suplementar. Apenas 43,9% dos oncologistas do sistema público relatam acesso regular a testes moleculares como o ALK, contra 93,9% na rede privada.
Essa desigualdade impacta diretamente a sobrevida. Três anos após o diagnóstico, 87,2% dos pacientes com alteração no gene ALK na saúde suplementar estavam vivos, ante 61,4% no SUS. Segundo Vladmir Cordeiro de Lima, presidente do GBOT, a jornada do paciente envolve prevenção, diagnóstico ágil, exames e tratamento adequado.
Para Samira Mascarenhas, presidente eleita do grupo, o rastreamento com tomografia para pessoas de alto risco precisa estar inserido em uma linha de cuidado organizada. A medida deve garantir encaminhamento rápido para investigação e início da terapia, o que pode de fato reduzir a mortalidade pela doença.
O tratamento do câncer de pulmão pode envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias-alvo. O acesso a essas modalidades depende da realização de testes que identifiquem as características de cada tumor, reforçando a necessidade de uma abordagem completa desde a suspeita inicial.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
