A passagem de um tornado destruiu completamente a residência de um pecuarista em Pedro Osório, no sul do Rio Grande do Sul, na quinta-feira (6/8). O fenômeno, confirmado por órgãos meteorológicos, é o segundo registrado no estado em menos de duas semanas e deixou um rastro de destruição na região. Até a publicação desta reportagem, não havia registro de feridos.
O imóvel atingido pertence ao pecuarista e diretor de Agricultura da prefeitura de Pedro Osório, Leonardo Hepp Ferreira. Ele não estava na propriedade quando a tempestade atingiu a localidade de Vila Matarazzo e só retornou ao local após a melhora das condições climáticas.
Ao se deparar com os estragos, o morador descreveu o cenário em entrevista à TV Globo. "Cenário de guerra, desmanchou tudo. Não tem mais nada", afirmou.
Ferreira contou que havia saído para trabalhar durante a tarde e já estava na área urbana quando percebeu o avanço do temporal. Pouco depois, começou a receber mensagens informando que um tornado havia passado justamente pela região onde fica sua residência.
Antes mesmo de chegar ao local, ele viu vídeos gravados por motoristas que trafegavam pela estrada durante a tempestade, mostrando os danos provocados pela força dos ventos. A casa foi completamente destruída. "Era uma casa, agora não tem mais nada."
Segundo tornado em nove dias
A ocorrência foi confirmada pela Climatempo com base em informações da Defesa Civil do Rio Grande do Sul. O fenômeno foi provocado por uma supercélula, tipo de tempestade caracterizada por uma intensa corrente ascendente em rotação.
Segundo a Defesa Civil, "supercélulas comumente causam granizo de grande tamanho e rajadas de vento intensas, e em algumas ocasiões tornados".
Além de Pedro Osório, outros sete municípios gaúchos registraram danos provocados pelo mau tempo na quinta-feira.
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O estado já havia enfrentado outro episódio semelhante em 28 de julho, quando tornados atingiram os seguintes municípios:
- Giruá;
- Sete de Setembro;
- Senador Salgado Filho, na região Noroeste.
Na ocasião, a Defesa Civil confirmou quatro pessoas feridas.
Por que o Rio Grande do Sul registra tantos tornados?
O Rio Grande do Sul integra o chamado corredor de tornados da América do Sul, uma das áreas mais propícias do planeta para a formação desse tipo de fenômeno atmosférico, atrás apenas da região central dos Estados Unidos.
A combinação entre massas de ar quente e úmido vindas da Amazônia e o avanço de ar frio pelo sul do continente favorece o desenvolvimento de tempestades severas. Quando, além desse encontro, há mudanças na direção e na velocidade dos ventos em diferentes altitudes, a tempestade pode adquirir movimento rotacional e dar origem a um tornado.
De acordo com a Climatempo, "o tornado é uma corrente de ar ascendente gerada entre a base da supercélula e o solo, em forma de funil, com movimento giratório."
Nem sempre, porém, o funil alcança a superfície. Conforme a meteorologista, "Em muitos casos, o funil é visível apenas na base da nuvem e não chega ao solo."
Quando efetivamente toca a superfície, o tornado pode percorrer alguns quilômetros, produzindo uma faixa contínua de destruição ao longo da trajetória, com ventos que, nos casos mais intensos, ultrapassam 300 km/h.
