
A apreensão de celulares em investigações, como a que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e sua preocupação com mensagens sobre um encontro com a família Bolsonaro, levanta uma dúvida comum: como a Polícia Federal consegue ler conversas que já foram apagadas? A resposta está na tecnologia forense, que permite ir muito além do que o usuário comum vê na tela.
Quando você apaga uma mensagem ou arquivo, o sistema operacional do celular não elimina o dado imediatamente. Na prática, ele apenas marca aquele espaço de memória como "disponível" para ser usado no futuro. É como se o índice de um livro fosse alterado para indicar que uma página está em branco, mas o conteúdo original permanece lá até que algo novo seja escrito por cima.
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Para acessar essas informações "fantasmas", a PF utiliza softwares de perícia forense digital. Esses programas fazem uma varredura profunda na memória do aparelho, buscando por fragmentos de dados que ainda não foram sobrescritos. Com isso, é possível reconstruir conversas, fotos, vídeos e outros registros que o dono do dispositivo acreditava ter excluído para sempre.
E a criptografia do WhatsApp?
Muitos acreditam que a criptografia de ponta-a-ponta do WhatsApp impede qualquer acesso, mas isso não é verdade quando se tem o aparelho em mãos. A proteção atua durante o envio da mensagem pela internet, impedindo que ela seja interceptada no caminho. Uma vez que o celular é desbloqueado e os peritos têm acesso ao sistema, eles conseguem ler o que está armazenado no próprio dispositivo.
Com o aparelho desbloqueado, a perícia tem acesso ao banco de dados do aplicativo da mesma forma que o usuário. Mesmo que as mensagens tenham sido deletadas, os fragmentos podem ser localizados na memória interna do telefone.
Passo a passo da recuperação
O processo da perícia segue um protocolo rigoroso. O primeiro passo após a apreensão é isolar o dispositivo, geralmente em um invólucro conhecido como "gaiola de Faraday", para evitar que seja zerado remotamente ou receba novos dados que possam sobrescrever as informações antigas. Em seguida, é crucial obter o desbloqueio do aparelho para garantir acesso ao sistema.
Com o acesso liberado, é criada uma cópia exata de toda a memória do celular, um "clone" ou imagem forense. É nessa cópia que os softwares de perícia trabalham, para não alterar o aparelho original e preservar a prova. A tecnologia busca por tudo: mensagens, fotos, vídeos, registros de chamadas, localização e até dados de aplicativos.
O sucesso da recuperação depende de vários fatores. Se o usuário apagou a mensagem e logo em seguida usou muito o celular, baixando apps ou tirando fotos, a chance de os dados originais serem sobrescritos aumenta. Danos físicos ao aparelho também podem dificultar ou impedir o acesso aos dados armazenados, assim como certos tipos de conteúdo, como mensagens de visualização única, que nem sempre deixam vestígios recuperáveis.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.