O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta terça-feira (15/9), a lei de incentivo à construção de data centers no Brasil. Denominada Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Centers (Redata), a medida é de autoria do Planalto e foi aprovada pelas duas Casas do Congresso.
Elaborado pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Redata suspende, pelos próximos cinco anos, a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), do Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Imposto de Importação sobre equipamentos essenciais para a construção e o funcionamento dessas estruturas.
Poderão aderir ao regime empresas que atuam na armazenagem, no processamento e na gestão de dados e aplicações digitais, incluindo computação em nuvem, processamento de alto desempenho e modelos de inteligência artificial.
Entre as contrapartidas previstas no Redata estão a geração de energia renovável ou de baixa emissão de carbono e a destinação ao mercado interno de pelo menos 10% da capacidade de processamento, armazenagem e tratamento de dados.
Embora tenha sancionado a medida, o presidente Lula não discursou na cerimônia de assinatura, no Palácio do Planalto. Ele foi representado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que afirmou que o Redata abrirá oportunidades de investimento em energia renovável no Brasil. "A energia limpa é o que nós temos em abundância, energia limpa. O investimento é tudo o que o Brasil precisa, ainda mais quando são em sustentabilidade", afirmou.
Antes do discurso de Alckmin, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse que o Redata terá potencial para atrair cadeias produtivas em variadas áreas da economia. "Nós vamos atrair investimentos, não apenas para a infraestrutura, mas também para o processamento, para a gestão de dados e para todos os serviços associados ao desenvolvimento de inteligência artificial", ressaltou, ao citar uma bandeira do presidente Lula em prol da soberania de dados.
Gás natural
Embora o projeto inicial do Redata previsse incentivos fiscais para data centers movidos a energia limpa e renovável, o texto aprovado pelo Senado incluiu o gás natural, combustível fóssil e finito, entre as fontes contempladas pelo regime especial.
Presente na cerimônia de sanção, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que a questão ainda está em discussão no governo. "Estamos trabalhando para fechar uma posição de governo", disse a jornalistas no Palácio do Planalto.
- Leia também: Redata abre brecha para gás natural; entenda
O assessor especial do Ministério da Fazenda, Rafael Dubeux, explicou a jornalistas que a substituição das expressões "energias renováveis e limpas" por "energia de baixo carbono" pelo Senado abriu margem para incluir data centers movidos a gás natural no regime especial de tributação. "Há um debate em curso hoje dentro do governo para amadurecer qual o alcance da expressão baixo carbono, que subsídios técnicos a gente tem para definir exatamente qual o alcance dessa expressão", destacou.
Mercado x meio ambiente
Setores ligados ao mercado de telecomunicações também comentaram a sanção do Redata. O Instituto Brasileiro de Telecomunicações e Soluções Digitais (IBTD) celebrou o regime especial para a implantação de data centers, mas destacou a necessidade de regulamentação rápida, além de avanços em energia, transmissão, infraestrutura de backbones, conectividade internacional, licenciamento e segurança regulatória.
"O Redata corrige uma desvantagem importante do Brasil na tributação dos equipamentos e melhora as condições para disputar novos investimentos", reforçou André Martins, presidente do IBTD.
Apesar de governo e mercado apontarem para o aumento da atratividade e da demanda por infraestrutura digital com o Redata, entidades ligadas à transição energética e ao meio ambiente alertam para possíveis impactos territoriais da construção de data centers.
Representante do Instituto E Transição Energética, Clauber Leite pondera que é necessário avaliar os locais de instalação e abastecimento dos data centers. "Esses empreendimentos podem representar cargas de centenas de megawatts, com consumo praticamente contínuo, além de demandarem água para refrigeração e infraestrutura física. Por isso, os impactos precisam ser avaliados não apenas empreendimento por empreendimento, mas também de forma cumulativa e territorial, especialmente quando vários projetos se concentram em uma mesma região", considerou.
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