
Aos 71 anos, a empresária Margareth Catelli descobriu um nódulo durante o banho e enfrentou quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Hoje, em acompanhamento médico, ela reforça a importância de observar mudanças no corpo e procurar atendimento
A descoberta de um nódulo durante o banho mudou a rotina da empresária Margareth Catelli, de 71 anos. Ao passar a mão pelo seio enquanto se secava, ela percebeu um caroço que considerou fora do normal. Preocupada, procurou um mastologista, que solicitou uma série de exames. O diagnóstico confirmou o câncer de mama e deu início a um tratamento que incluiu quimioterapia, cirurgia, radioterapia e bloqueio hormonal. “Eu senti um caroço enorme. Aí eu falei: ‘Caramba, isso aqui não está certo’. Fiquei preocupada e marquei uma consulta com o mastologista para dar uma olhada”, conta.
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A experiência de Margareth chama a atenção para a importância de identificar alterações nas mamas e buscar avaliação profissional. Realizada anualmente, a campanha Outubro Rosa busca ampliar a conscientização sobre o câncer de mama, incentivar o diagnóstico precoce e divulgar informações sobre prevenção, rastreamento e tratamento. A doença ocorre quando células da mama passam a se multiplicar de forma desordenada e podem formar tumores. A identificação em fases iniciais amplia as possibilidades de tratamento e pode reduzir a necessidade de procedimentos mais agressivos. Embora seja mais frequente entre mulheres, o câncer de mama também pode atingir homens.
Após a primeira consulta, Margareth passou por exames de imagem e outros procedimentos para investigar o nódulo. Encaminhada a um oncologista clínico, realizou uma biópsia, exame que permite analisar uma amostra de tecido e confirmar a presença de células cancerígenas. Com o diagnóstico, começou a quimioterapia, etapa que descreve como uma das mais difíceis de todo o processo. “Eu fiz quimioterapia vermelha e quimioterapia branca. Acho que foi a pior fase, porque eu passava muito mal. Era toda semana, tinha que ir toda semana”, relata.
Durante o tratamento, ela enfrentou complicações que exigiram internação em uma unidade de terapia intensiva (UTI). Após apresentar febre alta, vômitos e diarreia, permaneceu três semanas na unidade, passou um período em isolamento e, posteriormente, foi transferida para um quarto. Também teve problemas nos rins associados ao tratamento medicamentoso e precisou receber cuidados hospitalares antes de seguir para a cirurgia. A situação tornou o percurso mais difícil e prolongou o período de recuperação antes da próxima etapa do tratamento.
Depois de receber alta, Margareth pôde dar continuidade ao tratamento. A cirurgia retirou o tumor, mas, segundo ela, ainda havia células cancerígenas, o que tornou necessárias outras intervenções. Na sequência, foram realizadas 15 sessões de radioterapia. Como o câncer era sensível à ação dos hormônios, ela também começou o bloqueio hormonal, tratamento que continua até hoje. A terapia exige acompanhamento médico e exames periódicos para avaliar a resposta ao tratamento e identificar possíveis alterações.
“É um tratamento difícil, dolorido e cansativo”, resume. Margareth conta que o bloqueio hormonal trouxe consequências para a saúde, incluindo problemas ósseos e dificuldades de mobilidade. Ela também precisou ajustar a medicação para a tireoide e passou a fazer acompanhamento para evitar o agravamento de outras condições. Mesmo com as limitações, mantém a rotina de consultas e exames. “A minha sorte foi que, assim que descobri aquele caroço, fui ao médico. É importante estar sempre olhando. A mulher tem que estar sempre apalpando, vendo qualquer sintoma diferente e procurar o médico”, afirma.
A empresária relata que realizava check-ups anuais e não havia identificado alterações nos exames anteriores. O câncer apareceu durante a pandemia de covid-19 e, conforme sua lembrança, evoluiu rapidamente entre uma avaliação e outra. O caso reforça que manter os exames de rotina é importante, mas não substitui a investigação de um sintoma novo. A presença de um nódulo, mesmo sem dor, exige avaliação profissional, independentemente de a pessoa ter realizado exames recentemente.
O diagnóstico precoce é um dos fatores importantes para o tratamento do câncer de mama. A mamografia permite identificar alterações que ainda não podem ser percebidas pelo toque, enquanto a avaliação clínica investiga sinais suspeitos. O exame, entretanto, não substitui a consulta médica quando há sintomas. As possibilidades de tratamento dependem de fatores como as características do tumor, o estágio da doença e as condições clínicas da paciente. Quanto mais cedo o câncer é identificado e tratado, maiores podem ser as chances de sucesso terapêutico.
No Sistema Único de Saúde (SUS), a recomendação nacional para o rastreamento populacional por mamografia contempla mulheres de 50 a 74 anos, com realização do exame a cada dois anos. A orientação se refere a pessoas sem sintomas. Quem apresenta alterações suspeitas deve procurar atendimento para investigação diagnóstica, sem esperar pela idade indicada para o rastreamento.
Na saúde suplementar, a cobertura também merece atenção. Desde 1º de outubro de 2026, a mamografia digital tem cobertura obrigatória pelos planos de saúde sem restrição de idade ou gênero, desde que haja indicação médica, conforme as regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Para quem depende do SUS, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde (UBS), onde a equipe pode avaliar sintomas, orientar sobre os exames e encaminhar a paciente para atendimento especializado.
Para Margareth, o cuidado não termina com a cirurgia ou com o fim de uma etapa do tratamento. Ela ainda precisa fazer exames de sangue, mamografias e avaliações para acompanhar a evolução do quadro. Embora relate dificuldades para caminhar e realizar alguns movimentos, diz que está bem e mantém o acompanhamento médico. “Eu estou bem, apesar da dificuldade de mobilidade. O resto está tudo bem, graças a Deus”, rafirma.
A história da empresária mostra que o enfrentamento do câncer de mama pode envolver diferentes procedimentos e um acompanhamento prolongado. Também reforça a importância de prestar atenção ao próprio corpo e procurar atendimento diante de qualquer alteração. A campanha Outubro Rosa amplia esse alerta, mas os cuidados devem permanecer durante todo o ano.
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