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Pesquisador alerta para riscos de retrocesso ambiental

Em entrevista ao CB Poder Especial de Eleições, pesquisador critica declarações provocativas que ganham espaço nas redes sociais, enquanto questões estruturais, como a crise climática e a proteção da biodiversidade, exigem responsabilidade política e planejamento de longo prazo

Brandão chamou atenção para os perigos de discursos negacionistas -  (crédito: Pedro Paulo Cardoso da Silva/CB/D.A Press)
Brandão chamou atenção para os perigos de discursos negacionistas - (crédito: Pedro Paulo Cardoso da Silva/CB/D.A Press)

A polarização política e a desvalorização da ciência podem comprometer a proteção ambiental e enfraquecer instituições responsáveis pela fiscalização e conservação da biodiversidade brasileira. O alerta é do professor de engenharia florestal da Universidade de Brasília (UnB) Reuber Brandão, membro da Rede Biota Cerrado, que defende que o meio ambiente ocupe posição central no debate eleitoral e na definição dos rumos do país.

Em entrevista ao CB Poder Especial de Eleições, o pesquisador criticou declarações provocativas que ganham espaço nas redes sociais, enquanto questões estruturais, como a crise climática e a proteção da biodiversidade, exigem responsabilidade política e planejamento de longo prazo. "A gente não vai conseguir conversar de maneira madura, de maneira responsável, de maneira séria, com esse nível de polarização infantil", declarou.

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Brandão questionou discursos que desqualificam a ciência e põem em dúvida a atuação de órgãos ambientais. Para ele, essa visão compromete a valorização da biodiversidade e o desenvolvimento de alternativas econômicas sustentáveis. "Quando a gente pensa em tirar isso atendendo a apenas uma interpretação de entendimento de sociedade, a gente está empobrecendo a sociedade como um todo", disse.

Ao prometer nesta semana "a maior regularização fundiária que o Pará já viu" e o fim dos "entraves ambientais por razões ideológicas", Flávio Bolsonaro (PL) reacendeu o debate sobre a ocupação da terra. Brandão reconheceu que a segurança jurídica fundiária é um problema histórico no Brasil, mas defendeu que a regularização seja acompanhada de planejamento territorial e proteção de áreas ambientalmente sensíveis.

"O grande problema não é você pensar em questão de regularização fundiária, de dar segurança fundiária ao produtor, de dar segurança fundiária a quem está ocupando o território. O grande problema é você reduzir a questão de conservação a um viés meramente ideológico", afirmou.

Segundo o pesquisador, é possível conciliar produção agropecuária, proteção de territórios indígenas e conservação ambiental, desde que as decisões considerem as características de cada região. Ele alertou ainda que o descumprimento de compromissos ambientais pode gerar consequências econômicas, inclusive com restrições ao acesso de produtos brasileiros a mercados internacionais.

Instituições fortes

Ao avaliar a política ambiental brasileira, Brandão relacionou os resultados do combate ao desmatamento à capacidade de atuação do poder público. Ele citou a redução observada nos últimos anos na Amazônia e no Cerrado como um indicativo da importância de manter estruturas de fiscalização, monitoramento e proteção ambiental. "Isso significa não só uma preocupação com a questão ambiental, significa também fortalecimento de instituições", enfatizou.

O pesquisador alertou para os riscos de enfraquecimento de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Ele também defendeu a integração de dados governamentais e não governamentais e a manutenção de equipes qualificadas e estruturas adequadas para a fiscalização e a conservação ambiental.

Cerrado sob pressão

No Distrito Federal, a expansão urbana e a pressão imobiliária desafiam a conservação. Brandão alertou que a ocupação desordenada pode comprometer a infiltração da água no solo e ameaçar nascentes. "Todas as nascentes que dependem da infiltração do solo podem secar."

O Cerrado, segundo o pesquisador, já perdeu mais da metade da cobertura original. Para ele, os eleitores devem observar como os candidatos tratam a ciência e as mudanças climáticas. Brandão alertou para o risco de decisões políticas que desconsiderem a gravidade dos problemas ambientais.

 


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postado em 22/10/2026 03:48
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