O influenciador e empresário Lito Sousa morreu, ontem, aos 59 anos, depois de uma batalha contra a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma doença neurodegenerativa rara. Ele estava em casa, na região de Guarulhos (SP), sob cuidados paliativos e com assistência de homecare. Ele deixa a mulher, Mila Seidl, e um filho de sete anos.
A notícia da morte de Lito foi divulgada em um breve post no Instagram: "Um grande abraço e até o próximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo. Sempre". O velório será hoje e parte dele será aberto ao público — o trecho final será reservado à família e amigos próximos.
Após o anúncio sobre a morte, seguidores deixaram homenagens nos comentários relatando como o especialista em aviação e criador do canal Aviões e Músicas ajudou a perderem o medo de voar. Uma delas é da atriz e humorista Tatá Werneck, que relatou uma história pessoal. Contou que conseguiu viajar de avião com a filha pequena após assistir a um curso do influenciador para superar o medo.
"Lito, querido, consegui entrar num avião com minha filha depois de anos, graças a Deus e à conversa com você. Que você fique bem, em nome de Jesus", contou Tatá. O medo de voar é um dos temas que o influenciador aborda em seus conteúdos, além das questões técnicas e episódios relacionados à aviação.
Por conta disso, Lito lançou um livro sobre o assunto, Medo de Avião Nunca Mais, junto com um curso livre para ajudar as pessoas a superarem o medo de voar. Além do canal no YouTube e da atuação nas redes sociais, ele tinha formação de mecânica de manutenção de aeronaves.
Quem também se manifestou foi o ministro Guilherme Boulos (Secretaria da Presidência), em publicação no X. "Recebi com muita tristeza a notícia da partida de Lito Sousa. Lito transformou sua paixão pela aviação em conhecimento compartilhado com milhões de brasileiros, sempre com simplicidade, bom humor e generosidade", publicou.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a jornalista e apresentadora Fátima Bernardes, a cantora Simária e o Palmeiras — clube pelo qual o infuenciador torcia —, entre outros, lamentaram a morte de Lito e se solidarizaram com a família.
Entre 2015 e 2021, atuou paralelamente na aviação e nas redes. Em 2021, no entanto, decidiu dedicar-se somente ao audiovisual quando viu que seu número de seguidores superava o total da página da companhia onde trabalhava.
Diagnóstico
Lito soube que tinha a doença de Creutzfeldt-Jakob logo depois de ter sido diagnosticado com câncer de próstata, há cerca de quatro meses, descoberto em um acompanhamento médico de rotina. Mas, após exames complementares de ressonância magnética e biópsia, foi confirmada a presença de um carcinoma classificado como de risco intermediário-baixo. Ele optou pela prostatectomia, cirurgia para remoção total da próstata.
Enquanto organizava o tratamento para o câncer, começou a apresentar sintomas neurológicos atípicos. Ele contou que percebeu a perda progressiva de controle motor no braço e na mão esquerdos enquanto digitava roteiros para o canal, evoluindo para dormência e falta de coordenação. Veio então a constatação de que sofria de Creutzfeldt-Jakob — trazida a público por Mila, em 21 de agosto.
A evolução da doença ocorreu de forma atípica: em vez de iniciar pelo declínio cognitivo e pela demência, como na maioria dos casos, manifestou-se primeiro no sistema motor. Sem cura conhecida, a equipe médica optou pelo suporte paliativo. Em relato nas redes sociais, Mila disse que o marido perdeu bastante das habilidades nas últimas semanas, mas continuava com a consciência íntegra. Tanto que pediu indicações de estudos sobre a doença.
- Leia também: Morre Lito Sousa: o que é a doença de Creutzfeldt-Jakob, diagnosticada no influenciador
A condição de Creutzfeldt-Jakob é causada por proteínas chamadas príons, agentes infecciosos menores que os vírus. Eles são formados apenas por proteínas altamente estáveis e resistentes a diversos processos físico-químicos.
Não há tratamento, mas uma abordagem médica voltada para cuidados paliativos e no alívio de sintomas. A enfermidade pode provocar um quadro clínico inicial de demência, desordem cerebral com perda de memória e tremores.
No início de setembro, a família obteve autorização para importar o medicamento experimental ALN-6457, desenvolvido em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein. O fármaco estava em estágio pré-clínico, sem testes prévios em humanos, o que fez de Lito o primeiro paciente a recebê-lo. Mas a medicação não trouxe a resposta esperada (Com Agência Estado).
