O desmatamento na Amazônia e no Cerrado atingiu as menores taxas das séries históricas dos dois biomas, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados nesta sexta-feira (16/10) pelo governo federal.
Na Amazônia, a área desmatada caiu 41,8%, passando de 5.731 quilômetros quadrados (km²), entre agosto de 2024 e julho de 2025, para 3.335 km² no período seguinte. No Cerrado, a redução foi de 23,8%, de 7.235,27 km² para 5.516,69 km². Os resultados indicam avanços no controle da supressão da vegetação nativa e reforçam a importância das políticas de proteção ambiental.
Na Amazônia, os estados com as maiores áreas desmatadas foram Pará, com 1.130 km²; Mato Grosso, com 849 km²; e Amazonas, com 525 km². Os três também registraram quedas expressivas em relação ao período anterior. No Cerrado, Maranhão, Tocantins e Piauí concentraram as maiores áreas desmatadas.
Com a Bahia, os quatro estados integram o Matopiba, região responsável por 74,3% do desmatamento registrado no Cerrado. Apesar da concentração das perdas nessa área, o levantamento aponta redução de 53,7% no Piauí e de 38% na Bahia, indicando diminuição da supressão da vegetação em importantes áreas de pressão ambiental.
O governo federal atribui os resultados às ações de fiscalização, ao monitoramento por satélite e às iniciativas de conservação e recuperação ambiental. Entre 2023 e 2026, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou 76.095 ações de fiscalização e aplicou R$ 11,8 bilhões em multas por infrações contra a flora.
No mesmo período, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) registrou 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais. Desde 2023, também foram criadas 18 unidades de conservação federais e ampliadas outras oito, totalizando aproximadamente 25 mil km². As medidas integram os planos federais de prevenção e controle do desmatamento na Amazônia Legal e no Cerrado, restabelecidos em 2023.
Além da fiscalização, programas de incentivo econômico buscam ampliar a participação de produtores rurais e comunidades na conservação da vegetação nativa. O Bolsa Verde, por exemplo, atende 86.635 famílias em 139 municípios e já transferiu R$ 420 milhões desde 2023.
O Fundo Amazônia reúne 160 projetos aprovados e R$ 7,8 bilhões comprometidos com iniciativas de proteção ambiental e desenvolvimento sustentável. Outra medida anunciada foi o investimento de R$ 147,6 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas), que utilizará inteligência artificial para ampliar o monitoramento do desmatamento, da degradação e das áreas queimadas.
A queda registrada nos dois biomas representa um avanço na proteção da vegetação nativa. A continuidade dos resultados, no entanto, depende da manutenção das políticas públicas, da fiscalização e dos incentivos à produção sustentável.
*Estagiária sob supervisão de Rafaela Gonçalves
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