Na maioria dos instrumentos de corda, a caixa de som é montada com várias peças de madeira coladas. Na baixada cuiabana, em Mato Grosso, o caminho é outro. Mestres artesãos pegam um tronco inteiro e o escavam por dentro, como se fosse um cocho de dar comida ao gado, até transformá-lo em uma viola. A viola de cocho acompanha as danças tradicionais de Cuiabá e seu modo de fazer foi reconhecido pelo Iphan como patrimônio cultural do Brasil há mais de duas décadas.
O que é a viola de cocho?
Um instrumento escavado em uma única peça de madeira. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a viola recebe esse nome porque a caixa de ressonância é escavada no tronco como um cocho, e depois o artesão fixa o tampo e as peças que caracterizam o instrumento, como cavalete, espelho, rastilho e cravelhas.
O instrumento é típico da região. Segundo o portal ipatrimônio, que reproduz informações do Iphan, a viola de cocho é fabricada com madeiras da flora regional, como sarã-de-leite, sarã-d’água, pau-de-abóbora e embiriçu, e está ligada às danças do cururu e do siriri, tradições da baixada cuiabana e do Pantanal.

Quando a viola de cocho virou patrimônio?
Em 2005. Segundo a página do bem cultural no Banco de Bens Culturais Registrados do Iphan, o modo de fazer a viola de cocho foi inscrito no Livro dos Saberes em 14 de janeiro de 2005, depois de o registro ser aprovado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural em dezembro de 2004. O título abrange Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
A fronteira cultural vai além da divisão dos estados. O Iphan registra que o pedido de registro sugeriu que a área fosse definida em termos ecológicos, como a baixada cuiabana e adjacências, porque a separação entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul não interrompeu a tradição. Para os cururueiros e mestres do siriri, a continuidade cultural seguiu reconhecida.

Como uma viola de cocho é feita?
O processo é artesanal e passa por várias etapas. Estes são os principais passos, segundo o Iphan.
Quem faz e quem toca a viola de cocho?
Os próprios cururueiros. Segundo o ipatrimônio, o artesão, em geral, é o mesmo tocador, chamado de cururueiro, e produz a viola tanto para uso próprio quanto para atender cururueiros e mestres da dança do siriri. Um parecer técnico do Iphan registra que as cordas eram tradicionalmente feitas de tripa de guariba, outra forma de chamar o bugio.
A tradição depende também da natureza. O Portal Amazônia registra que mudas de espécies como ximbuva e cumbaru foram plantadas na mata ciliar de um museu às margens do Rio Cuiabá, em um projeto de manejo com o Instituto Federal de Mato Grosso. A ideia é garantir madeira para que os mestres continuem fazendo violas no futuro.

Como é o clima de Cuiabá ao longo do ano?
O calor é constante, com estação seca bem marcada. Janeiro registra 257 mm de chuva em média, enquanto julho tem apenas 6 mm, e as máximas chegam a 33°C em setembro e outubro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma viola que nasce do tronco e da tradição
A viola de cocho mostra como um saber passado de mestre para aprendiz pode guardar a identidade de uma região. Escavada em um único tronco, com madeiras do cerrado e do Pantanal, ela acompanha o cururu e o siriri e foi reconhecida como patrimônio cultural do Brasil em 2005. Em Cuiabá, ouvir uma viola de cocho é ouvir a história da baixada cuiabana.
Você precisa assistir a uma roda de cururu ou de siriri em Cuiabá, ouvir o som de uma viola de cocho e ver um mestre trabalhando a madeira para entender por que esse instrumento virou patrimônio do Brasil.




