Formações rochosas que chegam a 100 metros de altura preservam vestígios de povos que viveram no cerrado milhares de anos antes da chegada dos europeus, incluindo pinturas rupestres e artefatos antigos. Nesse território fica Rondonópolis, no sudeste de Mato Grosso, uma cidade que se desenvolveu sobre uma história muito anterior à sua fundação e que hoje é a mais populosa do interior mato-grossense, com aproximadamente 263 mil habitantes, segundo o IBGE.
Como surgiu a cidade que começou com um posto telegráfico no cerrado?
A história de Rondonópolis começou com o Povoado do Rio Vermelho, formado a partir de 1902 por famílias que migraram de Goiás. Na época, o deslocamento até a região podia levar quatro meses a cavalo. Em 1915, aproximadamente setenta famílias já viviam às margens do rio, levando o governo estadual a destinar uma área de 2 mil hectares para a formalização do povoado.
Anos antes, entre 1907 e 1909, expedições comandadas pelo tenente Cândido Rondon atravessaram a região para implantar linhas telegráficas que conectariam Mato Grosso ao Amazonas. O posto telegráfico instalado às margens do rio Poguba foi inaugurado em 1922. O nome Rondonópolis, escolhido em homenagem ao marechal, já havia surgido em 1918, enquanto a emancipação política do município só ocorreu em 1953.

Uma selva de pedra que preserva 10 mil anos de ocupação humana
Localizada dentro do Parque Ecológico João Basso, a Cidade de Pedra reúne formações rochosas distribuídas por cerca de mil hectares. Ao longo de milhões de anos, a erosão esculpiu torres de arenito que se erguem em meio ao cerrado e criam uma paisagem semelhante a um conjunto de arranha-céus naturais.
Há mais de 30 anos, pesquisadores do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, em colaboração com o Museu de História Natural de Paris, investigam os vestígios encontrados na área. As pesquisas já identificaram mais de 25 mil artefatos, entre eles peças de cerâmica, pinturas rupestres e restos de fogueiras datados de até 10 mil anos. Nas proximidades, o sítio arqueológico Ferraz Egreja também apresenta evidências da presença humana, com registros de ocupação que remontam a pelo menos 5 mil anos, segundo dados do IBGE.

Como a força do agronegócio se combina com a qualidade de vida urbana?
Rondonópolis tem o segundo maior PIB de Mato Grosso e está entre as 100 maiores economias municipais do Brasil. Seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) chega a 0,755, patamar considerado alto e superior à média nacional, de 0,727. A cidade também abriga uma instituição federal de ensino superior, a Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), que oferece graduações em áreas como Medicina, Engenharia e Psicologia.
O avanço da população é outro destaque. Entre 2024 e 2025, o município registrou crescimento de 1,72%, índice alcançado por apenas 14 cidades brasileiras com população entre 100 mil e 500 mil habitantes. Essa expansão acompanha uma formação cultural marcada pela chegada de migrantes nordestinos, paulistas, mineiros, sulistas, japoneses e libaneses, cujas influências aparecem na culinária e nas celebrações locais.
Quais atrações conhecer em Rondonópolis além do agronegócio?
Entre as opções de lazer, Rondonópolis reúne áreas verdes, espaços culturais, formações rochosas e cachoeiras em meio ao cerrado. Algumas dessas atrações ficam a poucos minutos da região central, enquanto outras permitem explorar a natureza nos arredores do município.
- Parque Ecológico João Basso: reúne mais de 3.600 hectares de formações rochosas, trilhas e sítios arqueológicos, incluindo a famosa Cidade de Pedra.
- Horto Florestal: oferece pista para caminhadas, academia ao ar livre e contato com animais silvestres, como macacos e jabutis.
- Casario: formado por 24 construções de adobe e alvenaria, preserva parte da história local desde 1930 e funciona como espaço cultural, com apresentações de MPB e exposições.
- Museu Municipal Rosa Bororo: preserva um acervo relacionado à passagem do Marechal Rondon e à cultura indígena da região.
- Complexo Turístico do Carimã: fica a 55 km do centro e oferece um percurso com nove cachoeiras, além de chalés rústicos e área para camping.
- Parque do Escondidinho: conta com mirante, fonte interativa e uma das maiores pistas de skate da região.

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Quando visitar a capital do agronegócio mato-grossense?
O clima é tropical, com duas estações bem definidas. A seca favorece trilhas e cachoeiras. A Exposul, maior feira agropecuária do interior de Mato Grosso, acontece em agosto e já soma mais de 50 edições.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo.
Como chegar a Rondonópolis saindo de Cuiabá?
Rondonópolis fica a 210 km de Cuiabá pela BR-364, cerca de 2h30 de carro. A cidade também está no cruzamento com a BR-163, que liga o norte ao sul do país. O Aeroporto de Rondonópolis (ROO) recebe voos regionais e facilita o acesso para quem vem de outros estados.
Uma cidade que cresce sobre 5 mil anos de história
Rondonópolis é rara por conciliar vestígios arqueológicos milenares, uma economia entre as mais fortes do Centro-Oeste e um cotidiano de cidade média com parques, universidade e gastronomia diversa. A força do campo convive com formações rochosas que já serviam de abrigo muito antes de qualquer fronteira agrícola.
Você precisa conhecer Rondonópolis e pisar no mesmo cerrado que povos antigos habitaram há milhares de anos, agora cercado por uma cidade que não para de crescer.




