Saber onde fica o meio de um continente parece uma pergunta simples, mas a resposta depende de cálculos complexos. Em Cuiabá, capital de Mato Grosso, uma praça do centro histórico guarda um marco que indica o centro geodésico da América do Sul, determinado no início do século XX por uma das figuras mais conhecidas da história brasileira. O ponto virou símbolo da cidade e ainda hoje provoca curiosidade sobre como se mede o centro de um território tão grande.
O que é o centro geodésico da América do Sul?
É o ponto considerado o centro do continente a partir de cálculos geográficos. Segundo o Museu Virtual de Cuiabá, o marechal Cândido Rondon, em 1909, junto com seu ajudante, o tenente Renato Barboza Rodrigues, usou cálculos matemáticos, geográficos e astronômicos para identificar esse ponto no local então conhecido como Campo d’Ourique, a cerca de 15°35’56” de latitude sul.
Na prática, um centro geodésico é uma espécie de ponto de equilíbrio do território. A ideia é encontrar o lugar que fique no meio do continente quando se consideram suas bordas e sua forma, algo que exige medições precisas e conhecimento de astronomia, numa época em que não existiam satélites nem GPS. Por isso, o trabalho da Comissão Rondon chama atenção até hoje.

Quem confirmou o marco de Cuiabá?
O Exército Brasileiro. De acordo com o Museu Virtual de Cuiabá, a localização calculada por Rondon foi reconhecida e confirmada oficialmente pelo Serviço Geográfico do Exército Brasileiro em 1975, mais de seis décadas depois das primeiras medições.
O marco também ganhou proteção como patrimônio. Segundo a Prefeitura de Cuiabá, a estrutura original, construída em alvenaria em 1909 pelos membros da Comissão Rondon, é um marco simbólico que foi tombado como patrimônio histórico e cultural em 2009 pela Secretaria Estadual de Cultura, no ano em que completou cem anos.
Por que o ponto exato ainda gera debate?
Porque o resultado depende do método usado. Existem diferentes formas de calcular o centro de um continente, e cada uma pode levar a um ponto um pouco diferente, conforme se considerem o contorno do território, as ilhas próximas ou outros critérios. De acordo com o levantamento reunido pelo portal ipatrimônio, a localização exata do centro geodésico chegou a ser contestada, mas cálculos do Exército confirmaram as coordenadas do marco de Rondon.
A discussão ganhou força com um mirante em Chapada dos Guimarães, cidade vizinha, que também leva o nome de Centro Geodésico. Para historiadores e entusiastas locais, porém, o marco reconhecido oficialmente segue sendo o de Cuiabá. Para o visitante, a controvérsia só aumenta a curiosidade e torna a visita ao obelisco ainda mais interessante.
O que ver no marco do Centro Geodésico?
O conjunto fica no centro histórico e pode ser visitado a pé. Estes são alguns pontos ligados ao marco.
Que outras histórias a praça guarda?
Muito além do marco. A Prefeitura registra que, por influência europeia, o local sediou uma arena de touradas, que movimentava a cidade, antes de se tornar o espaço da praça atual. Ao longo do tempo, a área passou por diferentes usos e nomes, até receber o nome de Pascoal Moreira Cabral, um dos fundadores de Cuiabá.
A praça também foi reformada para valorizar o monumento. Segundo a Prefeitura, a reforma foi fruto de uma parceria entre a Câmara Municipal e o Executivo, e o espaço fica em frente ao prédio da Câmara de Cuiabá, que foi sede da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Hoje, o local reúne história, política e um dos símbolos mais conhecidos da capital.

Como é o clima de Cuiabá ao longo do ano?
O calor é constante, e o ano se divide entre estação chuvosa e seca. Janeiro concentra 257 mm de chuva em média, enquanto julho registra apenas 6 mm, e as máximas chegam a 33°C em setembro e outubro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O coração geográfico de um continente
Cuiabá carrega no centro histórico um símbolo que conecta ciência, história e identidade. O marco calculado por Rondon em 1909 e confirmado pelo Exército décadas depois transformou a capital mato-grossense no ponto que seria o meio da América do Sul. Mesmo com debates sobre métodos de cálculo, o obelisco segue como cartão-postal e lembra como a busca por medir o território ajudou a contar a história do Brasil.
Você precisa ficar diante do obelisco na Praça Pascoal Moreira Cabral e imaginar o continente inteiro ao seu redor para entender por que Cuiabá se orgulha de estar no centro da América do Sul.




