No noroeste paulista, São José do Rio Preto, em São Paulo, tem meio milhão de habitantes, ruas arborizadas e uma marca inédita: foi o primeiro município do país a cravar nota máxima em todos os critérios do maior ranking de saneamento do Brasil. E o resultado se sente na rotina de quem mora e visita.
A cidade que virou referência nacional em qualidade urbana
Em 2023, o Instituto Trata Brasil divulgou a 15ª edição do Ranking do Saneamento, e Rio Preto subiu oito posições para assumir o topo entre as 100 maiores cidades brasileiras. Foi a primeira vez, em 15 edições, que um município atingiu pontuação máxima em todos os indicadores avaliados.
Os números explicam o feito: 100% da população com água tratada, 93,9% de coleta de esgoto e 91,6% de tratamento do esgoto gerado. Dois anos depois, o Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM) 2025 classificou a cidade como a 8ª mais desenvolvida do país e a 4ª de São Paulo, com nota geral 0,8750.
Entre as sete cidades à frente no recorte nacional, apenas Curitiba tem mais habitantes. O detalhe pesa: gerir bem meio milhão de moradores é jogo diferente de administrar cidades pequenas que costumam dominar rankings.

De vila mineira a polo do noroeste paulista
A história começa em 1840, quando famílias vindas de Minas Gerais se fixaram no sertão do noroeste paulista. Em 19 de março de 1852, João Bernardino de Seixas Ribeiro ergueu com os vizinhos uma capela de sapé em terras doadas ao padroeiro São José, marco da fundação segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 1894, a lei provincial nº 294 desmembrou o povoado de Jaboticabal e criou o município. A chegada da Estrada de Ferro Araraquarense, em 1912, transformou Rio Preto em ponto de escoamento do café e do gado do então chamado Sertão de Avanhandava. A cidade foi rebatizada só de Rio Preto entre 1906 e 1945, quando voltou ao nome original.
O que fazer em Rio Preto sem sair do centro?
As principais atrações ficam concentradas em um raio curto e boa parte é gratuita. Um roteiro de dois dias cobre confortavelmente o essencial.
- Parque da Represa Municipal: 2,7 km de pista de caminhada, capivaras às margens e a segunda maior fonte luminosa musical do país, com jatos que sobem 15 metros.
- Complexo Swift de Educação e Cultura: antiga fábrica frigorífica de 1944, hoje abriga o Teatro Municipal Paulo Moura e escolas de arte.
- Mercado Municipal: prédio art déco inaugurado em 19 de julho de 1944, com cerca de 100 boxes de queijos, doces e pastéis frescos.
- Zoológico Municipal: entrada gratuita, cerca de 300 animais de 83 espécies em área de mata nativa.
- Cidade da Criança: parque temático com aproximadamente 180 brinquedos em 50 mil m², clássico de gerações paulistas.
- Catedral de São José: marco zero da cidade e ponto de partida para o centro histórico.
Em julho, o Festival Internacional de Teatro (FIT) ocupa palcos oficiais e cantos improvisados, reunindo companhias do Brasil e do exterior por cerca de dez dias. É a temporada em que a cidade mais respira cultura.
A mesa rio-pretense mistura caipira, italiano e invenção
A gastronomia local nasceu da lavoura de café e do trânsito de imigrantes italianos e libaneses. O resultado é uma mesa que vai do pastel frito na hora ao risoto de autor.
- Pastel rio-pretense: massa fininha, sequinha e frita à vista do cliente, tradição de casas do centro e da Represa.
- Baurustela: sanduíche criado na cidade, servido no bar Vila Aurora e reconhecido como Sabor de São Paulo.
- Pilãozinho: bolinho de cabotiã recheado de ragu de rabada, criação do Bar do Cidinho.
- Bolinho caipira: mistura tilápia, queijo meia-cura, cajá-manga e pimenta dedo-de-moça em uma só mordida.
- Cabo de relho: linguiça de porco enrolada em costelinha, prato de boteco que virou marca da região.
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Como é o clima em São José do Rio Preto ao longo do ano?
O clima é tropical de savana, quente o ano inteiro e com duas estações bem marcadas. O inverno seco atrai eventos, o verão pede manhãs na Represa antes das pancadas de chuva.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Rio Preto pelo carro, ônibus ou avião
Rio Preto fica a 442 km da capital paulista pela Rodovia Washington Luís (SP-310), cerca de cinco horas de carro. A cidade também é cortada pela Transbrasiliana (BR-153) e pela Assis Chateaubriand, o que facilita a chegada por Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. O Aeroporto Estadual Professor Eribelto Manoel Reino recebe voos diários para Guarulhos, Campinas e Brasília, além de ônibus regulares da Rodoviária do Tietê.
Vale a viagem ao interior paulista
Rio Preto combina indicadores de primeiro mundo com o ritmo de cidade média, uma mesa que atravessa gerações e uma represa urbana virou palco de espetáculo de água e luz. Poucos destinos no interior entregam essa costura entre estrutura, cultura e vida ao ar livre.
Você precisa conhecer São José do Rio Preto e sentir o pulso de uma cidade que cresceu sem abrir mão da qualidade de vida.




