Descendo a Serra do Mar pela Rodovia dos Imigrantes, o motorista atravessa a Ponte do Mar Pequeno e entra em Praia Grande. São 22 km de faixa de areia urbanizada, ciclovia contínua e uma cidade paulista que, em três décadas, deixou de ser passagem para virar um dos endereços de verão mais procurados do Brasil.
Como Praia Grande se tornou o 4º destino de verão do país
Segundo o Ministério do Turismo, Praia Grande é a quarta cidade que mais recebe turistas no Brasil durante o verão, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis. Recebe cerca de 1,86 milhão de visitantes na alta temporada, mais de cinco vezes sua população fixa, estimada em 349.935 habitantes pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2022.
Nem sempre foi assim. Até 1993, a cidade era chamada de patinho feio da Baixada Santista, com turismo desordenado e pouca infraestrutura. A partir daquele ano, a orla foi totalmente urbanizada, a Via Expressa Sul foi construída e o saneamento passou por expansão até chegar aos 100% de atendimento atuais, segundo o Departamento de Turismo de Praia Grande.

De território dos tupiniquins a município jovem do litoral paulista
A região era habitada por indígenas tupiniquins quando Martim Afonso de Sousa fundou São Vicente, primeira vila do Brasil, em 1532. O território que hoje é Praia Grande fez parte de São Vicente por mais de quatro séculos, servindo como área de passagem para Santos.
A emancipação política só aconteceu em 19 de janeiro de 1967, depois de um plebiscito realizado em 1963. A primeira prefeitura funcionou provisoriamente dentro do Ocian Praia Clube, e a primeira eleição direta elegeu Dorivaldo Loria Junior em novembro de 1968. Poucas cidades do litoral paulista têm história tão antiga e vida municipal tão recente.
O que fazer em Praia Grande além do banho de mar?
As atrações se espalham por toda a orla e no interior da cidade, ligadas por ciclovia contínua. Um roteiro de fim de semana dá conta do essencial, mas o município rende dias inteiros de exploração.
- Fortaleza de Itaipu: construída em 1902 para proteger o porto de Santos, teve o Forte Jurubatuba atacado na Revolução Constitucionalista de 1932. Aberta à visitação monitorada.
- Avenida dos Sindicatos: maior complexo de colônias de férias da América Latina, com 32 unidades em 1.260 m e cerca de 10 mil leitos, no bairro Mirim. A colônia dos têxteis foi projetada por Vilanova Artigas.
- Praça da Paz: sete esculturas de aço de cerca de 10 m de altura e até 30 toneladas retratam Jesus, Gandhi, Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, Papa João Paulo II, Sérgio Vieira de Mello e Maria, no bairro Boqueirão.
- Portinho: parque à beira do Mar Pequeno com deck de 73 m, quiosques e passeios de barco em área de procriação animal protegida.
- Palácio das Artes: complexo cultural de 6 mil m² com salão para 600 pessoas e lustre de 3,20 m com 12 mil pedras de cristal.
- Parque da Cidade: pista de atletismo de padrão internacional, kartódromo, ciclovia e orquidário no Polo Esportivo e Cultural Leopoldo Estásio Vanderlinde.
Praia Grande consolidou-se como um centro dinâmico na Baixada Santista, unindo belezas naturais e infraestrutura urbana moderna. O vídeo é do canal Coisas do Mundo, que conta com mais de 820 mil inscritos, e apresenta a revitalizada orla, pontos históricos como a Fortaleza de Itaipu e o Palácio das Artes:
A mesa caiçara em versão de balneário paulista
A gastronomia local mistura tradição caiçara com o volume de turistas paulistas que descem a serra. Os quiosques da orla vivem de peixe fresco, e as feiras têm doces coloniais que atravessam gerações.
- Caldeirada de frutos do mar: prato clássico dos quiosques do Boqueirão, servido em panela de barro com camarão, lula e peixe.
- Bolinho de bacalhau: presença obrigatória nas feiras de artesanato da Guilhermina e do Portinho.
- Peixe frito com pirão: pescada e corvina direto dos barcos, receita caiçara que resistiu à urbanização.
- Casquinha de siri: entrada tradicional dos restaurantes do Canto do Forte, região gastronômica da Avenida Marechal Mallet.
Leia também: A cidade paulista de 1531 onde os portugueses desembarcaram 5 meses antes de fundar São Vicente.
Como é o clima em Praia Grande ao longo do ano?
O clima é tropical atlântico, com verão quente e chuvoso e inverno seco e ameno. A média anual gira em torno de 23°C, o que garante praia praticamente o ano todo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Praia Grande de carro ou ônibus
Praia Grande fica a 72 km de São Paulo pela Rodovia dos Imigrantes (SP-160), cerca de uma hora e dez minutos sem trânsito. A alternativa é a Rodovia Anchieta (SP-150), que também desce a Serra do Mar. Quem parte de Santos chega em 15 minutos, e do Guarujá, em cerca de uma hora. O Terminal Rodoviário Tude Bastos recebe ônibus da capital e de várias cidades do interior paulista, com viagens diretas a partir da Rodoviária do Tietê.
Vale a viagem até o litoral sul paulista
Praia Grande combina 22 km de orla urbanizada, uma história militar preservada em pedra e concreto, um complexo de colônias de férias único no continente e uma mesa caiçara que resistiu ao boom imobiliário. Poucos destinos entregam esse encaixe entre praia popular, estrutura urbana e memória viva.
Você precisa conhecer Praia Grande e caminhar a orla inteira ao pôr do sol para entender por que meio país desce a serra atrás dessa cidade todo verão.




