Poucas cidades brasileiras conseguem reunir o título de município mais antigo do estado, um centro histórico tombado por prédios do século XVIII e uma faixa de areia reconhecida pelo Guinness como a mais extensa do planeta. Rio Grande, a cerca de 320 km de Porto Alegre, no extremo sul do Rio Grande do Sul, faz isso desde 1737. Apelidada de Noiva do Mar, a cidade guarda a Praia do Cassino, com 254 km de areia contínua, e o balneário mais antigo do Brasil.
Por que a Praia do Cassino é reconhecida pelo Guinness como a maior do mundo?
A resposta está na geografia do litoral sul. A Praia do Cassino se estende sem interrupções naturais dos Molhes da Barra, no acesso ao porto de Rio Grande, até a foz do Arroio Chuí, na fronteira com o Uruguai. Segundo o portal abc+, o reconhecimento oficial pelo Guinness World Records foi concedido em 1994 e atesta a faixa de areia com 254 quilômetros, superando destinos consagrados da Austrália e dos Estados Unidos.
A extensão contínua tem trechos que chegam a 200 metros de largura, e a areia dura permite uma experiência rara no litoral brasileiro: dirigir por quilômetros com o carro à beira-mar. O balneário do Cassino é também o mais antigo do país, inaugurado em 26 de janeiro de 1890 como o primeiro complexo turístico de praia do Brasil, com hotéis de luxo e casas de jogos que deram nome ao distrito. A proibição das roletas em 1948 encerrou os cassinos, mas o hábito de veranear na costa permaneceu. Hoje, o distrito recebe cerca de 150 mil turistas por temporada, segundo dados da Prefeitura Municipal de Rio Grande.

Como Rio Grande virou a cidade mais antiga do Rio Grande do Sul em 1737?
A resposta está na disputa entre coroas europeias pelo extremo sul do Brasil. Em 1737, por ordem da coroa portuguesa, foi erguido um forte militar para garantir a posse das terras ao sul, e ali começou a se formar o povoado de Rio Grande. O município foi por décadas um ponto de disputa entre Portugal e Espanha, antes de virar a primeira capital da então província gaúcha e cenário inicial da Revolução Farroupilha.
Essa origem militar moldou a paisagem urbana atual. O centro histórico preserva igrejas do século XVIII, ruas de paralelepípedo e construções tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Rio Grande também abriga a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), referência nacional em oceanografia e responsável pelo primeiro curso de Oceanologia do país. Em 1966, a cidade foi palco do lançamento de foguetes pela NASA durante um eclipse solar, ampliando ainda mais sua conexão histórica com o mar e a ciência.
Quais marcos do Centro Histórico visitar em Rio Grande?
O Centro Histórico concentra a maior parte do patrimônio arquitetônico da cidade, com igrejas, palacetes e prédios ao redor da Praça Xavier Ferreira, considerada a maior praça do interior gaúcho. Boa parte fica em raio caminhável.
- Catedral de São Pedro: templo em estilo barroco inaugurado em 1755, é a igreja mais antiga do Rio Grande do Sul e está tombada pelo IPHAN.
- Prédio da Alfândega: construção do início do século XIX que hoje abriga o Museu da Cidade, com acervo de cerca de 8 mil peças que contam a história da região desde a pré-história.
- Biblioteca Rio-Grandense: fundada em 1846, tem acervo com quase 500 mil obras, uma das maiores bibliotecas particulares do país.
- Capela São Francisco de Assis: guarda coleção de arte sacra com cerca de 2 mil peças, entre roupas de padres, cálices e coroas.
- Mercado Municipal: construção de 1863 que ainda funciona como ponto de comércio popular no centro histórico.
- Praça Xavier Ferreira: maior praça do interior gaúcho, abriga o monumento-túmulo de Bento Gonçalves, líder da Revolução Farroupilha.

O que fazer nos Molhes da Barra e no Balneário Cassino?
Além do centro histórico e da imensidão da praia, o roteiro inclui os molhes de engenharia oceânica, um navio encalhado que virou cartão-postal e reservas ecológicas de fauna marinha.
- Molhes da Barra: obra de engenharia oceânica que avança mais de 4 km no oceano para garantir a navegação do porto, com passeio tradicional de vagonete até a extremidade.
- Navio Altair: cargueiro encalhado na areia desde 1976 que virou ponto de foto e cenário emblemático da Praia do Cassino.
- Colônia de lobos-marinhos: os Molhes da Barra abrigam colônias de lobos e leões-marinhos em áreas de descanso e alimentação, visíveis durante os passeios de barco.
- Estátua de Iemanjá: monumento simples na entrada principal da Praia do Cassino, importante marco religioso para os pescadores da região.
- Cassino Ultra Race: ultramaratona de 230 km considerada uma das provas mais difíceis do mundo em regime de autossuficiência, com qualificação máxima pelo ITRA, que atrai atletas de vários países.
- Estação Ecológica do Taim: reserva ambiental reconhecida internacionalmente, próxima à Praia do Cassino, com fauna e flora do pampa gaúcho.
O que provar na gastronomia gaúcha de Rio Grande?
A mesa combina frutos do mar do estuário da Lagoa dos Patos com a tradição campeira do sul do Brasil. Restaurantes tradicionais convivem com casas mais contemporâneas no balneário e no centro histórico.
- Camarão-rosa do Patos: capturado no estuário da Lagoa dos Patos, é servido em risotos, bobós e moquecas nos restaurantes do balneário Cassino.
- Anchova fresca: peixe símbolo da pesca costeira local, chega direto dos barcos artesanais e aparece grelhada com limão e azeite nos cardápios da orla.
- Tainha assada: tradição do inverno gaúcho, servida com farofa e limão em restaurantes de raiz.
- Corvina grelhada: outro peixe típico das águas locais, servido nos restaurantes do Balneário Cassino e de São José do Norte.
- Churrasco de chão: marca da culinária gaúcha, presente em churrascarias tradicionais espalhadas pelo centro e ao lado dos frutos do mar.
Como é o clima e a melhor época para visitar Rio Grande?
O clima é subtropical úmido, com quatro estações bem definidas. Verão morno e ventilado, inverno frio com noites que podem chegar próximo aos zero graus. Os ventos constantes garantem o frescor típico da região, e a temperatura mais baixa registrada na cidade foi de −1,3°C em julho de 1918.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Rio Grande?
De carro, o acesso mais direto a partir de Porto Alegre é pela BR-116 em direção ao sul, seguindo pela BR-392, com trajeto de cerca de 320 km e viagem média de quatro horas. A cidade fica na extremidade sul do estado, próxima da fronteira uruguaia.
Ônibus regulares saem todos os dias da rodoviária da capital gaúcha e de outras cidades do sul. Quem prefere avião pode desembarcar no Aeroporto Internacional de Pelotas, a cerca de 60 km, com voos regulares de Porto Alegre e São Paulo, ou no Aeroporto Regional de Rio Grande. O Balneário Cassino fica a 22 km do centro da cidade, com acesso pela RS-734 e pela BR-392.
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A Noiva do Mar no extremo sul brasileiro
Rio Grande reúne uma combinação difícil de encontrar em outro município brasileiro: o título de cidade mais antiga do Rio Grande do Sul, a maior praia contínua do mundo reconhecida pelo Guinness, o balneário mais antigo do país, o segundo maior porto brasileiro e um centro histórico tombado pelo IPHAN com igrejas do século XVIII. O extremo sul gaúcho concentra 287 anos de história, engenharia oceânica e uma faixa de areia que se perde no horizonte.
Você precisa conhecer Rio Grande e dirigir pela areia da Praia do Cassino até o sol se pôr sobre o Atlântico, subir os Molhes da Barra em um vagonete tradicional e entender por que a Noiva do Mar continua sendo um dos endereços mais surpreendentes do litoral brasileiro.




