Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, combina uma história ligada aos primeiros tempos de formação do Rio Grande do Sul com paisagens naturais que surpreendem quem chega. A apenas 25 km da capital gaúcha, o município guarda praias de água doce, dunas e áreas preservadas, além de ter exercido por uma década o papel de sede do governo da então capitania.
Como Viamão se tornou a primeira capital do Rio Grande do Sul?
A história oficial de Viamão começou em 14 de setembro de 1741, quando o estancieiro Francisco Carvalho da Cunha recebeu autorização para construir uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. O povoado cresceu rapidamente e se transformou em um dos primeiros núcleos de ocupação do território que viria a formar o Rio Grande do Sul.
A importância política da cidade aumentou em 1763, quando a invasão espanhola à Vila do Rio Grande provocou a transferência da sede do governo da capitania para Viamão. A cidade permaneceu nessa condição até 1773, quando a administração foi transferida para o Porto dos Casais, atual Porto Alegre. O período em que abrigou o governo deu origem ao apelido de Velha Capital, uma referência que permanece ligada à identidade histórica do município.

Qual é a origem do nome Viamão e sua ligação com os cinco rios?
A explicação mais conhecida para o nome Viamão está relacionada à paisagem vista dos morros da região. Segundo essa versão, os rios Jacuí, Caí, Gravataí, Taquari e dos Sinos formariam, ao desembocar no Guaíba, um desenho que lembra uma mão aberta. Daí teria surgido a expressão “Vi a mão”, que acabou associada ao nome do município e se tornou parte de sua identidade.
Existem, porém, outras teorias sobre a origem do topônimo. Uma delas relaciona o nome ao termo indígena ibiamon, interpretado como “terras de pássaros”, enquanto outra aponta uma possível ligação com Viamara, localidade da região de Guimarães, em Portugal. Como nenhuma dessas hipóteses é considerada definitiva, a imagem dos cinco rios formando uma mão espalmada permanece como a explicação popular mais conhecida e um dos símbolos de Viamão.
O vídeo do canal Guri de Uruguaiana apresenta as principais opções de turismo em Viamão, no Rio Grande do Sul, destacando a natureza, a história e o lazer da cidade.
O que visitar no Parque Estadual de Itapuã?
O Parque Estadual de Itapuã protege a última amostra dos ecossistemas originais da Região Metropolitana de Porto Alegre. São 5.566 hectares de morros, praias, dunas, lagoas e banhados na zona de transição entre os biomas Mata Atlântica e Pampa.
Criado em 1973, o parque foi fechado em 1991 após incêndios consecutivos. Ficou mais de dez anos em recuperação e só reabriu em 2002. A fauna inclui o bugio-ruivo (símbolo da unidade), a lontra, a jaguatirica e o puma, que retornou à área nos últimos anos. A Lagoa Negra, com 1.750 hectares, funciona como ponto de parada de aves migratórias.
O Farol de Itapuã, construído em 1860, marca exatamente o encontro das águas do Guaíba com a Laguna dos Patos. Não pode ser visitado por terra, mas passeios de barco saindo do Clube Náutico de Itapuã oferecem uma vista privilegiada.

Quais atrações vão além do parque na Velha Capital?
Viamão tem o maior território da região metropolitana, com quase 1.500 km², e espalha surpresas por toda essa extensão.
- Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição: inaugurada em 1770 em estilo barroco rococó, é a segunda igreja mais antiga do estado. Foi tombada pelo IPHAN em 1938, no primeiro lote de tombamentos do Brasil.
- Quinta da Estância: fazenda de 125 hectares especializada em turismo rural pedagógico, com olivais, produção de azeite e piqueniques ao pôr do sol.
- Praia das Pombas: dentro do Parque de Itapuã, tem cerca de 850 metros de orla com trechos sombreados às margens do Guaíba. Limite de 350 visitantes por dia.
- Templo Budista Caminho do Meio: centro da escola tibetana Nyingma, com retiros de meditação abertos ao público em meio à mata nativa.
- Monumento Cruz das Almas: erguido em 1995 no ponto estratégico usado pelos farrapos para monitorar a movimentação entre Porto Alegre e Viamão durante a Revolução Farroupilha.
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O que comer na terra do arroz e do churrasco?
A culinária viamonense reflete a tradição gaúcha com sotaque próprio. A cidade é grande produtora de arroz, e o grão aparece em pratos como o arroz de carreteiro. O churrasco domina os fins de semana, mas as festas locais revelam outros sabores.
A Festa do Peixe e a Festa do Arroz com Leite movimentam o calendário e reúnem moradores e visitantes. Sítios de lazer na zona rural, como os da Rota das Especiarias, servem almoços campeiros sob reserva. Cervejarias artesanais e adegas de vinhos finos completam o circuito gastronômico da região do Espigão.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O verão quente e úmido é a melhor época para aproveitar as praias do parque. No inverno, as temperaturas caem, mas os dias secos favorecem trilhas e turismo rural.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Velha Capital saindo de Porto Alegre?
Viamão fica a 25 km do centro de Porto Alegre pela RS-040 ou pela Avenida Bento Gonçalves. Para o Parque de Itapuã, o trajeto total é de 57 km pela zona sul da capital, passando por Ipanema, Belém Novo e Lami, com os últimos 4 km em estrada de terra em boas condições. Linhas de ônibus metropolitanas conectam as duas cidades ao longo do dia.
A cidade que pariu Porto Alegre e ainda surpreende
Viamão cedeu sua condição de capital, viu Porto Alegre nascer do seu antigo porto e seguiu cultivando história, natureza e tradição gaúcha em silêncio. O parque, o farol, a igreja barroca e os cinco rios que formam uma mão estão todos ali, esperando.
Você precisa subir no morro, enxergar a mão dos rios no Guaíba e entender por que os viamonenses chamam sua cidade de Velha Capital com tanto orgulho.




