O fenômeno climático conhecido como Super El Niño deve continuar ganhando intensidade e pode atingir seu ponto máximo em dezembro de 2026. A previsão foi apresentada pelo especialista em Ciências Ambientais Inti Bonomo, que também alertou para a possibilidade de os efeitos se prolongarem até os primeiros meses de 2027. O cenário merece atenção porque pode alterar a distribuição das chuvas e as temperaturas em diferentes regiões da América do Sul, incluindo o Brasil.
Quando o Super El Niño deve atingir sua intensidade máxima?
Durante entrevista ao canal argentino LN+, repercutida pelo jornal La Nación, Inti Bonomo afirmou que o fenômeno continuará se fortalecendo e poderá alcançar seu pico em dezembro de 2026. O especialista explicou que essa estimativa considera o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, responsável por influenciar a circulação atmosférica e modificar padrões de chuva em várias partes do planeta.
A projeção é compatível com o boletim divulgado em 8 de outubro pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Segundo o órgão, havia 83% de probabilidade de um evento de intensidade histórica no trimestre de outubro a dezembro de 2026. Mesmo assim, a previsão não representa uma garantia, pois depende da evolução das temperaturas oceânicas e da resposta da atmosfera.
Por que o aquecimento do Oceano Pacífico altera o clima?
O El Niño acontece quando as águas superficiais de uma extensa área do Pacífico equatorial ficam mais quentes do que o padrão histórico, em conjunto com mudanças na circulação atmosférica. Esse aquecimento interfere no deslocamento de ventos, na formação de nuvens e na distribuição da umidade. Como resultado, algumas regiões podem registrar chuvas mais intensas, enquanto outras enfrentam períodos mais secos.
A expressão Super El Niño é utilizada para descrever episódios de intensidade excepcional, mas não representa um fenômeno separado do El Niño tradicional. Quanto mais intenso o aquecimento oceânico, maior pode ser a influência sobre determinados padrões climáticos. Isso não significa, entretanto, que todas as localidades sofrerão consequências na mesma proporção ou que cada tempestade será provocada diretamente pelo fenômeno.
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Como o El Niño pode provocar dias frios mesmo com o planeta mais quente?
Uma das explicações de Bonomo envolve a presença persistente de nuvens sobre o centro da Argentina durante a primavera. Embora o El Niño esteja relacionado ao aquecimento do oceano, a formação de extensas camadas de nuvens pode reduzir a quantidade de radiação solar que alcança o solo. Esse mecanismo contribui para temperaturas mais baixas durante o dia, mesmo quando outras regiões apresentam calor intenso.
O especialista comparou o processo ao comportamento de superfícies claras e escuras diante da luz solar. Parte da radiação é refletida pelas nuvens, diminuindo o aquecimento da superfície, mas a cobertura também pode dificultar a perda de calor durante a noite. Por isso, a nebulosidade persistente pode reduzir a diferença entre temperaturas diurnas e noturnas, sem impedir que ocorram ondas de calor.

Os efeitos do Super El Niño podem continuar em 2027?
Mesmo que o aquecimento oceânico alcance seu máximo em dezembro, seus efeitos não precisam desaparecer imediatamente. Bonomo explicou que a umidade e as mudanças na circulação atmosférica podem permanecer influenciando as condições meteorológicas durante os meses seguintes. Na avaliação apresentada pelo especialista, essas consequências poderiam se estender até fevereiro, março ou abril de 2027, dependendo da evolução do fenômeno.
A NOAA também indicou, em outubro, uma probabilidade superior a 83% de condições de El Niño forte a muito forte durante o trimestre de janeiro a março de 2027. O detalhe é que intensidade oceânica e impacto local não são a mesma coisa. O mês com maior aquecimento no Pacífico não será necessariamente aquele com mais chuvas ou temperaturas extremas em determinada cidade.
Quais regiões do Brasil podem sentir os maiores impactos?
No Brasil, o cenário apresenta diferenças importantes entre as regiões. Segundo boletim do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), publicado em 1º de outubro de 2026, a tendência para o último trimestre do ano era de chuvas acima da média no Sul, em parte do Sudeste e no leste do Nordeste. Essa condição pode favorecer cheias e aumentar a preocupação com alagamentos em áreas vulneráveis.
Por outro lado, grande parte do Norte e áreas do Nordeste e do Centro-Oeste apresentavam maior probabilidade de precipitações abaixo do normal. A combinação de seca e temperaturas elevadas pode comprometer a disponibilidade de água, aumentar o risco de incêndios florestais e prejudicar atividades agrícolas. Entretanto, as previsões sazonais indicam tendências regionais, não permitindo determinar antecipadamente quando choverá em cada município.
O que a população deve acompanhar até o início de 2027?
Com a possibilidade de continuidade do El Niño durante o verão, a recomendação é acompanhar as atualizações dos serviços meteorológicos e os comunicados das autoridades locais. No Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) disponibiliza avisos de condições meteorológicas perigosas, que ajudam a identificar riscos de tempestades, ventos fortes e outros eventos. Essas informações são mais adequadas para decisões imediatas do que uma previsão climática válida para vários meses.
Moradores de áreas sujeitas a enchentes, deslizamentos ou estiagens prolongadas também podem acompanhar os alertas da Defesa Civil e conhecer os procedimentos de segurança de seu município. É possível cadastrar o CEP por SMS no número 40199 para receber avisos de risco. Como as projeções climáticas podem mudar, o acompanhamento das próximas atualizações será decisivo para entender a intensidade real do Super El Niño e seus possíveis efeitos em 2027.




