Poucos destinos brasileiros conseguem entregar tanto contraste em uma única paisagem quanto o Jalapão, no leste do Tocantins. A região reúne dunas de 40 metros que mudam de cor conforme o sol se desloca, cachoeiras esverdeadas e mais de 20 nascentes onde a pressão da água empurra o corpo para cima e faz de qualquer banho um experimento de flutuação. É o coração da maior área contínua de Cerrado preservado do país, protegida por cinco unidades de conservação e habitada por comunidades quilombolas que produzem o famoso capim dourado.
O parque estadual do Cerrado que virou destino de aventura
O Jalapão fica no leste do Tocantins, a cerca de 310 km da capital Palmas, e concentra seus principais atrativos entre os municípios de Mateiros e São Félix do Tocantins. Segundo o Ministério do Turismo, o território virou referência nacional em turismo de aventura, com rafting, boia cross, trekking e mountain bike espalhados pelo Parque Estadual.
O Parque Estadual do Jalapão foi criado pela Lei Estadual 1.203, de 12 de janeiro de 2001, e é administrado pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins). A unidade tem cerca de 158 mil hectares e integra um mosaico de áreas protegidas que somam mais de 34 mil km², considerado a maior área contínua de Cerrado em alto grau de conservação do Brasil.

O que ver e fazer no Jalapão?
A rotina do visitante alterna banhos em nascentes, subidas em dunas e travessias de rios em veículos 4×4. Cada dia costuma reunir três ou quatro atrativos com deslocamentos longos por estradas de terra vermelha. Os principais pontos são:
- Dunas do Jalapão: encostadas na Serra do Espírito Santo, alcançam até 40 metros de altura e mudam de tom conforme o sol se desloca.
- Fervedouro do Ceiça: nascente de águas azul-turquesa considerada a mais famosa da região, com efeito de flutuação natural.
- Fervedouro dos Buritis: apontado pelos turistas como o mais bonito, com águas em tons de verde e capacidade limitada a dez banhistas por vez.
- Cachoeira da Formiga: queda de aproximadamente 35 metros com piscina natural verde-esmeralda e areia branca no fundo.
- Cachoeira da Velha: no rio Novo, tem 100 metros de largura e queda em ferradura, uma das mais imponentes do Cerrado.
- Cânions e Corredeiras do rio Sono: em São Félix do Tocantins, ideais para rafting e boia cross entre paredões rochosos.
Todos os deslocamentos são feitos em veículos 4×4 e exigem operadores credenciados pelo Naturatins.
Por que ninguém afunda nos fervedouros do Jalapão?
A resposta está na geologia. Os fervedouros são nascentes cársticas onde um rio subterrâneo encontra uma camada de areia fina e irrompe do chão com pressão suficiente para sustentar qualquer corpo na superfície. Segundo a National Geographic, citada pelo Revista Oeste, a sensação é parecida com flutuar em uma taça de champanhe, porque a água borbulha pela ruptura no solo e empurra uma espuma de areia rosada para cima.
Atualmente existem entre 15 e 20 fervedouros mapeados na região, cada um com particularidades. O maior deles fica próximo da zona urbana de Mateiros, com nascentes que brotam de 75 metros de profundidade. As comunidades quilombolas locais também produzem semijoias e peças de decoração com o capim dourado, planta endêmica cuja colheita só é permitida entre 20 de setembro e 20 de novembro por decisão do Naturatins.
Como é o clima do Jalapão durante o ano?
O clima é tropical de savana, típico do Cerrado, com duas estações bem marcadas: uma seca prolongada entre maio e setembro, quando os fervedouros ficam mais transparentes, e uma chuvosa entre outubro e abril, quando as cachoeiras ganham volume. As temperaturas se mantêm elevadas o ano inteiro.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao Jalapão
O acesso não é simples e faz parte da experiência. Não há aeroporto próximo aos atrativos, o que exige planejamento e reserva de veículos preparados para a terra vermelha. As opções mais comuns são:
- Aeroporto de Palmas: recebe voos diretos das principais capitais brasileiras, com transfer rodoviário até Mateiros de aproximadamente 6 horas.
- Rodovia TO-030 e TO-247: principal ligação entre Palmas e o Parque Estadual do Jalapão, com trechos de estrada de terra.
- Veículo 4×4: obrigatório para atravessar dunas, rios e trilhas dentro do parque, geralmente contratado em pacote com agência local.
- Pacotes com agências credenciadas: única forma segura de acessar todos os atrativos, com guias autorizados pelo Naturatins.
Dentro da região, as noites são passadas em pousadas simples de Mateiros ou São Félix do Tocantins.
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O Cerrado que virou destino de aventura
Poucos endereços brasileiros entregam a mesma equação do Jalapão: dunas alaranjadas, nascentes onde é impossível afundar, cachoeiras esverdeadas e comunidades quilombolas que transformaram uma planta nativa em semijoia. É o tipo de destino que só se apresenta a quem topa cruzar quilômetros de terra vermelha para encontrar o Cerrado em sua forma mais preservada.
Você precisa conhecer o Jalapão e boiar em um fervedouro para entender por que a região continua sendo um dos destinos de aventura mais completos do Brasil.




