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Uma caverna na Cantábria permaneceu selada por 16.800 anos: em seu interior, encontraram uma casa da Idade da Pedra com 4.600 objetos.

Por Bruno Vaz
24/10/2026
Em Entretenimento
casa pré-histórica

Um dos objetos mais interessantes é uma falange de uro, animal selvagem extinto e ancestral do gado doméstico

Uma caverna na Espanha preservou vestígios de uma moradia construída há cerca de 16.800 anos, incluindo uma fogueira, ferramentas e milhares de restos de atividades humanas. O achado aconteceu no sítio arqueológico de La Garma, na região da Cantábria, onde pesquisadores identificaram 4.614 peças que ajudam a reconstruir como viviam os caçadores e coletores da Idade da Pedra.

Como uma caverna permaneceu preservada durante milhares de anos?

A descoberta ocorreu na caverna de La Garma, localizada no município de Ribamontán al Monte, no norte da Espanha. Um desmoronamento natural bloqueou o antigo acesso à sua galeria inferior, protegendo o interior contra grande parte das alterações que normalmente acontecem em sítios arqueológicos expostos à circulação de pessoas e animais.

A região foi redescoberta em 1995, quando começou uma longa investigação sobre os vestígios preservados no local. Embora a ocupação humana estudada tenha aproximadamente 16.800 anos, essa idade não deve ser confundida automaticamente com a data exata do desmoronamento que fechou a passagem. O isolamento permitiu que numerosos objetos permanecessem próximos de suas posições originais.

Como era a casa de 16.800 anos encontrada pelos arqueólogos?

A moradia identificada pelos pesquisadores tinha formato oval e ocupava aproximadamente 5 metros quadrados. Segundo a Universidade da Cantábria, o espaço era delimitado por blocos de pedra e estalagmites, que provavelmente sustentavam uma estrutura construída com postes de madeira e peles de animais, apoiada em uma saliência da parede da caverna.

No centro existia uma pequena fogueira, cercada por vestígios de diferentes tarefas realizadas pelos moradores. Os arqueólogos identificaram sinais de fabricação de ferramentas, processamento de animais caçados e trabalho com peles. A disposição desses materiais permite interpretar a área como um espaço doméstico utilizado por grupos humanos durante o Paleolítico Superior.

Leia também: O mistério da suposta maldição dos faraós que começou após a abertura de uma tumba sagrada

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O que havia entre os 4.614 objetos encontrados?

O inventário reúne 4.614 objetos e restos arqueológicos, mas isso não significa que todos fossem ferramentas ou utensílios domésticos. Grande parte corresponde a ossos de animais, especialmente cervos, cavalos e bisões. Também foram registradas aproximadamente 600 peças de sílex, uma rocha utilizada na fabricação de instrumentos cortantes e pontas de armas.

Entre os demais achados estão agulhas, pontas de projéteis, um precursor do arpão e conchas de moluscos marinhos. Essa variedade mostra que o abrigo não servia apenas para descanso. Seus ocupantes realizavam diferentes atividades relacionadas à alimentação, ao aproveitamento dos animais e à produção de equipamentos utilizados na sobrevivência.

casa pré-histórica
Uma caverna na Espanha preservou vestígios de uma moradia construída há cerca de 16.800 anos, incluindo uma fogueira, ferramentas e milhares de restos de atividades humanas.

Um osso decorado revelou outro lado da vida na Idade da Pedra

Um dos objetos mais interessantes é uma falange de uro, animal selvagem extinto e ancestral do gado doméstico. O osso apresenta uma perfuração e gravuras que representam o próprio animal e um rosto humano esquemático. A universidade espanhola descreve a peça como um exemplar singular dentro do registro arqueológico do Paleolítico europeu.

Os pesquisadores também encontraram adornos pessoais utilizados pelos antigos moradores. Esses materiais mostram que as atividades humanas não se limitavam à busca por alimento e abrigo. Havia espaço para a produção de objetos com valor ornamental e simbólico, oferecendo pistas sobre a criatividade e as formas de expressão de populações que viveram muito antes da escrita.

Como a tecnologia ajudou a estudar a caverna sem destruir os vestígios?

O estado de conservação de La Garma exige cuidados especiais, porque uma escavação convencional poderia alterar a posição dos materiais. Em setembro de 2026, a Universidade da Cantábria apresentou detalhes de um método que combina digitalização tridimensional, fotogrametria de alta definição e análises realizadas diretamente no sítio arqueológico.

O sistema permite registrar objetos e superfícies com precisão, reunindo informações em um banco de dados digital. Com essa abordagem, os pesquisadores conseguiram documentar uma estrutura habitacional com mais de 4.600 vestígios em 18 meses de trabalho. A metodologia também facilita o estudo posterior dos materiais sem exigir intervenções frequentes em uma área tão sensível.

Por que La Garma é tão importante para entender a pré-história?

O complexo arqueológico apresenta evidências de diferentes períodos da ocupação humana, com uma sequência que abrange aproximadamente 400 mil anos. Segundo a universidade, mais de 213 mil peças já foram inventariadas no conjunto do sítio. Isso significa que os objetos da antiga cabana representam apenas uma parte do patrimônio preservado nessa região espanhola.

La Garma também integra a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO, como parte do conjunto de cavernas com arte rupestre paleolítica do norte da Espanha. A UNESCO reconhece a importância dessas cavernas para compreender o desenvolvimento da expressão artística e cultural das populações humanas que habitaram a Europa durante a pré-história.

O que acontece agora com a descoberta e como acompanhar as pesquisas?

A existência da cabana foi apresentada publicamente pelos pesquisadores em novembro de 2023, enquanto os avanços mais recentes envolvem técnicas de documentação e conservação. O trabalho continua sob a coordenação de especialistas ligados à Universidade da Cantábria e ao Museu de Pré-História e Arqueologia da região, com o objetivo de preservar os vestígios e ampliar o conhecimento sobre o cotidiano desses grupos humanos.

Quem deseja acompanhar os resultados pode consultar as publicações oficiais da universidade e os estudos divulgados pelos responsáveis pelo projeto. A reportagem da Xataka México também apresenta o achado. O principal avanço é a possibilidade de estudar uma moradia pré-histórica preservada com seus objetos e restos de atividades cotidianas, sem depender apenas de reconstruções baseadas em vestígios dispersos.

Tags: arqueologiaciênciahistóriapatrimônio
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