Uma serra com silhueta de castelo medieval, um pico que alcança 2.039 metros de altitude e uma gruta com sinais da presença humana há cerca de 5 mil anos ajudam a contar a história de Castelo, no sul do Espírito Santo. O município reúne paisagens montanhosas, vestígios pré-históricos e tradições herdadas da imigração italiana, características que marcam sua identidade no interior capixaba.
A formação rochosa que deu nome a Castelo no Espírito Santo
A paisagem teve papel decisivo na escolha do nome do município. De acordo com a Secretaria de Estado do Turismo do Espírito Santo (Setur-ES), a denominação surgiu com a chegada dos primeiros aventureiros que percorreram a região durante o período colonial em busca de ouro. Relatos históricos apontam que um dos exploradores se deparou com uma formação montanhosa semelhante a um castelo medieval de estilo feudal, referência que acabou sendo incorporada ao povoado estabelecido aos pés da serra.
Além da formação que inspirou seu nome, Castelo apresenta um cenário marcado por montanhas, vales e cachoeiras. O clima ameno registra temperaturas próximas de 23°C nos períodos mais quentes e pode chegar a aproximadamente 5°C nas madrugadas de inverno. A presença de descendentes de imigrantes italianos também deixou marcas profundas na identidade local, perceptíveis na gastronomia, nas manifestações culturais e nas tradições religiosas.

Forno Grande abriga uma floresta de altitude considerada única no mundo
Entre as paisagens mais impressionantes de Castelo, o Pico do Forno Grande se destaca pela altitude e pela vegetação encontrada em seu cume. De acordo com o Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), a formação chega a 2.039 metros e ocupa o posto de segundo ponto mais alto do Espírito Santo, atrás apenas do Pico da Bandeira, na divisa com Minas Gerais. Do alto, a vista alcança a serra do Caparaó de um lado e o litoral capixaba do outro, incluindo o mar e cidades costeiras.
A preservação dessa paisagem começou há décadas. Segundo a Prefeitura de Castelo, a área foi instituída como Reserva Florestal em 31 de outubro de 1960 e, em 1998, passou à categoria de Parque Estadual do Forno Grande, por meio da Lei nº 7.528. Com 730 hectares, a unidade está sob administração do IEMA desde setembro de 2007. As trilhas são gratuitas, mas exigem agendamento prévio e respeitam horários determinados para a saída dos visitantes.
É no ponto mais elevado que está uma das características mais extraordinárias da região. Conforme informações da Prefeitura Municipal de Castelo, o cume abriga uma mata com aproximadamente 300 metros de extensão, apontada pelo pesquisador Augusto Ruschi como a maior floresta de altitude do mundo. O ambiente também serve de refúgio para animais ameaçados de extinção, como a onça-parda, a jaguatirica e o macaco mono-carvoeiro, além de reunir orquídeas e bromélias raras que crescem sobre o musgo das rochas.
Gruta do Limoeiro preserva vestígios humanos de 5 mil anos
Muito antes da formação das cidades atuais, a região já registrava a presença humana. Segundo a Prefeitura Municipal de Castelo, a Gruta do Limoeiro é patrimônio histórico estadual e representa a principal área de pesquisas sobre a pré-história do Espírito Santo. Estudos realizados no local identificaram vestígios que indicam ocupação humana há aproximadamente 5 mil anos.
As formações naturais tornam a caverna igualmente singular. Sua estrutura apresenta características incomuns em comparação com outras grutas capixabas, especialmente pela presença de espeleotemas formados pela deposição e solidificação de minerais transportados pela água ao longo de milhares de anos. Entre as estruturas encontradas no interior estão cortinas, estalactites, estalagmites e travertinos, moldados lentamente pelo gotejamento.
A entrada chama atenção pelas dimensões. Localizada a 15 km do centro de Castelo, a gruta apresenta um paredão superior de 30 metros de altura, que forma um pórtico natural antes dos salões internos. Sua importância arqueológica também a coloca entre as cavernas de referência do Sudeste para pesquisas relacionadas ao povoamento humano no litoral brasileiro.
Rampas de voo livre deram a Castelo o apelido de Havaí do Parapente
As montanhas do município também atraem quem procura aventura nas alturas. De acordo com a Prefeitura de Castelo, a Rampa de Ubá, localizada a 28 km da sede municipal, na comunidade de Córrego de Ubá, recebeu importantes competições de voo livre, incluindo etapas nacionais e internacionais. As condições favoráveis para os voos, somadas à paisagem natural, renderam ao lugar o apelido de Havaí do Parapente entre os pilotos.
Outra opção para os praticantes de esportes aéreos está na Rampa de Apeninos, situada a aproximadamente 12 km do centro, na zona rural. Próxima à Pedra do Dedo e ao Morro da Joeba, de 512 metros de altitude, a localidade oferece condições para voos de asa-delta e parapente. As correntes térmicas e a presença de Mata Atlântica preservada compõem o cenário do vale do Prata.
Já no calendário cultural, uma celebração reúne moradores e visitantes no centro histórico. A Festa de Corpus Christi é conhecida pelos tapetes coloridos confeccionados com pedras, palhas e materiais reciclados. A tradição integra as Sete Maravilhas do Município, lista que também inclui a Cachoeira do Pedregulho, o Casarão da Fazenda do Centro, a Gruta do Limoeiro, o Parque Estadual do Forno Grande, a Igreja Matriz e o Santuário de Aracuí.
Principais atrações para visitar em Castelo, entre montanhas e cavernas
Com opções que vão de trilhas em áreas protegidas a sítios arqueológicos e rampas de voo livre, Castelo reúne atrações distribuídas principalmente pela zona rural. O roteiro permite conhecer diferentes aspectos da natureza e da história do município.
- Parque Estadual do Forno Grande: unidade de conservação com 730 hectares, abriga o segundo ponto mais alto do estado, trilhas gratuitas e a floresta de altitude apontada por Augusto Ruschi como a maior do mundo.
- Gruta do Limoeiro: patrimônio histórico estadual com vestígios humanos de aproximadamente 5 mil anos, salões internos e paredão de 30 metros na entrada.
- Cachoeira do Forno Grande: queda-d’água de cerca de 30 metros dentro do parque estadual, com maior volume nos meses de verão.
- Poços Amarelos: piscinas naturais de coloração dourada situadas no parque, com acesso por trilha guiada pelo IEMA.
- Rampa de Ubá: cenário de competições nacionais e internacionais de voo livre, conhecida entre os pilotos como Havaí do Parapente.
- Parque Estadual Mata das Flores: área de conservação com 800 hectares, cercada por cafezais e criada em 1992.
- Santuário de Aracuí: importante destino religioso do sul capixaba, também incluído entre as Sete Maravilhas do município.
Gastronomia de Castelo preserva receitas da imigração italiana
A influência dos imigrantes italianos também aparece à mesa. A colonização ocorrida no fim do século XIX deixou receitas e costumes que continuam presentes nas cantinas familiares, nos restaurantes de fazenda e na culinária do interior de Castelo.
- Massas caseiras: raviólis, capeletes e nhoques preparados em cantinas familiares, com receitas transmitidas entre gerações.
- Frango caipira: prato tradicional de fogão a lenha, geralmente acompanhado de polenta e temperos de inspiração italiana.
- Cafés especiais: grãos cultivados nas áreas de altitude da região, com produção reconhecida em concursos e presença em cafeterias rurais e feiras locais.
- Socol: embutido de origem italiana produzido no interior capixaba, preparado com temperos e submetido a um processo lento de cura e maturação.

Como é o clima de Castelo durante o ano?
A cidade tem clima ameno de montanha, com verões chuvosos e invernos secos e frios. A altitude entre a sede e os picos garante variações grandes de temperatura ao longo do dia.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade do castelo capixaba
Castelo fica a cerca de 145 km de Vitória, com acesso pela BR-262 até Venda Nova do Imigrante e depois pela Rodovia Pedro Cola por mais 36 km. De Cachoeiro de Itapemirim, o acesso principal é pela Rodovia ES-482. O Aeroporto Eurico de Aguiar Salles, em Vitória, é a principal porta aérea, com linhas de ônibus diárias saindo da capital para o interior serrano.
O castelo que a montanha construiu
Poucos destinos brasileiros combinam a maior floresta de altitude do mundo, uma gruta com vestígios humanos de 5 mil anos e rampas de voo livre premiadas em raio tão curto. Castelo transformou geografia, pré-história e devoção em identidade cultural única no sul capixaba.
Você precisa conhecer Castelo e subir ao Pico do Forno Grande para entender por que a montanha em forma de castelo deu nome a uma cidade inteira.




