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Início Cidades

Uma montanha em forma de fortaleza medieval se ergue a 2.039 metros em uma floresta que não existe em nenhum outro lugar

Por Maura Pereira
31/10/2026
Em Cidades, Turismo
Uma montanha em forma de fortaleza medieval se ergue a 2.039 metros em uma floresta que não existe em nenhum outro lugar

Muito antes da formação das cidades capixabas, grupos humanos já ocupavam a região onde hoje fica Castelo. / Imagem ilustrativa

Uma serra com aparência de castelo medieval, um pico de 2.039 metros que abriga uma vegetação única no planeta e uma gruta com vestígios de ocupação humana de 5 mil anos. No sul do Espírito Santo, Castelo reúne paisagens marcantes, registros pré-históricos e tradições herdadas da imigração italiana, formando uma identidade singular no interior capixaba.

A serra que inspirou o nome de Castelo

A história do nome do município está ligada às expedições em busca de ouro durante o período colonial. De acordo com a Secretaria de Estado do Turismo do Espírito Santo (Setur-ES), os primeiros aventureiros que chegaram à região encontraram uma formação montanhosa semelhante a um castelo medieval de estilo feudal. Conforme os relatos históricos, a impressão causada pela paisagem deu origem ao nome que depois identificaria o povoado desenvolvido aos pés da serra.

Montanhas, vales e cachoeiras dominam o entorno da cidade, onde o clima ameno apresenta temperaturas que chegam a 23°C nos dias mais quentes e podem cair para cerca de 5°C nas madrugadas de inverno. A formação cultural também tem forte influência italiana: descendentes dos imigrantes que se estabeleceram na região mantêm vivas tradições presentes na gastronomia, nas manifestações religiosas e nos costumes locais.

A emancipação política ocorreu oficialmente em 25 de dezembro de 1928. Atualmente, Castelo tem aproximadamente 37 mil habitantes distribuídos por 664 km², a 145 km de Vitória. A cafeicultura serrana, o turismo rural e o agroturismo movimentam a economia, enquanto dois parques estaduais, dezenas de cachoeiras e áreas voltadas aos esportes de aventura fazem do município um dos destinos de natureza do Espírito Santo.

A gruta fica a 15 km do centro urbano e tem um paredão superior com 30 metros de altura. / Créditos: Wikipédia

Forno Grande abriga uma das maiores florestas de altitude do mundo

Com 2.039 metros de altitude, o Pico do Forno Grande é o segundo ponto mais elevado do Espírito Santo, atrás somente do Pico da Bandeira, na divisa com Minas Gerais. De acordo com o Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), o cume oferece uma vista que alcança a serra do Caparaó de um lado e o mar, com as cidades do litoral capixaba, do outro.

A proteção da região começou há mais de seis décadas. Conforme informações da Prefeitura, a área foi instituída como Reserva Florestal em 31 de outubro de 1960 e passou à categoria de Parque Estadual do Forno Grande em 1998, por meio da Lei nº 7.528. Com 730 hectares, a unidade está sob administração do IEMA desde setembro de 2007. As trilhas são gratuitas, mas exigem agendamento prévio e respeitam horários controlados de saída.

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Entre as particularidades do cume está uma formação vegetal considerada excepcional. Segundo a Prefeitura Municipal de Castelo, o topo do Pico do Forno Grande abriga uma mata com aproximadamente 300 metros que, de acordo com o pesquisador Augusto Ruschi, corresponde à maior floresta de altitude do mundo. A biodiversidade inclui espécies ameaçadas de extinção, como onça-parda, jaguatirica e macaco mono-carvoeiro, além de orquídeas e bromélias raras que crescem sobre o musgo das rochas.

Uma caverna preserva vestígios de ocupação humana de 5 mil anos

Muito antes da formação das cidades capixabas, grupos humanos já ocupavam a região onde hoje fica Castelo. A Prefeitura Municipal de Castelo reconhece a Gruta do Limoeiro como patrimônio histórico estadual e principal área de estudos sobre a pré-história do Espírito Santo. Pesquisas arqueológicas identificaram vestígios que comprovam a presença humana no local há pelo menos 5 mil anos.

Além da importância arqueológica, a caverna apresenta características geológicas incomuns no estado. Sua estrutura abriga espeleotemas formados pela solidificação de minerais presentes na água ao longo de milhares de anos. Durante a visita, é possível observar cortinas, estalactites, estalagmites e travertinos, estruturas construídas lentamente pelo gotejamento contínuo.

A paisagem já chama a atenção antes mesmo de entrar na cavidade. Situada a 15 km do centro urbano, a gruta tem um paredão de aproximadamente 30 metros de altura na parte superior, que forma um pórtico natural diante dos salões internos. Trata-se de uma das poucas cavernas do Sudeste com relevância arqueológica reconhecida e um sítio de referência para pesquisas sobre o povoamento humano no litoral brasileiro.

As rampas de voo livre que renderam o apelido de Havaí do Parapente

As montanhas de Castelo também atraem praticantes de esportes aéreos. Na comunidade de Córrego de Ubá, a 28 km da sede municipal, fica a Rampa de Ubá, palco de algumas das maiores competições de voo livre realizadas no céu capixaba, incluindo etapas nacionais e internacionais, segundo a Prefeitura. A combinação de condições favoráveis para os voos, paisagens montanhosas e natureza preservada inspirou os pilotos a batizar o local de Havaí do Parapente.

Outro ponto procurado pelos aventureiros é a Rampa de Apeninos, localizada na zona rural, a cerca de 12 km do centro. Próxima à Pedra do Dedo e ao Morro da Joeba, que tem 512 metros de altitude, a área oferece condições para a prática de asa-delta e parapente. As correntes térmicas constantes e os trechos de Mata Atlântica preservada em pleno vale do Prata completam o cenário.

Fora das atividades de aventura, a tradição religiosa também marca o calendário local. A Festa de Corpus Christi transforma o centro histórico com tapetes coloridos confeccionados com pedras, palhas e materiais reciclados. A celebração integra as Sete Maravilhas do Município, lista que também reúne a Cachoeira do Pedregulho, o Casarão da Fazenda do Centro, a Gruta do Limoeiro, o Parque Estadual do Forno Grande, a Igreja Matriz e o Santuário de Aracuí.

O que visitar entre montanhas, cavernas e rampas de voo?

As atrações de Castelo permitem montar um roteiro que combina áreas naturais preservadas, sítios pré-históricos e esportes de aventura. Boa parte dos pontos turísticos fica na zona rural do município.

  • Parque Estadual do Forno Grande: área de 730 hectares que abriga o segundo ponto mais alto do estado, trilhas gratuitas e a maior floresta de altitude do mundo, segundo Augusto Ruschi.
  • Gruta do Limoeiro: patrimônio estadual com vestígios humanos de 5 mil anos, salões internos e um paredão de 30 metros na entrada.
  • Cachoeira do Forno Grande: queda d’água de aproximadamente 30 metros dentro do parque estadual, com maior volume nos meses de verão.
  • Poços Amarelos: piscinas naturais de tonalidade dourada localizadas dentro do parque estadual, acessíveis por trilha guiada pelo IEMA.
  • Rampa de Ubá: cenário de competições nacionais e internacionais de voo livre, conhecida entre os pilotos como Havaí do Parapente.
  • Parque Estadual Mata das Flores: unidade de conservação com 800 hectares, cercada por cafezais e criada em 1992.
  • Santuário de Aracuí: um dos principais destinos de peregrinação do sul capixaba e integrante das Sete Maravilhas do município.

A influência italiana na gastronomia das montanhas capixabas

Nas mesas de Castelo, a herança dos imigrantes italianos que chegaram à região no fim do século XIX continua presente. Cantinas familiares e restaurantes instalados em propriedades rurais preservam receitas tradicionais, muitas vezes preparadas em fogões a lenha.

  • Massas caseiras: raviólis, capeletes e nhoques preparados em cantinas familiares, com receitas transmitidas entre gerações.
  • Frango caipira: servido com polenta e temperos de influência italiana, costuma ser preparado em fogão a lenha.
  • Cafés especiais: os grãos cultivados nas áreas de altitude da região conquistam reconhecimento em concursos e são encontrados em cafeterias rurais e feiras locais.
  • Socol: embutido de origem italiana produzido no interior capixaba, preparado com temperos e submetido a um processo de cura e maturação lenta.
, uma gruta com vestígios humanos de 5 mil anos e rampas de voo livre premiadas em raio tão curto. / Créditos: Wikipédia

Como é o clima de Castelo durante o ano?

A cidade tem clima ameno de montanha, com verões chuvosos e invernos secos e frios. A altitude entre a sede e os picos garante variações grandes de temperatura ao longo do dia.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 18-30°C
Chuva: 🌧️ Alta
Aproveite a Cachoeira do Forno Grande e Poços Amarelos.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 15-27°C
Chuva: 🌦️ Média
Excelente momento para explorar a Gruta do Limoeiro e Mata das Flores.
❄️ Inverno Jun – Ago
Média: 5-23°C
Chuva: ☀️ Baixa
Ideal para curtir o Pico do Forno Grande e Rampa de Ubá.
🌺 Primavera Set – Nov
Média: 13-27°C
Chuva: 🌦️ Média
Perfeito para aproveitar as Trilhas ecológicas e turismo rural.
💡 Dica do especialista: O inverno (5°C a 23°C), com chuva baixa, é o período ideal para curtir o Pico do Forno Grande e Rampa de Ubá com tempo firme. Já no verão, a Cachoeira do Forno Grande e Poços Amarelos garantem passeios inesquecíveis e um clima muito agradável para explorar a região!

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Leia também: Cresce 44% o número de brasileiros indo viver na cidade do 2º maior porto do Brasil, PIB per capita de R$ 182 mil e o 4º m² mais caro do país em 12 anos se tornando a nova joia catarinense.

Como chegar a Castelo, a cidade da serra em formato de castelo

A viagem de Vitória até Castelo percorre aproximadamente 145 km. O caminho passa pela BR-262 até Venda Nova do Imigrante, de onde o trajeto continua pela Rodovia Pedro Cola por mais 36 km. Quem parte de Cachoeiro de Itapemirim pode utilizar a Rodovia ES-482. Para quem chega de avião, o Aeroporto Eurico de Aguiar Salles, na capital capixaba, é a principal opção, com linhas diárias de ônibus que ligam Vitória ao interior serrano.

Uma cidade moldada pela serra e por sua história

Reunir uma floresta de altitude considerada a maior do mundo, uma gruta com vestígios humanos de 5 mil anos e rampas premiadas de voo livre em uma mesma região é algo raro no Brasil. Castelo transformou suas montanhas, seu patrimônio pré-histórico e as tradições religiosas em elementos de uma identidade cultural própria no sul do Espírito Santo.

O melhor jeito de compreender essa relação entre paisagem e história é conhecer o Pico do Forno Grande. Do alto de seus 2.039 metros, a formação montanhosa que inspirou o nome da cidade revela a dimensão do cenário que tornou Castelo um dos destinos mais singulares do interior capixaba.

Tags: casteloEspírito Santo
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