A 70 km de Florianópolis, no litoral norte de Santa Catarina, Bombinhas é a menor cidade catarinense em extensão territorial. Em apenas 34,5 km² de península avançando sobre o Oceano Atlântico, reúne 39 praias, cinco selos internacionais Bandeira Azul e a vizinhança direta da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, única reserva marinha do Sul do Brasil. É reconhecida como Capital do Mergulho Ecológico e mantém mais de 60% do território como área de preservação ambiental protegida.
Dos açorianos aos ranchos de pesca
A ocupação começou em 1735, quando famílias vindas dos Açores, arquipélago português, desembarcaram no litoral catarinense para fugir de crises econômicas e terremotos nas ilhas. Antes disso, a região era habitada por povos carijós, cujos vestígios podem ser vistos em sítios arqueológicos e inscrições rupestres. Os colonos açorianos se instalaram nas encostas dos morros e viveram inicialmente da agricultura, plantando feijão, café, batata, mandioca e cana-de-açúcar.
No início do século XX, as novas gerações abandonaram a lavoura e desceram para o mar, transformando a pesca na principal atividade econômica. Segundo a Prefeitura de Bombinhas, o crescimento acelerado do turismo nos anos 1970 despertou o desejo de emancipação de Porto Belo. Em 15 de março de 1992, um plebiscito aprovou a separação com 1.454 votos a favor e 75 contra. A emancipação foi oficializada em 30 de março de 1992 pela Lei Estadual nº 8.558, e Manoel Marcílio dos Santos, o Maneca, foi eleito primeiro prefeito.

O que fazer em Bombinhas em quatro dias?
O ideal são quatro dias, com dois dedicados às praias de infraestrutura completa e ao mergulho, um às praias desertas acessíveis por trilha e um à Reserva do Arvoredo. Das 39 praias, 19 são preservadas e chegam apenas a pé ou de barco.
- Praia de Bombinhas: a principal e mais movimentada, com quase 1 km de extensão, areia branca, mar calmo e cristalino, boa infraestrutura de bares e restaurantes.
- Praia de Bombas: vizinha da Bombinhas, tem estrutura completa de hotéis, restaurantes e escolas de mergulho, ideal para famílias.
- Praia de Quatro Ilhas: certificada com Bandeira Azul, é reduto de surfistas com vista para as quatro ilhas que compõem a Reserva do Arvoredo (Galés, Deserta, Macuco e Arvoredo).
- Praia do Mariscal: também Bandeira Azul, tem mar aberto e ondas fortes que atraem surfistas experientes, cenário mais rústico e menos movimentado.
- Praia da Conceição: terceira Bandeira Azul da cidade, com piscinas naturais formadas entre costões ideais para snorkeling.
- Praia de Zimbros: em baía protegida do vento, tem águas tranquilas e é famosa pela vida caiçara preservada e pelos ranchos de pesca.
- Praia da Tainha: águas mornas, calmas e transparentes, uma das mais indicadas para snorkeling prolongado.
- Parque Natural Municipal Morro do Macaco: trilha leve com vista panorâmica de 360 graus da península inteira, um dos mirantes mais fotografados do litoral catarinense.

A Reserva do Arvoredo e o mergulho ecológico
A Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, criada em 1990 e administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), protege 17.600 hectares de mar entre Bombinhas e Florianópolis. Segundo o Turismo de Bombinhas, a unidade abriga as ilhas do Arvoredo, Galé, Deserta e Calhau de São Pedro, e é a única reserva marinha do Sul do país.
O mergulho recreativo é permitido apenas no sul da Ilha do Arvoredo, fora dos limites protegidos, com autorização do ICMBio. A visibilidade no fundo do mar chega a 15 metros no verão e revela tartarugas, raias, garoupas, corais e jardins de algas. O local guarda ainda o naufrágio do navio Orion, afundado em 1912 na enseada do Mariscal em viagem entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires. A cidade cobra a Taxa de Preservação Ambiental (TPA) na entrada da península durante a alta temporada para financiar a limpeza das praias e a conservação da Mata Atlântica.
Sabores da mesa bombinense
A cozinha herdou os temperos açorianos e depende do peixe fresco pescado no dia. Os pratos de mar aberto e os frutos do mar são o coração das cantinas locais.
- Sequência de camarão: prato símbolo com camarões preparados de várias formas em cortes generosos, servido em restaurantes tradicionais da orla.
- Caldeirada de peixe: herança direta da cozinha açoriana, com pescada, sirigado ou tainha em caldo com legumes e temperos regionais.
- Moqueca catarinense: preparo com peixe branco fresco, sem dendê, em panela de barro, com influência luso-açoriana.
- Ostras e mariscos: cultivados nas fazendas do Mar de Dentro em Zimbros, servidos in natura ou gratinados nas cantinas tradicionais.
Qual a melhor época para visitar Bombinhas?
O clima é subtropical úmido, com verões quentes e chuvosos e invernos amenos. A temporada de mergulho vai de dezembro a março, quando a visibilidade da água está no auge.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
A alta temporada vai de dezembro a fevereiro, com Réveillon disputado e a península recebendo até 200 mil pessoas no auge. O outono, entre março e maio, combina temperaturas amenas com água ainda quente para mergulhos, e é a época preferida por quem quer fugir do movimento.

Como chegar em Bombinhas?
A cidade fica a 70 km de Florianópolis pela BR-101, com saída em Porto Belo e continuação pela SC-412 até a península, em cerca de 1 hora e 30 minutos de carro. O Aeroporto Internacional de Navegantes é o mais próximo, a 47 km, com voos diretos das principais capitais brasileiras.
Durante o verão, a única via de acesso à península fica congestionada. Muitos turistas optam por chegar mais cedo ou depois do pico do dia. O Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, é a alternativa para voos internacionais, a 70 km da cidade. A região faz parte da Costa Verde e Mar, próxima de Balneário Camboriú, Itapema e Itajaí, com bom acesso rodoviário.
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Vá conhecer Bombinhas
Poucos destinos brasileiros conseguem entregar 39 praias em uma única península, a única reserva marinha do Sul do país e a maior concentração de selos Bandeira Azul no mesmo endereço. Bombinhas segue no ritmo dos ranchos de pesca açorianos, das águas transparentes que refletem o verde da mata e das cantinas simples que servem peixe pescado no mesmo dia.
Você precisa mergulhar em uma das praias com Bandeira Azul e subir o Morro do Macaco ao entardecer para entender por que a menor cidade de Santa Catarina virou a Capital do Mergulho Ecológico do Brasil.




