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Início Curiosidades

Jovem casal gasta R$ 50 mil para construir uma laje na casa da avó com autorização verbal, a idosa falece e os tios exigem a demolição da estrutura para vender o imóvel no inventário

Por Daniely Cardoso
07/08/2026
Em Curiosidades
O arranjo parecia perfeito, contudo, a ausência de um documento formal ignorou as regras jurídicas de direito de propriedade do país.

O arranjo parecia perfeito, contudo, a ausência de um documento formal ignorou as regras jurídicas de direito de propriedade do país.

O jovem casal Lucas e Mariana investiu R$ 50 mil economizados para erguer sua moradia sobre o imóvel da avó após um simples acordo verbal. Quando a idosa faleceu, os tios exigiram a desocupação e demolição da estrutura para vender a propriedade no inventário. A história é fictícia, mas reflete o drama real de quem realiza uma construção em terreno alheio sem registrar o acordo no Brasil.

Como nasceu o projeto da laje na casa da avó?

Durante quatro anos de união, Lucas e Mariana pouparam cada centavo do salário para realizar o sonho da casa própria. Sem recursos para comprar um lote urbano, aceitaram a oferta da avó Lúcia para construir sobre a laje do imóvel da família.

A idosa concordou com o projeto de forma verbal, feliz em manter os netos por perto. O casal investiu R$ 50 mil na compra de cimento, tijolos e contratação de pedreiros. O arranjo parecia perfeito, contudo, a ausência de um documento formal ignorou as regras jurídicas de direito de propriedade do país.

Sem recursos para comprar um lote urbano, aceitaram a oferta da avó Lúcia para construir sobre a laje do imóvel da família.

O que aconteceu quando a idosa faleceu e a família abriu o inventário?

A tranquilidade do casal terminou de forma repentina com o falecimento da avó Lúcia. Poucos meses após o velório, os tios abriram o processo de inventário para partilhar o patrimônio deixado pela idosa entre os herdeiros legítimos.

Como a casa principal e a laje formavam um único imóvel na matrícula do cartório, os herdeiros exigiram a desocupação imediata da estrutura para facilitar a venda. Sem contrato assinado, Lucas e Mariana viram seu investimento ser enquadrado como uma benfeitoria não autorizada no papel.

O que o Código Civil brasileiro diz sobre construir no imóvel de parentes?

A surpresa do casal encontra respaldo direto no Código Civil brasileiro. A legislação determina que toda edificação realizada sobre o solo ou estrutura de terceiros pertence ao proprietário do imóvel principal, fenômeno conhecido como acessão imobiliária.

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Assim, a construção em terreno alheio passa a integrar o patrimônio do dono da terra. No caso de falecimento do titular, o bem entra integralmente no montante da partilha. De acordo com o artigo 1.255 do Código Civil, quem constrói em propriedade alheia perde a edificação, restando apenas o direito ao ressarcimento financeiro se agir de boa-fé.

A norma que atribui a obra ao dono do solo busca preservar a segurança dos registros imobiliários e evitar a ocupação desordenada.

Leia também: Proprietário despeja 15 caminhões de terra para nivelar o lote em relação à rua, usa o muro simples de alvenaria do vizinho como contenção sem fazer estrutura de arrimo e o muro cede sob a pressão da terra molhada após a primeira chuva forte.

A lei protege o proprietário herdeiro ou quem investiu na construção?

A norma que atribui a obra ao dono do solo busca preservar a segurança dos registros imobiliários e evitar a ocupação desordenada. Sem essa diretriz, terceiros poderiam realizar obras não autorizadas e exigir a posse do imóvel de terceiros.

Por outro lado, o ordenamento jurídico impede que os herdeiros se beneficiem sem causa do dinheiro alheio. A Constituição Federal e as regras civis garantem a recomposição do patrimônio de quem agiu com transparência, vedando o enriquecimento ilícito dos proprietários à custa do construtor.

O casal tem direito de receber os R$ 50 mil de volta no inventário?

O ressarcimento dos valores aplicados na obra não ocorre de forma automática, exigindo a comprovação do investimento na Justiça. Para reaver os R$ 50 mil, o casal precisa demonstrar que agiu de boa-fé e com o consentimento da falecida.

A cobrança pode ser apresentada mediante habilitação de crédito no próprio inventário ou por meio de uma ação autônoma de indenização. Os requisitos exigidos para fundamentar o pedido incluem:

01
Comprovação de boa-fé: apresentar mensagens, testemunhas ou documentos que atestem o consentimento do dono do imóvel.
02
Notas fiscais e recibos: reunir comprovantes de pagamento de materiais de construção e mão de obra cobrados na obra.
03
Avaliação de valorização: demonstrar por laudo técnico que a nova estrutura aumentou o valor de mercado da propriedade.

O que muda quando comparamos o acordo verbal com o caminho legalizado?

A diferença entre a construção de Lucas e Mariana e uma obra legalizada no terreno de parentes não está no afeto familiar ou no empenho do casal, mas no cumprimento das etapas jurídicas.

A comparação entre a informalidade e as exigências da legislação fica clara na tabela:

EtapaO que o casal fezO que a lei exige
Autorização da obraAcordo verbal com a avóEscritura pública ou contrato escrito
Direito realNenhum registro em cartórioInstituição do direito de superfície
Projeto e alvaráObra sem licença municipalAprovação na prefeitura e CREA
Titularidade do bemAcreditaram ser donos da lajePropriedade mantida com o dono do solo
Garantia no inventárioRisco de despejo sem ressarcimentoDireito expresso de indenização

O que se aprende com a história de Lucas e Mariana?

A história de Lucas e Mariana é fictícia, mas a perda financeira e o conflito familiar que ela retrata ocorrem diariamente no Brasil. O empenho e as economias do casal não eram o problema. O erro esteve em confiar apenas na palavra e ignorar as formalidades legais antes de iniciar a estrutura.

Quem realmente quer construir em terreno de parentes precisa seguir esse roteiro: elaborar um contrato formal de direito de superfície, registrar o documento no cartório de imóveis e aprovar o projeto na prefeitura. É um caminho mais lento e burocrático do que a conversa informal. Mas é o procedimento que protege o investimento de uma perda devastadora.

Tags: Código Civilindenizaçãoinventárioterreno de parentes
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