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Fundada em 1773, esta cidade isolada entre dois mares abriga a 7ª igreja mais antiga do Rio Grande do Sul e guarda sua história

Por Maura Pereira
15/04/2026
Em Cidades, Turismo
Fundada em 1773, esta cidade isolada entre dois mares abriga a 7ª igreja mais antiga do Rio Grande do Sul e guarda sua história

Em 1742, já existia ali um posto de vigilância português chamado Guarda de Mustardas. / Imagem ilustrativa

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Encravada num istmo entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, Mostardas guarda casario açoriano do século XVIII e o lugar exato onde nasceu, em 1840, o único filho brasileiro do casal mais lendário da Revolução Farroupilha.

De posto militar a freguesia açoriana

Em 1742, já existia ali um posto de vigilância português chamado Guarda de Mustardas, escrito com U até o início do século XX. A versão mais aceita conta que o nome vinha das trincheiras camufladas com plantas de mostarda, que custavam a murchar e davam aparência viva ao esconderijo.

A freguesia foi oficialmente fundada em 18 de janeiro de 1773 por portugueses vindos da ilha açoriana de Pico, segundo o portal de Turismo do Rio Grande do Sul. No mesmo ano foi erguida a Igreja Matriz São Luiz Rei, considerada a sétima igreja mais antiga do estado.

Com aves que migram do Alasca à Patagônia, o “Nordeste” do Sul é um refúgio com uma lagoa essencial para alimentação dessas aves
Mostardas-RS emociona com horizontes infinitos de lagoa e mar, inspirando ecoturismo em dunas e observação de aves no Parque Nacional da Lagoa do Peixe. // Créditos: Wikipédia

Por que Mostardas é chamada de cidade afro-açoriana?

A identidade local não nasceu apenas do outro lado do Atlântico. Depois dos açorianos, africanos escravizados foram trazidos para erguer a comunidade, e seus descendentes formaram quilombos que ainda hoje permanecem habitados na região.

Essa dupla herança é tão central que aparece em painel na praça principal da cidade, identificando Mostardas como afro-açoriana. As tradições religiosas e festivas dos dois povos atravessaram os séculos e continuam vivas em grupos folclóricos e festejos locais.

O litoral gaúcho esconde paraísos de águas cristalinas e dunas que remetem ao cenário nordestino. O vídeo é do canal O Mundo aos Nossos Pés, com milhares de inscritos, e apresenta a Lagoa do Bacupari:

O dia em que Anita deu à luz no rancho da família Costa

Em 16 de setembro de 1840, no rancho da família Costa, na localidade de São Simão, nasceu Domenico Menotti Garibaldi. Era o primogênito de Anita e Giuseppe Garibaldi, e o único dos quatro filhos do casal a nascer no Brasil.

Doze dias após o parto, Anita precisou fugir a cavalo, seminua e com o recém-nascido no colo, escapando de um ataque imperial durante a ausência de Garibaldi. A história está documentada pelo governo do Rio Grande do Sul nas comemorações do bicentenário da heroína.

De Mostardas para a Unificação da Itália

Aquele bebê que sobreviveu à fuga viraria um dos protagonistas da Unificação Italiana. Menotti lutou ao lado do pai na Expedição dos Mil em 1860, virou general do Exército Real Italiano e foi eleito deputado por Velletri entre 1876 e 1900.

A conexão entre os dois mundos segue viva. Mostardas é cidade-irmã de Aprília, na Itália, desde 26 de abril de 1996, justamente por causa de Menotti, conforme registro da Prefeitura de Mostardas. Aprília é o local onde Menotti foi sepultado em 1903.

A cidade pequena com 12 mil habitantes que encanta pela natureza e vida pacata no Rio Grande do Sul
Em Mostardas-RS, relaxe na Praia do Balneário, pedale na Lagoa de Bacupari e aprecie pores do sol na lagoa em clima tranquilo e natureza gaúcha acolhedora. // Créditos: Wikipédia

O que ver no centro histórico mais bem preservado do litoral sul gaúcho?

O passeio cultural pelo núcleo urbano leva cerca de 1h30 e revela detalhes açorianos que escaparam do tempo. As fachadas guardam símbolos religiosos como a Santíssima Trindade e a Pomba do Divino Espírito Santo, herança das ilhas atlânticas.

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  • Igreja Matriz São Luiz Rei: erguida em 1773, é a sétima igreja mais antiga do Rio Grande do Sul e ainda mantém estruturas originais.
  • Praça Prefeito Luís Chaves Martins: pequena, arborizada e cercada por casas históricas, com o painel que identifica a cidade como afro-açoriana.
  • Marco histórico de São Simão: rancho onde Anita Garibaldi deu à luz Menotti, hoje ponto de romaria cívica.
  • Telhados com eira e beira: detalhe construtivo açoriano preservado nas casas do centro tombado pelo município.
  • Farol de Mostardas: torre de 30 metros à beira da Laguna dos Patos, alcançada por estrada que cruza bandos de emas e capões de mata nativa.

Leia também: A cidade histórica esquecida que parou em 1850 onde foguetes decolam ao lado de ruínas esquecidas do século XVII.

Quando visitar a cidade entre dois mares?

Mostardas tem clima subtropical úmido e pode receber visitantes o ano inteiro. O verão é a alta temporada das praias, mas o outono e a primavera oferecem o melhor equilíbrio entre temperatura e tranquilidade.

☀️ Verão

Dez – Fev

19-29°C

Temperatura
Época de sol e vento, ideal para explorar as praias da região e as formações de dunas.
🌦️ Chuva Média

🍂 Outono

Mar – Mai

14-24°C

Temperatura
Clima ameno para roteiros culturais, visitando o centro histórico e os icônicos faróis.
🌦️ Chuva Média

❄️ Inverno

Jun – Ago

9-19°C

Temperatura
Temporada fria e úmida, período propício para a observação de aves migratórias na costa.
🌧️ Chuva Alta

🌸 Primavera

Set – Nov

13-24°C

Temperatura
Estação marcada pelas trilhas naturais e pelas tradicionais festividades da Semana Farroupilha.
🌦️ Chuva Média

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

A cidade pequena com 12 mil habitantes que encanta pela natureza e vida pacata no Rio Grande do Sul
Mostardas estabiliza em 12 mil hab no censo 2022; turismo cresce com trilhas no Parque da Lagoa do Peixe e faróis históricos no litoral gaúcho em alta. // Créditos: Wikipédia

Como chegar à cidade no istmo gaúcho?

Mostardas fica a cerca de 200 km de Porto Alegre, com acesso pela BR-101, totalmente pavimentada. A cidade está exatamente no meio do caminho entre Osório e Rio Grande, a 165 km de cada uma.

A cidade onde dois mundos se encontram

Poucos lugares no Brasil reúnem em tão pouco espaço uma freguesia portuguesa do século XVIII, raízes africanas vivas em quilombos e o nascimento de um dos artífices da Unificação Italiana. Tudo isso entre uma laguna e o oceano.

Você precisa visitar Mostardas para caminhar por um centro histórico onde o casario açoriano ainda guarda os símbolos das ilhas e o eco de uma fuga noturna a cavalo que mudou a história de dois continentes.

Tags: mostardasRio Grande do Sul
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